Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
Porra Oggy, bom feriado pra você, meu filho, celebraremos algo especialmente em seu nome, o mesmo vale para o Busílis, pro Beto e pra todo mundo. Apenas realizem-se ao máximo (apenas?!). Sejamos felizes...
Não dormir, tralalá, tralalá, tralalá. E é isso que acontece quando a gente acorda cedo, boca seca, mal dormido, dor de cabeça, tudo é ruído. Momento de controle total do ego sobre o indivíduo. O princípio de realidade é o negócio mais distante da realidade que a estrutura da personalidade ocidental-judáico-cristã-capitalista-materialista criou. Uma vez transcendendo novamente o EnGOdo não há mais necessidade para dor de cabeça, boca seca ou falta de sono. Mas supera-se conservando, beber água ajuda e é muito real, mas o ego só sabe disso, quem bebe água é o corpo. Os símbolos, que sempre colaboram, interferem na satisfação psíquica, ou melhor, são a própria satisfação psíquica, a simbolização da satisfação física. Satisfação é uma só, a separação é didática e perigosa. Ressaca (de qualquer coisa) é sempre culpa, ou culpa da culpa. Culpa quando a satisfação obtida é normalmente "proibida". Culpa da culpa quando abandona-se a consciência dos limites do corpo e abusa-se de uma falsa sensação de liberdade, normalmente confundida com poder. Às vezes, porém, o limite do corpo é zero e todo uso se torna abuso, se é que isso existe nesse ponto.
Existem pessoas que saem por ai de noite "trepando" com estátuas, assim como pessoas que trepam como se fossem estátuas, mas não vem ao caso. O ponto é que esses "perversos" (os que trepam com estátuas, quem trepa como uma estátua chamamos de neurótico histérico, ou qualquer coisa do gênero) são classificados em uma não-sei-o-que-filia. Agora, o sujeito satisfaz "a libido sobre estátuas ou outras obras do gênero" (frase do Aurélio) que ele mesmo esculpiu e produziu está praticando pigmalionismo. Pra mim o mais bizarro disso tudo é a psiquiatria dar um nome pra isso, o resto eu compreendo melhor...
Felicitemos o encontro potente...
Depois de mandar o texto gigante que continua a narração da nossa viagem de férias, queria comentar, compartilhar, a balada de hoje no Ó do Borogodó. Mais do que nunca eu acho esse lugar incrível. Ele proporciona muitas potencialidades de felicidade iminente, além da música incrível, claro. Não penso em celebrar nada que não seja consumado, mas não impeço nada de ser celebrado. Não discuto mais nada do que foi discutido até que chegue o momento, onde discutirei tudo o que eu quiser. A perfeição está na capacidade de satisfação de processos imperfeitos.
Continuando nossa viagem, planejamos uma parada em Diamantina, pra chegarmos no dia seguinte cedo e descansados pra rave e também porque o okoL estava com alguma ligação misteriosa com os diamantes manifestada pelo seu estranho desejo de comer diamante negro que não se satisfaria se ele comesse (foi o que ele disse). Chegamos em Diamantina perdidos e acabamos chegando numa pousada na praça principal, víamos a balada da janela. Era uma balada engodo, com certeza, mas nos divertimos muito. Como não podia deixar de ser, encontrei alguém que eu conhecia e que era do meu colégio, coisas que impressionantemente sempre acontecem comigo, inclusive porque uma pessoa que eu vejo uma vez no ônibus eu já reconheço.
Conhecemos umas moças, okoL ficou conversando com uma, eu e o Oggy com a outra, Michele, unanimamente uma graça. A conversa, porém, sempre se prendia em assuntos estranhos, medos estranhos, planos de futuro que contrariavam a vontade, "adoro o teatro, mas atriz não sobrevive no Brasil, então vou fazer odonto porque aqui tem a terceira melhor faculdade da América Latina (ou do Brasil)...", pura engabelação... okoL ia bem até descobrir que a moça era comprometida, duas garrafas foram o suficiente pra deixar dois abstinentes (eu e o okoL) bêbados e ressacados. Aliás, no fim da viagem estava determinado a só beber de novo quando minha relação com o álcool fosse mais "sacramentada" como é o LSD, quando eu mr livrasse da função social do álcool no nosso mundo, "encher a cara pra fazer merda e perder o controle". Isso sempre dá uma ressaca desgraçada, arrependimento e entra no sistema de culpa/não culpa em que vivemos. Álcool é uma substância psicoativa cujo efeito é reduzir a percepção e é bom que aproveitemos isso, não que nos rendamos a isso. Bom, prosseguindo, ficamos na janela do quarto, bêbados e chapados, rindo muito, principalmente de nossa própria estase.
Dia seguinte, Milho Verde, Sunvibe, In Lak Ech Sunvibers, mas a balada tava sendo montada e todas as árvores do camping já estavam ocupadas. Só nos restava acompanhar tudo da cachoeira e ouvir as reclamações do atraso de um dia que ia acontecer. Acordamos, nada do som ainda, fumo na cachoeira. Na barraca, explorando a fundo as manifestações inconscientes, logo que o som começou fiquei imaginando que no lugar das barracas haviam tumbas de onde zumbis se desenterravam ao som da música e caminhavam até a pista. Logo depois colocamos um chapeleiro inteiro embaixo da língua, ai fodeu tudo, literalmente. Certo, só três dias depois ficamos sabendo que se tratava do dobro da concentração média dos ácidos, mas beleza.
A experiência do LSD puro era a coisa mais linda que se podia imaginar, mais incrível. Ficamos vagando perdidos pela festa e o okoL foi o primeiro a sair da mandala e sumir. Uma hora encontrei o Oggy no Chill Out, já estava lá a não sei quanto tempo, fiquei umas duas horas com ele lá, quer dizer, com ele fisicamente e espacialmente no mesmo local, mas acho que não disse uma palavra, acho que fiquei umas 6 horas sem pronunciar uma palavra. Depois que saí de lá ele ainda ficou mais não sei quanto tempo, eu vagava, inspirado pelas idéias de "reprogramação mental" e re-imprinting de que Timothy Leary tanto falava, tentei fazer isso com alguns conceitos. Que eu me lembre claramente, ressignifiquei bastante o significado de "inferno", aliás, até hoje não tenho muito claro ainda o que foi que eu fiz com o conceito. Eu estava realmente perdido nos pensamentos e o australiano não tinha aparecido pra me dizer: "Don't think, feel it", tive que descobrir, ou relembrar, sozinho. Mas o que me aconteceu de mais surreal, embora não tenha sido nada de mais, foi quando vagava para o Chill Out de novo e surgiu uma moça saindo com os braços levantados e falando como um bebê: "Ei, me azuda (ajuda)" "Tá, ajudar no que?" "Me ajuda a fazer sissí (xixi), fica aqui..." "Tá bom." Fiquei ali parado um tempo, vendo as pessoas chegarem ao longe sem a menor idéia do que fazer caso alguém chegasse, eis que ouço: "bigadu" "O que foi que eu fiz?" "Viziou enquanto eu fazia sissí" "Ah, de nada" "Bigadu"...
Aprendi em algum momento os mandamentos universais da vida: 1 - Não caia. 2 - Caso não tenha caído, respire.
O okoL se superou, subiu em cima do caminhão, arrancou a pulseira da balada, ficou conhecido e comentado no dia seguinte, atravessou a cachoeira na beira do penhasco sem noção do que se passava. Depois de um tempo eu encontro o sujeito e ele me pergunta: "Ou, aquela hora na cachoeira foi perigoso?". Se eu não tivesse compreendido tudo teria pulado no pescoço dele e enforcado até a morte, beleza. À noite foi que eu realmente comecei a seguir a idéia do "don't think, feel it". Comecei a dançar pra parar de pensar. O australiano tava com a gente. Dancei por muito tempo, fixei vários movimentos na minha cabeça que repito automaticamente hoje e mesmo assim ainda consegui fazer uma análise sócio-antropológica dos grupos da rave, sic.
No outro dia acordamos, vimos um show de cítara no Chill Out e dormimos praticamente umas 20 horas até o dia seguinte, ai partimos para Serro para nosso merecido descanso. Uma pousada sensacional, com o melhor café da manhã da região do melhor queijo de Minas, roupão para tomar banho, pátio interno e tudo mais que um casarão colonial pode oferecer. Antes disso, porém, encontramos o australiano e o alemão em Milho Verde saindo da rave e adivinhem só, compramos mais cinco chapeleiros loucos cada um. Depois de tudo, partimos finalmente para Alto Paraíso de Goiás...
25.2.03 :::
É isso, fechou Pirenópolis pro carnaval, Trance Formation, mais barato e mais longe de Sampa do que a Solaris, além de ser em Goiás, até agora o melhor estado do Brasil que eu já fui e do Dance Floor ser entre uma praia de rio e uma mata e do camping ser arborizado, etc etc etc... Interessados identifiquem-se. Vamos encontrar por lá ainda um pessoal de Ribeirão que conhecemos no fim das férias, o pessoal mais incrível que eu conheci nos últimos tempos. Vai rolar ainda um preparado xamânico energizante. Até já sosseguei de não ter (ainda, pelo menos) recebido uns e-mails, isso não importa mais (quer dizer, só vai importar se eu receber, mas eu não vou mais ficar esperando). Amanhã vai rolar chorinho. Chorinho é uma das mais incríveis manifestações espontâneas da psicodelia. As músicas são pirações complexas em cima de uma base simples. Pré-conceituosos não se prendam ao Brasileirinho, é muito mais do que isso.
Ah, vou tentar mandar alguma continuação da viagem ainda essa semana, senão só depois do carnaval. Em breve também fotos e imagens da gatinha siamesa vesga, embora não dê pra ver os olhos direito em nenhuma foto, fotos das galinhas d'angola e outras coisas incríveis.
Então tá, fica assim mesmo.
24.2.03 :::
Desandei a escrever compulsivamente de novo. Queria dizer que sou fanático por gorgonzola, mas não é isso que vou dizer não. Andei olhando o que o pessoal está procurando pra cair no Docionário e descobri que esse pessoal tá abusando, a maior parte das buscas que caíram lá eram sobre drogas, sendo que a mais buscada foi o benflogin. Pô, tanta coisa boa, interessante e mais saudável e a negada querendo saber como que se usa esse negócio, que coisa.
Eu realmente me impressiono com a minha capacidade de ser totalmente incompreensível...
Esse ano eu começo a atender pacientes de verdade, embora eu não tenha nada a dizer sobre isso, estou aqui falando só pra que possa ocorrer de alguém que ler ou que leia esse blog ficar assustado com o fato de me deixarem atender alguém que está procurando ajuda psicológica. Por outro lado sempre que encontro um amigo meu do colégio e conto o que eu ando fazendo ele afirma com mais convicção que eu vou atender a filha dele um dia. Um outro amigo meu, também do colégio, acho que disse justamente o contrário, jamais deixaria minha filha ser atendida por você. Digo isso porque me surpreende a certeza com que as pessoas falam que vão gerar descendentes, que estes serão do sexo feminino e que precisarão de atendimento psicológico. Se eu fosse freudiano ferrenho soltaria agora de uma tacada só que esse pessoal realmente tem problemas com suas mães...
Isso tudo me fez lembrar que tem um amigo meu que sempre diz que tem medo de mim e que não andaria comigo sozinho na rua de noite (sic). Descobri outro dia que ele e uns outros amigos meus jogam bola na USP com um pessoal que eles consideram um bando de loucos insanos e que esses malucos têm medo do que tem medo de mim. Acho que tenho medo deles. Nunca vi na vida, mas ai fecha o ciclo, eu ter medo dos malucos que têm medo do cara que tem medo de mim...
Andando na rua, do ponto de ônibus até minha casa costuma ser um bom momento de reflexões totalmente viajantes. Normalmente sobre críticas às coisas idiotas. Usualmente, quando vejo a polícia acabo fazendo um diálogo na minha cabeça, eu conversando com um policial, justamente porque eles costumam ser a simbolização máxima do engodo. Embora eu saiba disso faz tempo, hoje a frase me veio a cabeça, como o mundo é ridículo hoje. Eu continuo acreditando que todas as estruturas sócio-econômico-político-cultural-psicológicas se completam em sistemas perfeitos, então só posso pensar que a perfeição pode facilmente ser ridícula, como na frase "um perfeito idiota." Acabei de pensar também, embora não seja realmente óbvio, que revoluções, como costumamos pensar, não existem.
Mas chegando em casa me aconteceu outra coisa, o porteiro do prédio veio me parabenizar atrasado pelo meu aniversário e falou que depois dos 17 o tempo passa muito rápido. 17 é a idade média com a qual a população acaba entrando num esquema profissional, seja trabalhando, seja se formando para um trabalho de nível superior seja os dois, entramos no cotidiano. Como boa parte dos dias passa a ser igual, e para um porteiro de prédio isso é ainda mais visível, seja pelo fato de ele ficar abrindo portas todos os dias ou seja pelo fato de as pessoas entrarem e saírem usualmente no mesmo horário, como tudo se repete, até que haja uma ruptura, um sinal marcador do tempo, um despertar para alguma coisa, todos esses dias passam como se fosse apenas um, é tudo igual mesmo...
Tá certo, em algum momento alguém tinha que começar a contar essa viagem de verdade, o Sato já fezisso, agora vou fazer algumas descrições menos descritivas, mas como eu já tinha escrito isso antes do Sato, ou Oggy, ter publicado o texto dele, então algumas coisas vão se repetir mesmo. Tudo começou em um dia chuvoso de Janeiro. Não, nada disso, que descrição chumbrega. Saímos dia 27, chovia, okoL (o mesmo que ocoL só que com k) não tinha dormido na noite anterior mas estava bem para dirigir, chegamos então em São Thomé das Letras, impressionante, não? Chegamos em São Thomé e, pasmem, lá também só chovia, ficamos na pousada central, do lado da igreja central, da praça central, da padaria central. Íamos munidos de apenas 40 gramas de maconha e um E cada um, e eles voltaram intactos, os 3... Não fizemos nada no dia 27, voltas e horas na pirâmide e no cruzeiro em cima do morro, acho que foi só isso. Dia 28 foi que tudo começou. Depois de mais um dia chuvoso, voltávamos do morro quando uma moça gritou da janela de um bar "ei, venham pra cá, é a única balada da cidade, som ao vivo..." Aparecemos lá depois, eis o início. Lá estava a Fran, a moça bêbada e atirada, que em poucos minutos gritava por cigarro, amava e odiava "Odeio você!!!", sem preconceitos, mas com ódio mortal de estudantes de psicologia da USP, "Freudianos... Freud não explica nada, mas Kardec...". Sato, ou Oggy, um de seus novos nomes, foi a primeira vítima e o primeiro a ser hostil, o que logo o liberou de ser atacado cruelmente. Samuca, o filho da dona do bar foi um dos que mais sofreu até que tocasse alguma coisa, okoL nunca mais me perdoou por sair por ai divulgando seu apelido mais secreto, Bebê... "Ai, mas o bebê é o mais lindo, o mais fofo"... e logo vinha "Odeio você...", pra todos que fizessem qualquer coisa fora de seu agrado, inclusive quando ela gritava falando da amiga "Ela não é linda, hein?!", e gritou isso até que confirmássemos, mesmo que à revelia. Tudo bem, parecia um inferno dantesco, ela pulava em cima de mim com tuda a sua "fartura" e exaltava seus "dotes" com orgulho, ficava chamando, "psiu, psiu, ce num é bobo nem nada, né?", até o momento em que houve a libertação, "Já entendi, eu estraguei tudo né?", acho que não precisava de resposta. Mas apesar disso tudo foi ela quem nos indicou que não precisávamos esperar sol pra colher os cogumelos no Vale das Borboletas, onde ela queria que fôssemos nadar pelados, ugh, no dia seguinte. Sim, cogumelos, eis que no dia seguinte fomos caçar mangas (terminologia própria e episcopática), colher cogumelos, remexer bosta de vaca, aliás, adoramos vaquinhas e nem todas as "baladas bosta" são ruins. Baseados na técnica da coloração roxa da psilocibina achamos cogumelos suficientes para a balada e comemos no pão com queijo, presunto e requeijão. Era horrível e asqueiroso de gosto, mas quem se importa... Eis que nesse momento, ou algum momento depois, partimos para dar uma volta pela cidade, Oggy em sua capa de chuva amarela fosfô, okoL com seu casaco peludo, peruano e roxo e eu de gorrinho e incenso na boca. A imagem lembrava a indumentária de Medo e Delírio, nossos comportamentos não eram muito diferentes. Em cima do morro as nuvens nos disseram uma centena de coisas, até que nos avisaram que estavam chovendo. Na pirâmide alguns locais e futuros locais da cidade conversavam e ouvimos toda a história da cidade, entre muitas outras, inclusive que alguns desodorantes são bebíveis em casos de ausência total de outra substância psicoativa, sic...
De volta ao quarto do hotel, Oggy parte um momento para usar o telefone e volta com um australiano maluco que só falava em palavras chaves e explicava as coisas com gestos e sons "You know, this is like, WOOOOW, and then, TZZZZZ, and when you use it you feel BRRRRRR" "One thing, if you think, nothing, bulshit, feel it, feel it..." "Energy, four elements, you can see it, you can feel it...". Ele tinha abordado o Sato (Oggy) com a seguinte frase, "Hey man, do you have some weed". Não tínhamos pra vender, mas pra consumir no quarto sim, junto com ele estava um alemão que preparava um water bong com garrafa de plástico, bic e durepox, e eles estavam indo para a rave de Milho Verde. Até então o quarto não tinha sido esfumaçado, mas eles chegaram e legalizaram o lugar da nóia em dois palitos. Ouvíamos trance, só o que eu fazia era viajar e ver o Smeagol na parede, não entendia patavinas do que eles falavam no começo, estava mais interessado nos cogumelos e no espírito negro que estava cravado na madeira da cama. Depois aprendia uma série de jogos de personalidade com desenhos, truques com notas de 20 dólares e no dia seguinte, antes de irmos embora, compramos cada um 5 dos ácidos americanos comprados em Amsterdam, os Chapeleiros Loucos, o que há de mais incrível em LSD puro e concentrado, praticamente a mesma coisa que o líquido, só que no papel. Partimos para Diamantina, onde passaríamos a noite antes do festival...
Bem, veremos como a experiência direta contrapõe-se ( ou se complementa) ao relato. De minha parte, tudo o que terei serão relatos. Isto é, por enquanto.
23.2.03 :::
Nossa, em algum momento vamos ter que contar como foi essa viagem.... Não sei por onde começar, o que dizer ou como relatar tudo o que passamos e sentimos. As pessoas que conhecemos, experiências que tivemos, e como isso tudo mudou, sem dúvida nenhuma, as vidas dos três viajantes (eu, o Incensenseiciador e o Loco). Acho que vou tentar começar por uma descrição simplesmente factual do que houve, e isso, é claro, vai incluir apenas as viagens que fizemos fisicamente, e não psiquicamente e espiritualmente. Hum, saímos, ansiosos e esperançosos, no dia 27 de janeiro, e chegamos na nossa conhecida República Livre e Sem Defeitos de São Thomé das Letras. Era pra ser só um esquenta pro resto da viagem, mas foi incrível. Bom, a cidade estava vazia, e estava chovendo. Depois de um encontro com a tenebrosa Fran, finalmente fizemos a coisa certa e fomos catar cogumelos. Em meio as cores que nosso amigos do reino Fungi nos proporcionavam, conhecemos dois espécimes singulares da espécie Homo Psicodelicus - um Australiano e um Alemão. Tudo será explicado com mais detalhes futuramente. Enfim, compramos com eles nosso carregamento de ácidos com 200 microgramas de LSD-25 puro e seguimos viagem. Fomos em direção a Milho Verde, com uma rápida passagem por Diamantina numa balada-engodo que foi surpreendentemente divertida. Chegamos em Milho Verde, pra Rave, um festival de trance psicodélico de três dias, In Lak´Ech Sunvibers. Experiências incríveis, o consumo de um ácido "Mad Hatter" inteiro, por cada um de nós, as aventuras do Loco com o caminhão gerador, o Chill-out paradisíaco e inefável, o reencontro com os dois malucos que nos venderam os doces.... Muitas histórias. Depois, fomos embora, passamos uma noite de recuperação numa incrível e sofisticada pousada colonial no Serro, e finalmente chegamos no objetivo principal, Alto Paraíso de Goiás. Passamos dez dias lá, pouco fizemos mais além de comer sorvete e crepes todos os dias, além de tomar doce a cada dois dias e conhecer uma porção de gente no mínimo interessante.... Foi maravilhoso. Depois, na volta pra casa ainda passamos um fim de semana em Ribeirão Preto, sob os cuidados da ex/atual/futura sra. Sato, mais pessoas incríveis, mais histórias, mais ácido... e até um Santo Daime, pro Loco e Incensenseiciador...
Isso é uma descrição extremamente resumida e factual, sem explorar todas nossas descobertas espirituais-emocionais-intelectuais-sensitivas-psicodélicas que obtivemos nesse Curso Intensivo de Verão de Psicodelia Aplicada à Arte do Bem-viver. E viva o Amor.
21.2.03 :::
Bom, nada de relatos da viagem ainda, mas terei que fazer uma descrição importante. Existe algo no Brasil que é o que as pessoas, na média, conhecem e chamam de ácido. Normalmente trata-se de um negócio de concentração 100 a 130 de alguma unidade de quantidade bem pequena de LSD com um monte de anfetas. Existe também algo que se chama australiano maluco que trouxe de Amsterdam um ácido americano de concentração 200 de puro LSD e vendeu para os autores desse blog durante sua viagem para o interior de Minas em cidades místicas e festivais de trance. Existe também a Klatu e um motivo, meu aniversário (20/02). Junte tudo que fizer sentido e veja que o sentido todo se perde, em meia hora, e por umas 8 horas no mínimo...
19.2.03 :::
Bom, vai rolar um negócio assim, relatos, transcrições de caderninhos e futuramente imagens e fotos. Quanto aos assuntos, serão abordados coletivamente coisas como enteógenos, encontros, lugares, enteógenos, gatinhas siamesas vesgas, galinhas d'angola, saunas lisérgico-acústico-cromo-piscodélicas, gotas acústicas, enteógenos, crepes francesas, santo daime, sorvete de maracujá, micróbios, mandalas, calendário maia, Janis Joplin... Mas essa semana vai ser foda, tem balada todos os dias, inclusive quinta-feira, sim, quinta-feira é o tão esperado e aguardado meu aniversário, que, ao que tudo indica, será celebrado na Klatu. Então acho que as transcrições e relatos acontecerão entusiasticamente na semana que vem, quando a poeira der uma leve baixada...