Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
31.3.03 :::
"Estou planejando uma ousada campanha publicitária para aumentar o número de leitores não episcopatas de nosso blog. Aparentemente o plano envolverá intenso consumo de substâncias enteógenas, seguido de uma iminente guerra no Iraque, um churrasco no Sítio do Loco, intenso consumo de substâncias enteógenas, e, last but not least, intenso consumo de substâncias enteógenas. Ainda não defini bem como vai ser isso, mas quando souber, aviso vocês." - Sato, em post do dia 22/09/02.
Sobre os comentários do último post, acho que ele diz praticamente tudo por si só, mas vale confirmar que o sujeito, que assina CRP (que é a sigla para Conselho Regional de Psicologia) e depois Babu, estava quase totalmente certo: além de muitas outras coisas, acho que queremos ser psicólogos, embora a necessidade de uma classificação ou de uma validação não venha da nossa parte. Gostaríamos (digo no plural porque imagino que o Sato e o okoL concordem comigo) de poder trabalhar, não receitar, com cápsulas, não comprimidos (porque LSD, psilocibina, mescalina não são produzidas em comprimidos) em sessões, quiçá, terapêuticas, mas existe uma série de outras possibilidades de se trabalhar as mesmas idéias, sendo que todas elas são bem vindas, mas nunca para fugir da realidade, porque isso é muito fácil e não necessita de ajuda. Eu ia achar incrível se okoL fosse um Buda, mas acho que não. Espero de coração que ele ajude muitas pessoas e que tudo isso não seja algo com o tal do falso-self, senão ele acaba por não ajudar ninguém, engodo não tem como ajudar engodo... Mas chega de escrever, pena que o sujeito nem vai ler, prometeu que não volta mais. Ajudou a esclarecer qualquer outra pessoa em dúvida.
30.3.03 :::
"Interessante como esse brinquedo pode alterar as percepções." Velho, meu irmão, sobre o lança-perfume.
"Se Freud não explica, Floyd explica!" Robson, o "Chapado", responsável pela fabricação do energético fitoterápico à base de guaraná e outros estimulantes naturais do gênero, falando da camisa do Wish You Were Here, do Busílis.
"Estou voando, sou o Flying Cheese." okoL, pra mim, falando da bike que ele tinha tomado.
"Remember: Don't fall of the table. If you didn't fall of the table, be creamy and delicious." Eu, respondendo ao okoL.
A balada foi incrível, tribal trance até as 10 da manhã e antes muitas outras coisas ao vivo não eletrônicas sensacionais. Um pessoal muito bom, toda a galera de Ribeirão, meu irmão que resolveu ir 10 minutos antes de a gente sair. Além disso, creio ter percebido, mesmo que num nível bem superficial, algumas motivações psicossomáticas de doenças chatas, como crise de conjuntivite alérgica, entre outras coisas do gênero. Espero que tenha compreendido o suficiente para que tenha alguma melhora. Para que eu tenha melhorado no todo, evoluído. Para que eu possa elaborar melhor meu selo maia do desafio, a Noite. Para que eu não confunda "não ficar carrancudo estupidamente e cair no engodo" com "rir de tudo sem antes ver do que se trata". Para que eu precise cada vez de menos coisas, e então possa fazê-las por pura vontade, eis a liberdade. Enfim, para que eu seja (mais) livre, inclusive de mim mesmo...
As ruas de São Paulo possuem uma beleza ímpar. São horríveis, eu sei, cinzas, sujas, esburacadas. Há o bonito que combina com isso, o padrão de beleza, que desfila pelas ruas. Não é disso que estou falando, nesses casos a beleza se perde, misturada, cinza, com a paisagem triste, a decadência de nariz empinado e ar superior, que está sempre em uma disputa, pra averiguar quem, ou o que, consegue ser mais decadente que o resto. Falo, por outro lado, da beleza que salta, da beleza que o cinza feio da cidade ressalta em seu contraste, que as pessoas, assustadas, fogem por não combinar com o cinza, tão identificadas com eles que estão. A lembrança viva de algo que nunca existiu, da maravilha que seria se as ruas combinassem com essa beleza, e não o contrário, perdendo o tom odioso que costumam transmitir. Na cidade não se pode seguir o exemplo do camaleão ou se torna cinza e perde-se a pele, adapta-se à inadaptação congênita. A beleza que irradia, contrasta, choca e machuca é a mesma que faz torcer, aquele que não pode achar que tem como mudar, para que a cidade, como o camaleão, é que venha a se adaptar...
27.3.03 :::
Ah não, fui ardilosamente convencido a comparecer ao Ó do Borogodó pra beber Original e ouvir um sambinha ao vivo da melhor qualidade. E agora, vou perder mais uma aula de sexta de manhã, o que será de mim?
Incrível como alguém entra no oraglúbubabebeB oD golB, (link ao lado) e tem o trabalho de comentar, ao contrário, que o blog é uma bosta, acho isso sensacional...
Ah, olha só o que eu achei na internet, fotos do nosso amigo Bart Simpson e alguns de seus colegas:
Ia esquecendo de dizer a todos que gostam de tomar E que mantenham seus estoques corporais de vitamina C altos, principalmente nas primeiras 6 horas, já que isso ajuda um pouco a evitar oxidação dos neurônios. (sic)
Sim, finalmente está iniciada uma obra de capital importância para o mundo, a transcrição do blog, que eu vou fazer pra guardar e tornar público. Não digo mais nada, eis o primeiro "prefácio" seguido pelo primeiro arquivo desse grandioso compêndio:
"Eis que surge o inevitável, a transcrição completa do No Good Golfers, obra de referência de uma época, seja ela qual for, manifestação viva de mentes confusas escrevendo, lendo e comentando. Uma ode à libertação, ou melhor, a todas as libertações possíveis, tentadas e imaginadas. A inequívoca busca pela indeterminação da matéria e a genitalização do caráter.
Neste arquivo está o primeiro mês, Agosto de 2002, na verdade são somente os dois primeiros dias dentro do já longo período de existência do blog.
Os links foram mantidos e as datas ao final de cada post são links para o original no blog. Os comentários aparecem depois de cada post, sempre que tiver, em letras menores.
Possíveis comentários atuais aparecerão [entre colchetes em itálico], just in case."
Acabo de assistir pela primeira vez Clube da Luta. É um filme incrível um tanto surpreendente. Mas a minha reflexão vem do depois, de quando me perguntei mais uma vez por que é que eu não tinha assistido antes. Normalmente eu deixo de assistir a um monte de filmes ditos bons que estão passando no cinema, praticamente não alugo e raramente me programo para ver algum pelo guia de programação. Uma certa motivação em mim, de tendências claramente sadomasoquistas, porém, está sempre se perguntando porque é que eu nunca assisti Clube da Luta. Sempre dou como resposta imediata, mas que eu sei que não é por esse motivo, dentro da minha cabeça que isto deve ter alguma relação com o fato de ter sido minha prima a primeira que morreu na maldita sessão do filme no tal Shopping com o estudante de medicina. Egoisticamente eu forjo uma situação ridícula para que olhem pra mim? Qualquer coisa serve em certos momentos da vida? Que patético, estou fazendo isso agora, não percebem? Ahhhhhhhhhhhhhhhh!!!
25.3.03 :::
"Foi no ano de 1913 que decidi tentar o passo decisivo - no dia 12 de dezembro. Sentado em meu escritório, considerei mais uma vez os temores que sentia, depois me abandonei à queda. O solo pareceu ceder a meus pés e fui como que precipitado numa profundidade osbcura. Não pude evitar um sentimento de pânico. Mas, de repente, sem que ainda tivesse atingido uma grande profundidade, encontrei-me - com grande alívio - de pé, numa massa mole e viscosa. A escuridão era quase total; pouco a pouco meus olhos se habituaram a ela, que parecia um crepúsculo sombrio. Diante de mim estava a entrada de uma caverna obscura; um anão ali permanecia de pé. Parecia feito de couro, como se estivesse mumificado. Tive que esgueirar-me, quase roçando nele, a fim de entrar pela passagem estreita e fui patinando, a água gelada alcançando-me os joelhos, até o outro lado da caverna. Percebi então que numa saliência da rocha cintilava um cristal vermelho. Ergui a pedra e embaixo havia um espaço vazio. A princípio nada distingui dele; depois percebi, no fundo, um curso d'água. Passou um cadáver flutuando na corrente: era um adolescente de cabelos louros, ferido na cabeça. Seguiu-o um enorme escaravelho negro e então surgiu, do fundo das águas, um rubro sol nascente. Ofuscado pela luz, tentei repor a pedra no orifício, mas nesse momento um líquido fez pressão e escoou através da brecha. Era sangue! Um jato espesso jorrou e senti náusea. Tive impressão de que isto se prolongou intoleravelmente. Afinal o jato de sangue estancou, terminando a visão."
"Para conseguir a liberação da tirania dos condicionamentos do inconsciente duas coisas são necessárias: desincumbirmo-nos de nossas responsabilidades intelectuais e também de nossas responsabilidades éticas."
Sonho - "O sonho é uma porta estreita, dissimulada naquilo que a alma tem de mais obscuro e íntimo; essa porta se abre para a noite cósmica original, que continha a alma muito antes da consciência do eu e que a perpetuará muito além daquilo que a consciência individual poderá atingir. Pois toda consciência do eu é esparsa; distingue fatos isolados, procedendo por separação, extração e diferenciação; só o que pode entrar em relação com o eu é percebido. A consciência do eu, mesmo quando aflora as nebulosas mais distantes, é feita de enclaves bem delimitados. Toda consciência especifica. Mediante o sonho, inversamente, penetramos no ser humano mais profundo, mais geral, mais verdadeiro, mais durável, mergulhado ainda na penumbra da noite original, quando ainda estava no Todo e o Todo nele, no seio da natureza indiferenciada e despersonalizada. O sonho provém dessas profundezas, onde o universo ainda está unificado, quer assuma as aparências mais pueris, as mais grotescas, as mais imorais."
C. G. Jung
"Os sonhos não são invenções intencionais e voluntárias mas, pelo contrário, sãofenômenos naturais que não diferem daquilo que representam. Não iludem, não mentem, não deformam, não encobrem, mas comunicam ingenuamente o que são e o que pensam. Só são irritantes e enganadores se não os compreendermos. Não utilizam artifícios para dissimular alguma coisa; dizem à sua maneirao que constitui seu conteúdo e da maneira mais nítida possível. Mas, quer sejam originais ou difíceis, a experiência demonstra que sempre se esforçam por exprimir algo que o eu não sabe e não compreende."
Aniela Jaffé
Trechos de "Memórias, Sonhos e Reflexões", autobiografia do Jung. Mas o que importa é como devemos, deveríamos, deveremos nos relacionar com nosso self, nosso si-mesmo, nós mesmos, além da confusão daquilo que achamos que somos mas que não passa de um mero ego. Deixei algumas idéias, exemplos,façamos cada um de nós nossas próprias incursões pela nossa alma...
24.3.03 :::
Acabo de ler um texto, muito ruim, sobre o techno-xamanismo. Descobri que esse nome existe há mais de 10 anos. É uma idéia baseada na elevação espiritual e no auto-conhecimento baseados na música eletrônica repetitiva e nas drogas (o techno do nome), sendo que o xamanismo vem pela semelhança dos ritos xamânicos com batidas repetitivas e plantas enteógenas. Bom, o texto não tinha posição muito definida, mas era sutilmente "contra"DJs entrevistados tinham opiniões diversas, desde que a música não pode trazer a paz porque excita e causa ansiedade, até que a música e o clima por si só já são transcendentais. Bom, eu perdi o artigo, foi mal, mas tudo isso que as pessoas estão discutindo tem só bem indiretamente alguma relação com a música eletrônica ou as drogas, sendo que o mais importante, as pessoas que estão fazendo tudo isso, suas intenções, idéias, etc é que são o importante. Isso vale tanto para o discurso dos "techno-xamanistas", dos DJs contrários ou não, do colunista e do meu, claro. Claro também que o ambiente é importante, para um ácido ou qualquer experiência de transcendência, então, que o diga Timothy Leary ou o Livro Tibetano dos Mortos. Estudos pré-pseudo-psico-sócio-antropológicos são algo do que há de mais perigoso para as idéias fracas do projeto de gente que compartilha da experiência de achar que vive nesse planeta...
Pesquisadores pegaram cinco macaquinhos e colocaram numa jaula de metal grande. No meio da jaula havia um poste com bananas no alto. Quando um dos macacos foi tentar pegar as bananas, os outros quatro que estavam no chão levaram choques. Quando o macaco voltou do poste, os outros quatro encheram ele de porrada, e isso aconteceu até nenhum macaco mais subir no poste. Substituíram então um dos macacos, que foi prontamente surrado logo ao tentar subir no poste. Depois substituíram outro macaco, que mais uma vez foi apanhou antes mesmo de subir. Isso foi acontecendo até que dos cinco macacos dentro da jaula nenhum tivesse levado o choque, e eles continuavam batendo sem saber o porquê.
Com macacos é uma história e até se entende a limitação intelectual e filosófica (é impossível de se contar essa história para um macaco, logo, é impossível um macaco achar isso absurdo), agora fique imaginando na sua vida e em todo mundo o quanto isso acontece em todas as esferas: escolar, política, social, familiar, religiosa...
PS - Esqueci de dizer, mas acho que dá pra entender, que depois que trocam o primeiro macaco nenhum choque mais é aplicado, eles batem só pelo fato de apanharem...
Que post mais viajado, como pode 1/5 me deixar tão louco. Ah, deixei embaixo da língua, e o gosto daquilo é pior do que eu já tinha sentido antes. Bom, agradeço à alma caridosa que trocou um tantinho de maconha pelo empréstimo de pasta de dente, e escova, eu acho...
Uma das horas mais legais da balada foi no Chill Out, todo mundo viajando e a Luciana, a moça que a gente conheceu viajando lá, chorando e rindo sem parar, fugindo da amiga nóia dela. Ela mandava muito bem no suingue (que não se escreve dessa maneira), as bolinhas presas na corda que ficam girando. Tinha também a moça iogue que falava espanhol e se dobrava absurdamente no Chill Out enquanto dançava loucamente girando sem ficar tonta. Tinha a turminha noinha que cheirou lança por horas seguidas e ficavam todos se contorcendo pelo chão e se roçando nas cordas...
Mas eu só fico descrevendo a balada. É que estava influenciado pela máxima do australiano da Sunvibe, "Don't think, feel it."
Como sempre, todo mundo do lugar se conhecia ou acabou se conhecendo, isso é o mais incrível das raves, festivais e afins...
Não to afim de escrever nada, falo demais, chega,,,
23.3.03 :::
Mais de 32 horas sem dormir e mais de 20 horas sem comer, o que acaba de ser resolvido, por sinal. O que eu tô fazendo aqui, caramba? Ah, lembrei...
Bom, voltamos sem escalas em sítio algum. Parece que a balada foi boa, aliás, muito boa. Som ideal, decoração perfeita, pessoal sensacional, com raras exceções, pouca gente, ou melhor, nada de super povoamento. Conhecemos gente incrível. Mas de resto, bom, cheguei lá com meio Chapeleiro na cabeça, que me segurou até a tarde de hoje. No meio do percurso acolhemos a Luciana que estava com péssimas companhias para sua ambientação e experiência lisérgica. Isso bem de manhã. O okoL tomou um E que, acredito, chamava A-8, ou outra coisa que ele achou lá mesmo. Ele tomou 2/5. Ficamos os três viajando um tempão no Chill Out. Nada de maconha, não tínhamos nada, só uma esmolinha no começo da balada. Passou um monte de tempo em que um monte de coisa aconteceu e hoje, escurecendo, peguei uma lasca do resto do E para acompanhar a viagem, quase 1/5. Dancei muito. Eu sempe conto as histórias sob a perspectiva das drogas consumidas??? Tem outro jeito???
São 1:19 da manhã de domingo, okoL deve ligar em breve para partirmos para a Shakti, eu espero. Por causa do sono e da festa acabei ingerindo uma certa mistura de estimulantes naturais à base de guaraná e café. Além disso desenvolvi uma incrível técnica luso-portuguesa de preparação de bolinho de pseudo-haxixe (leia-se resina de pipe). Para quem quiser saber, derreti manteiga num miolo de pão, botei o haxixe, sim, é idiota, coloquei a resina depois, pra não deixar tudo fedendo, enrolei e engoli direto. Foi realmente estúpido e ainda pode zoar meu estômago. Mas a idéia é que isso seja digerido lentamente e que eu fique chapado por um bom tempo. Tudo isso porque não teremos muito pra levar, pra não dizer nada, e não podemos garantir sucesso na busca por alguma coisa lá dentro. Em último caso, sei onde encontrar meu amigo Chapeleiro, mas talvez isso seja último caso. Sei, sei...
Meu esburacado gorrinho está pronto para participar da rave, vamos só ver se ele vai curtir o lugar...
Incrível como o racionalismo materialista é absurdamente "eficiente" para arrumar estantes e não se preocupa nem um pouco com a subjetividade da decoração. Onde está meu cinzeiro roubado de uma balada bosta com a minha bolinha de vidro? Eu durmo num escritório e ele ainda tem que ficar parecido ao máximo com um escritório inócuo?
OkoL acaba de ligar, vai chegar lá pelas 3 da manhã. Vou ter tempo de testar a receita, se bobear conto os resultados ainda hoje.
Eu penso demais... Até disseram isso na festa ontem, saindo do Copan, amanhecendo, eu encostado numa árvore na Avenida Ipiranga, "Ele pensa, pensa...". Credo...
Hoje sonhei com uma fiel leitora do blog, a Mei. O sonho era bem estranho. Estávamos sempre em ônibus, sempre nos mesmos lugares o tempo todo, indo e voltando de dois lugares ligados por uma estrada de terra. Um deles parecia uma fazenda com um monte de gente, no meio do caminho tinha que trocar de ônibus mas permanecíamos nos mesmos lugares. Era uma cidadezinha, depois chegávamos em outra cidadezinha. Mesmo sabendo que era ela o tempo todo, só vi ela no sonho no final, porque ela estava na fileira de trás do ônibus. Ela tinha me emprestado um cd de música brasileira mas eu não lembro qual, que tinha uma caixa auto-tocante e ouvi o disco o sonho inteiro. No final, quando fui devolver o disco e finalmente a vi ela estava fora do ônibus e eu dentro, separados por uma grade. Devolvi o disco e ela perguntou se eu queria de presente, já que ela não gostava muito. Mas hesitou em me entregar e foi embora.
Isso não faz o menor sentido...
Como explicar para pais de criancinhas que eles não devem educar seus filhos, já que isso é impossível? Mas ao mesmo tempo eles têm que saber, de algum jeito, que são eles que determinam o princípio da "humanidade" daquilo que eles botam no mundo. É uma reflexão que eu estou lançando, usem da psicologia, mais ou menos leiga, que quiserem...
Mudando de assunto. É incrível como é imperceptível para as pessoas a presença de um Chapeleiro numa festa. Chegamos e saímos, eu e meu irmão, depois de 7 horas de balada e ninguém ficou sabendo. LSD é realmente incrível...
Isso ai galera, bora pro Copan, salão em cima do restaurante, 15 de consumo, baladinha, demorou...
E amanhã, Shakti, aniversário de um ano, bora dá uma pirada... Quem vier socializar com a gente ainda tem a chance de conseguir um "esfria" no lendário Sítio do Loco. Levem seus biquinis...
E a TV? Metade dos canais mostrando fumaça iraquiana, um tanto vendendo escova automática para cabelos e um sujeito me aparece decidido a virar mulher aos 36 anos exigindo a aceitação da mãe e da irmã. Termina que a mãe diz que ele tá perturbado porque nunca teve carteira de trabalho. A irmã diz que não tem o que fazer, "matar não pode, né!".
Que tudo exploda logo de uma vez que nenhum desses vale a pena...
"Acho que começa numa praia, num lugar pitoresco, não, não sei onde começa, mas no começo tem uma praia e um lugar pitoresco. Está acontecendo uma festa, mas neste dia é só. Dia seguinte e vou para outro bar, nesse momento estou sozinho e vai rolar uma festa de aniversário no bar, não vou ter que pagar pra comer ou beber. Pessoas enfeitam o lugar simples, a mesa tem toalha azul, alguns homens saem do mar com cabeças de peixes na mão, outros com peixes sem cabeça. Um sujeito sai por um ponto onde a areia é tão fofa que ele sai com metade do corpo coberto, mas isso não é problema. A festa começa, estamos o Sato, o okoL, a Maria Inês, professora de Dinâmica de Grupo, e eu. okoL então vira pra mim e diz que vai encher a Maria Inês de porrada, não entendo e aviso pra ele que é ela ali na frente. Cara do okoL de "putz" e eu falo "não é ela, é a Sônia...". Maria Inês chama o okoL, "Antes de você me matar, enche os copos dessa bandeja...". Ai já mudou o ambiente. Era pra ser um festival, mas é dentro de um lugar fechado, com vários ambientes, um deles onde ficam as barracas, não lembro de ter visto a pista. O clima do local era estranho, uma iluminação fraca e tudo com cores marrons parecendo de madeira. Um dos ambientes tinha uma porta giratória que só permitia a saída, e uma porta estranha por onde se entrava, cheia de sistemas bizarros de segurança. Lá dentro era como uma sala especial de pesquisas médicas com casos grotescos, pessoas deformadas e contaminadas. Saio de lá e vou para um grupo de pessoas, inclusive o Sato. Lá conheço umas meninas, inclusive uma morena linda que levo pra um canto pra dar uns beijos. Depois voltamos e vamos para a área das barracas quando o festival já está acabando, nessa hora ela é loira de olhos azuis, estranho mas penso no sonho, "é um sonho, isso é normal". Ela vira pra mim e diz "Tá acabando, mas o que vamos fazer com nosso filho?", no que eu respondo "Tenho como evitar os filhos, mas gosto da sugestão implícita". Segue algo que não chega a ser consumado mas não se parece muito com preliminares, sei lá. De repente estou andando com o Sato e uma menina loira de cabelos compridos, baixinha, de olhos azuis e pelada que está com ele, estamos indo em direção à sala com porta giratória. A menina, e depois o Sato, começam a girar a porta do lado errado e eu fico esperando na porta certa para entrar. Então chegam algumas pessoas, fecham as portas todas, mas é como se as dobrassem, e retiram todas as paredes e equipamentos do locam, que pareciam falsos e dobráveis. Vira uma sala com várias pessoas vestidas de médico e um monte de curiosos. Fico assustado achando que os médicos vão contaminar todo mundo. Surge um sujeito de terno que começa a dançar uma dança estranha que inclui subir toda a parede com passos rápidos, um dos médicos começa a dançar também enquanto tenta tirar a roupa de médico e percebe-se por baixo a parte de cima da roupa de papai noel e por baixo de tudo um terno preto completo, eles dançam. No canto da sala uma tela com uma lição de moral do tipo "Se reduzirmos o folclore ao mínimo ele será objeto de biblioteca." Sim, era um protesto em defesa do folclore, me espanto com todas as artimanhas construídas para tal ato. Volto com o Sato de carro, ou melhor, saio com ele da festa e comento alguma conclusão que tinha tirado sobre a frase do folclore que eu não me lembro..."
Olha como as coisas acontecem. O sujeito com banca de "Ai, ceis querem algo e ceis tão errado. Drogados! Viva Fenô!", beleza. Jung, Jung e mais Jung. Abro o www.esperepelovulgo.kit.net e dou de cara com três capas do Pink Floyd. Meddle, inefável, The Wall, clássico, Obscured by Clouds, incrível. Embaixo de cada desenho um texto inspirado no mesmo. O primeiro me remete ao "A Alma e A Morte" do Jung, que li no ônibus ao acaso, o segundo é a própria alienação de si mesmo, inclusive coisas como "esquecer a felicidade" (sic). O terceiro texto é a proposta da "Função Transcendente", também Jung, mesmo volume, VIII, parte 2. Segue um texto sobre a buzina dos vizinhos que não me diz muita coisa e um texto que podia ser meu, falar demais criticando o falar demais...
Meu entendimento? Eu não entendo nada... Junguianos adoram entender as coisas bonitas, complexas, cheias de símbolos ancestrais, arquetípicos, gosto disso. Psicanalistas adoram viajar também, mas nas mais complicadas implicações de coisas muitas vezes simples, da temperatura do leite ao horário no sexo matinal dos pais de uma criança pequena, passando pela dimensão, forma, posição no quarto e cor do berço, também gosto disso, é, quando pouco, pelo menos engraçado.
Depois de tudo isso chego na sala e tá passando um show, toca o Dire Straits. Mark Knopfler chama Sting e Eric Clapton pra cantar e tocar Money for Nothing com ele. Três mestres, mas ficou fraco, não gostei da versão. De que adianta três mestres, ou ter visto três mestres então?
Adoro sonhos, intensamente os meus, e meus sonhos gostam de mim. Sonhos em geral. O que não é sonho no final?
Em algum momento não estamos dormindo pra alguma coisa?
20.3.03 :::
"A alma é o ponto de partida de todas as experiências humanas, e todos os conhecimentos que adqurimos acabam por levar a ela. A alma é o começo e o fim de qualquer conhecimento. Realmente, não é só o objeto de sua própria ciência, mas também o seu sujeito."
19.3.03 :::
Que coisa, o dia todo e eu recebendo as mais diversas imagens, transformadas, na maior parte do caso, em verbalização oca, me incomoda nos outros porque me incomoda demais em mim mesmo. O dia todo conspirou contra isso e meu ego só ali, desconfiado... Aula do Jung, pergunta do Tatá, ai abro os e-mails e recebo uma viagem de insônia da Raquel, a palhacinha lisérgica, por algum motivo foi a gota d'água de um processo, fechou uma imagem minha pedindo para ser transcendida, agradeço, inclusive, a ajuda de minha amiga Creuzinha. Difícil entender e impossível de explicar, o que resta e é necessário é entender que existe por trás um algo inconsciente que quer e vai sair, com ou sem a ajuda da consciência. Não explico nada então, o texto que eu recebi, creio eu, pede para ser publicado, faz sentido, fez algum sentido pra mim, algo no conteúdo, algo na forma, mesmo que esse sentido não faça o menor sentido pra autora, é o risco de eu não ter escrito, devia só ter publicado, parece que me apropriei dele, nada disso, ah, não falo mais nada...
"-São sete da manhã. Droga! ainda nem abri os olhos. Devo lembrar meus sonhos, os que tive durante a noite.
Ontem sonhei que tive um dejavú. Simples, acontecerá semana que vem:
1- pessoas numa sala, 2- eu beijo você, 3- risos, risos, uma lágrima feliz...
"eu nunca fui tão feliz..."
Ah, já aconteceu. É, no meu sonho. Daqui uma semana serei feliz novamente. Vou mergulhar na lágrima que vc viu. Nua, fria, e dormente na noite.
Nos meus sonhos tenho dejavús aos montes. Nossa, tive um agora mesmo! E mais uma lágrima caiu, desta vez fora do sonho...já lembrei do final desse. Só não lembro exatamente o que senti. Está tudo codificado no abstrato da minha mente. Nessa miscelania metaliguagem da minha mente...
Droga! Já são sete e meia. - Atrasada denovo! "Me desculpe o atraso, Deus. Perdi o bonde da vida. O das oito, sabe?" Já tenho a desculpa perfeita. Aperto o stop e o rewind. Volta o filme.
Relógio maldito! Não dormi o suficiente, já são sete horas!....Mas não era sete e meia? Ih, acho que era só mais um sonho...Enfim, o último da noite. Será que este vai acontecer também? Mais dejavú de sonho...
"Lembra do filme? Aquele? Se rodar de trás pra frente, talvez..."
Ah! São seis e meia, tenho mais meia hora pra dormir..."
[Raquel]
"Eu quero ir, minha gente,
Eu não sou daqui,
Eu não tenho nada,
Quero ver Irene rir,
Quero ver Irene dar sua risada"...
Tento responder o átaT com minha compreensão do assunto. O Jung diz que a consciência e a inconsciência são complementares, inclusive porque juntas formam o self, o todo, o nada... Jung diz também que o ego é necessário, certamente, mas que nós costumamos, por uma série de razões, achar que nós somos o ego, quando na verdade o ego é apenas um instrumento que utilizamos em determinadas situações que precisam dele. Quando nos identificamos com o ego, ou melhor, quando achamos que nós somos o nosso ego acabamos por negar o inconsciente, que é justamente a parte maior e mais importante do self. A idéia lacaniana da falta fundamental já é o sacrifício de uma parte do inconsciente, o engodo psicanalítico básico, sua denúncia e seu carrasco. O sacrifício nos traz a culpa fundamental. A culpa nos fundamenta, mas isso é necessário, inato, universal?
Ahh, eles criam, criam, criam e não fazem nada. Construção teórica só faz prender nela mesma. E se só tivéssemos dados e a liberdade de fazer o que quiser com eles? E se fôssemos livres? E se fôssemos?
Ânima Creuzinha: Eu não entendo o que te aflige!
Incensenseiciador: Nem eu...
AC: Ora bolas...
I: Acho que o que me aflige é não saber o que me aflige.
AC: Isso é a coisa mais idiota que se pode dizer, a aflição pela aflição, a repetição neurótica, o engodo...
I: Tá, me aflige o fato de eu fingir que não sei o que me aflige...
AC: Cada vez pior, meu ego perdido...
I: Puta que pariu, eu sei o que me aflige, sei porque me aflige, sei que não deveria acontecer isso, mas fico aflito por ver que saber não significa nada...
AC: Então você fica aflito por saber que saber sobre a aflição de nada adianta?
I: Não é só isso...
AC: Hummmm...!?
I: Isso é horrível, péssimo, angustiante, assustador...
AC: Mas não tem nada que justifique...
I: Tudo é muito complicado!
AC: Sei...
I: O que é que você sabe...
AC: ...Quem diz muito que vai, não vai,
Assim como não vai, não vem,
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém.
lá lá lá...
18.3.03 :::
..."todo ato, mesmo nefasto, é solidário de um conjunto vivo e que, mesmo lastimável, um ato ou um comportamento pode servir de forma positiva para quem saiba dele tirar experiência. Infelizmente, em cada um de nós o sentimento de culpa é fundamental, provocando as inibições e barrando o acesso ao único ato libertador, o acesso a uma fala verdadeira a quem é capaz de ouvi-la."
E o terceiro post prometido a dois posts atrás, as transcrições do caderninho preto:
Sim, haviam dois caderninhos na viagem São Thomé/Milho Verde/Alto Paraíso, um mais público e amarelo e um que acabou ficando comigo, preto, e que foi pouco usado, só em São Thomé dos Cogumelos, mas tem coisas interessantíssimas, ou tão interessantes quanto o resto, quiçá:
"There are tha' Mushrooms"
"Era uma vez o ovo mágico com pedrinhas brilhantes dabebi daabu
Só que era o ovo simbiótico da felicidade humana. Ele era semeado pelos esporos da nova imaginação. Quando acolhido, nem frouxo nem apertado, entre a palma das mãos como uma pérola numa concha, ele chocava e nascia. A flor!"
"I am the Mandala"
"Não são as drogas que te fazem sair do engodo. Mas elas permitem uma percepção esquecida que mal é celebrada nos rituais oficiais do mundo engodo."
"Ritual de elevação do Espírito Negro em praça pública na Cidade de Pedra.
Na praça central, todas as habitantes do local posicionam-se ao redor do Espírito Negro com suas mãos em suas bochechas. [tipo o quadro "O Grito", mas sem a cara de pânico desesperado] Ao redor da fogueira sagrada de onde o Espírito Negro emerge estão os Gnomos-Anciãos, fumando "sei-lá-o-que", a erva sagrada, em seus bongs de pedra transparente e brilhante.
O Espírito Negro, símbolo de todas as fertilidades, caracterizado pelo ventre sexy, porém, grávido, eleva-se, como deve ser feito sempre."
Incrível como só percebi agora o sentido, além do significado particular e arbitrário dado a cada desenho, que o okoL e o Oggy deram pro jogo psicológico que o australiano me ensinou e que eles fizeram no caderninho preto. Tinha que fazer uns desenhos em cima de uma base e depois associar a um gerúndio.
Cada um fez duas séries bem interessantes.
O okoL fez uma: Voando, Alucinando, Emanando. Voar compreendido como uma alucinação, a compreensão pode ser emanada.
e outra: Brincando, Pacificando, Transmitindo. Tem o mesmo sentido. Brincar é o cerne da criatividade saudável que serve a fins anti-destrutivos (pacíficos). Uma vez tudo isso compreendido, transmite-se.
Já o Sato Oggy fez uma: Meditando, Concentrando, Ascendendo. Enquanto o okoL fez séries "extrovertidas" o Oggy fez séries "introvertidas". Meditação e concentração não se separam e levam à ascensão.
e a outra série: Dançando, Energizando, Transcendendo. Dança como ritual que provê a energia necessária para a transcendência.
Isso, claro, não é interpretação de nada, é uma visão minha e de um processo terminado no desenho, só isso. Aliás, os desenhos são ótimos...
Esse trecho foi tirado do texto "Instructions for Use during a Psychedelic Session", do Timothy Leary, um dos manuais inspirados na filosofia oriental. Trata-se de um pedaço do Segundo Bardo. Expico, o Primeiro Bardo é a Clara Luz da Realidade, o Segundo Bardo são os "jogos halucinatórios", a transcendência do ego, o Terceiro Bardo é a re-entrada, a "recuperação" do ego, do novo ego... Apesar do caráter de manual e de instrução, isso é mero nome, coisas de que Leary não conseguiu se libertar da tradição norte-americana...
Instructions for Vision 5: The Vibratory Waves of External Unity (Eyes open; rapt involvement with external stimuli such as lights, or movements; emotional aspects)
O nobly born, listen carefully:
You are experiencing the unity of all living forms.
If people seem to you rubbery and lifeless, like plastic puppets,
Be not afraid.
This is only the attempt of the ego to maintain its separate identity.
Allow yourself to feel the unity of all.
Merge with the world around you.
Be not afraid.
Enjoy the dance of the puppets.
They are created by your own mind.
Allow yourself to relax and feel the ecstatic energy-vibrations pulsing through you.
Enjoy the feeling of complete one-ness with all life and all matter.
The glowing radiance is a reflection of your own consciousness.
It is one aspect of your divine nature.
Do not be attached to your old human self.
Do not be alarmed at the new and strange feelings you are having.
If you are attracted to your old self,
You will be reborn shortly for another round of game-existence.
Exercise humble trust and remain fearless.
You will merge into the heart of the Blessed Ratnasambhava,
In a Halo of Rainbow Light,
And attain liberation in the Realm Endowed with Glory.
Bom, seguir-se-ão três momentos distintos que começarão neste post com um texto do Jung, depois um com um do Timothy Leary e um terceiro post com transcrições do caderninho preto, então começa aqui:
"De que maneira podemos confrontar-nos com o inconsciente?
Esta é a questão colocada pela filosofia da Índia, e de modo particular pelo Budismo e pela filosofia Zen. Indiretamente, porém, é a questão fundamental, na prática, de todas as religiões e de todas as filosofias.
O inconsciente, com efeito, não é isto ou aquilo, mas o desconhecimento do que nos afeta imediatamente. Ele nos aparece como de natureza psíquica, mas sobre sua verdadeira natureza sabemos tão pouco - ou, em linguagem otimista - tanto quanto sobre a natureza da matéria. Enquanto, porém, a Física tem consciência da natureza modelar de seus enunciados, as filosofias religiosas se exprimem em termos metafísicos, e hipostasiam suas imagens. Quem ainda está preso a este último ponto de vista, não pode entender a linguagem da Psicologia: acusá-la de metafísica ou de materialista, ou, no mínimo, de agnóstica, quando não até mesmo de gnóstica. Por isso, tenho sido acusado por estes críticos ainda medievais, ora como místico e gnóstico, ora como ateu. Devo apontar este mal-entendido como principal impedimento para uma reta compreensão do problema: trata-se de uma certa falta de cultura, inteiramente ignorante de qualquer crítica histórica e que, por isso mesmo, ingenuamente acha que o mito ou deve ser historicamente verdadeiro ou, do contrário, não é coisíssima nenhuma. Para tais pessoas, a utilização de uma terminologia mitológica ou folclórica como referência a fatos psicológicos é inteiramente "anticientífica".
Com esse preconceito as pessoas barram o próprio acesso à Psicologia e o caminho para um ulterior desenvolvimento do homem interior cujo fracasso intelectual e moral é ima das mais dolorosas constatações de nossa época. Quem tem alguma coisa a dizer, fala em "dever-se-ia" ou em "seria preciso", sem reparar que lastimosa situação de desamparo está ele, assim, confessando. Todos os meios que recomenda são justamente aqueles que fracassaram. Em sua compreensão mais profunda, a Psicologia é autoconhecimento. Mas como este último não pode ser fotografado, calculado, contado, pesado e medido, é anticientífico. Mas, o homem psíquico, ainda bastante desconhecido, que se ocupa com a ciência é também "anticientífico" e, por isso, não é digno de posterior investigação? Se o mito não caracteriza o homem psíquico, então seria preciso negar o ninho ao pardal e o canto ao rouxinol. Temos motivos suficientes para admitir que o homem em geral tem uma profunda aversão ao conhecer alguma coisa a mais sobre si mesmo, e que é aí que se encontra a verdadeira causa de não haver avanço e melhoramento interior, ao contrário do progresso exterior."
17.3.03 :::
Marquito, as fotos são lisergionadas com o "microsoft digital image pro 7.0". Não estou fazendo nenhum tipo de propaganda, é só o programa que tem aqui no computador, diversos programas são capazes de lisergionar fotos, se operados corretamente. Antigamente eu brincava com o Adobe photoshop, mas não tem mais aqui.
(pretendo ainda lisergionar fotos do Busilis e do ocoL, mas primeiro preciso da autorização deles...)
Sim, as últimas transcrições do caderninho amarelo (depois tem mais umas coisinhas do caderninho preto, mas isso não vem ao caso), e com elas as incríveis aventuras psicodélicas da gatinha vesga... Só quero dizer que será corrigido do original o sexo da gatinha nas duas primeiras partes, antes de descobrirmos que se tratava de uma gatinha. Por sorte a alteração não interfere no teor das histórias, sendo que eu sempre desconfiei que se tratava de uma gatinha... Provavelmente, também, a compreensão das histórias será limitada, já que diversos personagens e lugares ainda não foram explicados, mas isso acontecerá, quiçá, em breve...
Como estou mantendo a transcrição na ordem, entre as histórias aparecerão as eventuais outras anotações que tiverem ocorrido...
O post é enorme, eu sei, mas dá pra ler por partes, né!
Finalmente o Tatá devolveu meu Gil e Jorge, que é uma das trilhas sonoras recomendadas:
"As Aventuras Psicodélicas Da Gatinha Vesga
A Gatinha Vesga chegou num quarto cheio de chapados de ácido e a história acaba porque abriram o diamante negro." [eu sei, é frustrante...]
"E agora a segunda parte de: As Aventuras Psicodélicas Da Gatinha Vesga
Após um longo período de aprendizado com os malucos chapados de ácido, a Gatinha Vesga estava pronta para preparar sua primeira rave. Ela já havia observado o comportamento estranho dos psicodélicos, sabia onde o ácido estava guardado, já tinha ouvido todos os CDs e aprendido a operar o rádio.
As galinhas d'angola se encarregaram da decoração psicodélica, que eram elas mesmas. Gaia, a cadela [ou sued], estava encarregada do controle da portaria, ou seja, todo mundo ia entrar depois de um afago. Habib, seu filho, faria os efeitos visuais. Todos os gatinhos estariam presentes. Os sueds haviam formado uma rede de informação na cidade para controlar onde nós íamos. Quando foi confirmado que estávamos indo para o aeroporto, 3 km ida, 3 km volta, numa rodovia no escuro, tudo começou.
Dava pra ouvir o som do aeroporto e posso imaginar a orgia de sexo e drogas que os felinos fizeram no nosso quarto.
Quando decidimos voltar do aeroporto os sueds que latiam sem parar fizeram correr a informação, que chegou até Gaia, que informou a Gatinha Vesga para terminar a festa.
Eles arrumaram tudo e deixaram o quarto como estava, por isso não temos evidências concretas mas ainda não verificamos as caixas de incenso e os ácidos.
miF"
"Não é a minha perna que dói, é a dor que me perneia."
"Observações do comportamento do bebê [okoL] dormindo:
- Ronronou e em seguida coçou o saco."
"Putz, a caneta tá com a tinta acabando... e agora, quem poderá me ajudar? Miauuu... Viva, é a Super Gatinha Vesga Psicodélica!"
"Sacundigunden"
"Loco é meu desafio [do Sato Oggy] segundo o calendário Maia - Búlg aro maldito..."
"In Lak' Ech
Eu Sou Outro Você"
"I Love [na verdade tinha um coraçãozinho] Gnominho de Vários Olhos.
Central de Fã Clubes.
Alto Paraíso de Goiás. Pousada do Sol, quarto Lua.
Aberto nas temporadas episcopáticas sempre às pringles."
[vamos ver se rola de escanear desenhos do gnominho de vários olhos...]
"The Psyche dA ciled ventures Of The Cross-Eyed Pussy Cat III [tá, vamos tentar escanear a arte de capa das histórias, que costumam ser melhor que o conteúdo...]
Satisfeita com a rave a Gatinha Vesga pôde prosseguir com seu plano inicial, roubar o carro do Oggy para poder roubar o carro do okoL e incriminá-lo.
Sim, a Gatinha Vesga é um agente da Sociedade das Pirâmides, somente interessada em analisar os efeitos do benflogin no okoL.
Renato era, na verdade, uma grande piada do Deus Supremo a nos guiar até a Gatinha Vesga.
Porém, na verdade, a Gatinha Vesga era apenas uma isca usada pelo carro do Oggy para se roubar para poder roubar o carro do okoL, conseguindo assim a tão almejada tecnologia secreta buscada pela CIA de instalar escutas com a torneira ligada.
Sim, o carro do Oggy queria ser o carro buscado pela Sociedade das Pirâmides para os testes com benflogin!"
The Psychedelic Adventures Of The Cross-Eyed Pussy Cat And The Master Minds!
Uma vez na sociedade das Pirâmides, a Gatinha Vesga, que tinha se livrado do carro do Oggy e conseguido a tecnologia para uso próprio, já que havia descoberto o verdadeiro segredo do carro do okoL, não tinha mais desafios terrenos pela frente. Havia, porém, os grolks maus, sim os filhos dos Anões com os homens não agraciados pelo potencial Anão. Eles eram responsáveis pelos Infected Brains conhecidos como Master Minds!
Os Master Minds existem em oposição aos Infected Brain Mushrooms, que por sua vez são infectados em simbiose pelos grolks que habitam as substâncias psicodélicas, os grolks okol.
Tudo que a Gatinha Vesga pode fazer é eliminar os grolks maus. Isso pode ser feito com os poderosos Rubberglue Chocks, com os riscos envolvidos, seguido pelo intenso consumo de Enteógenos que podem, então, instalar a infecção simbiótica e criar o Infected Brain Mushroom!"
"Valdon Varjão, o deputado do aeródromo, guardem esse nome!" "Rasga, E.T."
"Better, more lisergick, The New Psichedelick Adventures Of The Cross-Eyed Pussy Cat: In Wonderland"
Os Infected Brain Mushrooms, os seres mais lisérgicos existentes, levaram a Gatinha Vesga para Wonderland, o País das Maravilhas. Lá ela teve um encontro místico com o Chapeleiro Maluco, o rei dos ácidos, Learyano assumido, que forneceu um de seus quitutes mais famosos. Depois disso tudo são brumas.
Acredita-se que, uma vez envolvida com uma grande quantidade da Dietilamida do Ácido Lisérgico totalmente puro e livre de anfetaminas, a Gatinha Vesga passou a se apresentar como Alice, a menina loira. Seu tórrido caso com um escritor foi relatado por ele que, atormentado pelas experiências, as escreveu em linguagem infantil e romanceada.
Na verdade, porém, especula-se que durante seu período lisérgico, a Gatinha Vesga envolveu-se com todo tipo de gente e em todo tipo de situação: um polêmico relacionamento com um gato alucinado que raramente saía de trás do seu sorriso, a participação em acaloradas mesas de pôquer com altíssimas apostas, comumente relatadas com histórias fantásticas de cartas gigantes, entre muitas outras histórias, sempre apresentadas de maneira lisérgica e bizarra.
Só o que posso dizer, na posição de narrador onisciente, é que retornando do passeio lisérgico, lá estava ela de novo com o Infected Brain Mushroom, que apenas virava para ela e repetia, efusivamente:
- Eu sei, eu sei...!"
Prometidas, eis as fotos. Primeiro eu, seu amigo Incensenseiciador, meditando dentro da sauna acústico-lisérgico-psicodélica da Pousada do Sol, Alto Paraíso, Goiás... Em seguida o Sato Oggy, o instrumentista oficial da mandala, tocando sua flauta mágica na mesma sauna, na mesma ocasião. Essa sauna, aliás, era incrível, porque era muito fácil chegar no tom de ressonância e logo toda a sauna estava vibrando ao som de OM e outros mantras e neomantras, inclusive Flying Cheese. Em breve a transcrição das já famigeradas aventuras psicodélicas da gatinha vesga...
Droga, não passei na prova de PMK, vou ter que estudar de novo. Em compensação, tenho todo o tempo do mundo pra não fazer nada, então, com exclusividade para todo mundo, o cardápio de hoje do bandejão:
Arroz/Feijão preto
Copa lombo ao molho de cogumelo
Farofa de cebola
Salada de repolho
Goiabada com coco/Laranjada
Valor calórico de 1 refeição : 1.128 Kcal
Em breve mais fotos lisergionadas dentro da sauna psicodélica de Alto Paraíso...
16.3.03 :::
"Quem tem Medo inerente da Morte, não tem Medo da Morte, mas sim, Medo da Vida."
Essa era uma das frases que o Max estava distribuindo pra galera na Trance Formation em tirinhas de papel. Cada dia ele vinha com frases diferentes, essa foi a única que ele me entregou num momento em que ela durou no meu bolso até eu esvaziá-lo na barraca, as outras todas se transformaram em alguma outra coisa. A única que eu entreguei pra alguém, que eu me lembre, eu não me lembro qual foi, tinha algo com amor, quiçá. Além das mensagens das frases, sempre interessantes, a idéia de sair entregando já era boa em si, eu acho, o pessoal via ele distribuindo e se interessava por pegar. Ah, já falei demais...
Pois é, pessoas, o Sato continua lisergionandoas fotos, graaaaçasss a deussss!!! (como diria nosso amigo Renato, de Alto Paraíso), então agora com vocês a incrível foto de nossas testas, da esquerda pra direita, Incensenseiciador, ocoL e Oggy (Sato) ou Sato (Oggy). Ah, eu sei Sato, acho que sou louco mesmo, realmente estudei PMK (sic)...
15.3.03 :::
Opa, em um minuto arranjei uma balada aparentemente das boas... Para comemorar, sigo com as anotações fantásticas do caderninho das férias, ainda em São Thomé:
"Your body is a nightclub as well as a temple."
"Eu num sô bobo nem nada." (foi a Fran que me disse, o demônio encarnado)
"A sued substituiu o silísuB na mandala."
"Guilherme é um caso perdido."
"Balada Bosta [no bom sentido]
Departure Time: 15:48
1as observações.
Toca Pink Floyd -> isso é bom.
Afinal, que negócio é esse de efeito placebo?
-> Gostamos de vacas. Isso foi decidido hoje. Olhamos bosta com outros olhos.
-> Porque não estamos jogando sinuca?
-> Precisamos de ópio.
-> Gostoooooso...
-> Nem vai bater isso...
-> Está escrito.
Minha mão está muito mole pra dizer que "não está batendo."
Nossa, muito boa essa..."
"16:33 -> Declaramos a balada oficialmente !adiduf"
"Tudo começa aos poucos... mas vai!"
"Incrível como sempre que se está no campo, chove e esquenta no melhor momento da balada."
"É difícil escrever com um incenso na boca."
"Porque a mãe natureza quer que eu pegue sua meia?"
"Não é o quadro que faz a viagem, mas a viagem que faz .ordauq o"
"Day After: os cogumelos ficam com uma aparência e cheiro repugnantes."
"Adoro cogumelos."
(okoL)
Sim, foi isso, mas logo partimos para Milho Verde, onde o caderninho foi momentaneamente abandonado. Em High Paradise, porém, lembrei de pelo menos comentar algo sobre o festival, uma notinha, e o resto foi acontecendo aos poucos:
"Anotações Aleatórias sobre a vida, a felicidade, a sabedoria universal e, porque não, sobre a rave...
- O chorinho é o pai do trance.
- Princípios Universais da Vida:
- Não cair.
- Caso não tenha caído, respire.
O LSD é com certeza a melhor coisa que existe e quem rebaixá-lo em nome de outra substância, com exceção da água, ...não lembro a ameaça que eu tinha feito, mas era algo cruel, impiedoso e desumano."
"Não adianta só colocar uma carinha alegre e uma triste nos zeros de 700 para que ele fique parecido com o símbolo do teatro!"
"Também, não adianta só colocar um sete antes do símbolo do teatro pra ele ficar parecendo um 700."
"A única nóia do mundo são as pessoas com nóias..."
"Alto Paraíso
Escolhemos o quarto pela cromoterapia, graças à fogueira do maluquinho que reconheceu o possível assassino do Sol que em menos de uma hora nos forneceu o melhor fumo 1,2/1 da história dos fumos 1,2/1 e da cultura racional do terceiro milênio da ayahuasca!" "Ilegível."
"Socorro, acho que meus amigos são loucos."
"A arte de viver de um Sued.
Deitar na grama fofa ao sol.
Rolar no chão.
Correr por ai alucinado.
Morder o próprio rabo.
Correr atrás de galinhas d'angola.
Andar com a língua pra fora.
A arte de viver de um Otag.
Ficar se lambendo o tempo todo.
Subir em árvores.
Se esfregar em tudo que for possível e aparecer pela frente."
"Rússia"
"As próximas viagens serão filmadas e gravadas, porém, o acesso a esse material só será permitido para aqueles que mostrarem o sexto dedo."
É isso por enquanto. A partir da próxima transcrição, não percam, as incríveis aventuras psicodélicas da gatinha vesga...
14.3.03 :::
Viva, hoje tem show do Focus, hoje tem show do Violeta de Outono, meu quinto show deles, sou muito fanático, hahahaha. Iupi, hoje tem chapeleiro, tem sim senhor. O sinal claro é uma mão com um dedo em cima, a outra com quatro em baixo, um sinal episcopático-xamânico-tecnológico-learyano... iupi, hoje tem brigadeiro.
Até brigadeiro vai ter hoje, viva a festa...
13.3.03 :::
Um texto que tem no site do Shpongle. Sei lá, gostei dele:
"Where is Shpongleland...?
A multi-verse not very far away where queues and noise don't exist neither pain nor fear, scary faces or bad smells¿just peace and pieces, and perfect weather :) Sucking the big toe of humanity, your armchair turns into an aural spacecraft, catapulting you through the veils of reality and consciousness into a psychedelic adult theme park: Sonar Ballistickle, Soma sucking cyber sorcerers floating weightlessly on the threshold of bliss, creating psycho-geometric, atomic telepathic shimmering incandescent dream dilations. This hybrid exotic seretonin drenched electro-plasmic dripping brain forest moves with endless hallucinogenic changing patterns while, unnoticed a million angels dance on a pinhead. Fun-Shui, Phrenological escapology; the divine moment of truth¿the inevitability of the unexpected - the vortex of the cortex. Knowing what we don't know, while sampling the cosmos; from the darkness to the light; from the unreal to the real¿.from death to immortality...
Ueba, esqueci de dizer que amanhã tem show do Focus com abertura do Violeta, dessa vez com teclado acompanhando, me garantiu o vocalista numa balada. Estamos pensando em potencializar a psicodelia do show com nossos próprios sacramentos, quiçá... E como sempre, todos os shows que vamos é uma comemoração, então o de amanhã vai ser a celebração do aniversário da Daniele Andrade, a moça responsável pela foto do gorrinho, que ela republicou no blog dela, é isso ai...
Caramba, hoje cheguei próximo ao estado entrópico da maconha. Explico, existe o estado "sussa", que evolui pro vegetal, depois pro mineral e o estado ideal é o entrópico, ou seja, a percepção de que a matéria não existe e que tudo é energia. Como não existe matéria, não existe sombra para a luz, logo é o estado da Clara Luz, a ausência da barreira consciente/inconsciente. Mas isso é um estado de espírito, sempre... Entre esses estados finais existe um que eu costumo chamar de amsterdânico...
Ive, as letras estão certas, o problema é na configuração do seu explorer, pergunta pro marquito que ele sabe arrumar...
Sabe quando a gente chega em casa alucinando de prazer sobre qualquer coisa que se vá comer, e ai se come qualquer coisa e atinge-se o êxtase da larica, ai ai ai, é um encontro com o divino...
"Aê!
Sim, é isso mesmo que você leu!!! Estou te mandando, com
exclusividade, as primeiras fotos da Gatinha Vesga
Psicodélica que passaram pelo processo de
Lisergionamento. Esse delicado e experimental processo
consiste em revelar a profunda realidade do momento no
qual a foto foi tirada. Isto é, ao invés da visão-engodo
usual que as câmeras têm da realidade - são programadas
pra registar imagens como se estivessem sendo vistas por
uma pessoa no estado de consciência ordinário de
vigília, ou seja, da consciência-engodo. Mas graças ao
maravilhoso processo do Lisergionamento, é possível
fazer com que as fotos revelem a realidade subjetiva do
momento, como percebida por pessoas (ou gatos) com a
consciência ampliada e transpessoal! Nunca mais a
frustração de se tirar dezenas de fotos daquele
maravilhoso reflexo em espiral multicolorido irradiando
amor por entre um mundo derretido e se revelar fotos de
uma tediosa maçaneta!
Enfim, aí estão as fotos dos "Lisergic Dreams of the
Psychedelic Cross-eyed Pussycat!". Parecem boas para
serem publicadas no blog...
Falou"
"Look at these people, they laugh, they cry at the same time; they get horny and holy at the same time..." (acho que isso é do Shpongle tb...)
Inclusive, no Chill Out da Trance Formation praticamente só tocava Shpongle...
"Durante o sono mergulhamos na reconciliação total e atingimos a verdadeira paz." "Seu riso anto e demoníaco encheu a clareira e, ressoando entre as árvores, dava a impressão de que o universo estava prestes a estourar sob o peso do imenso ridículo da existência."
Aldous Huxley
Esse caderninho é praticamente todo desenhado, espero que o Sato consiga escaneá-lo...
Ia escrever alguma coisa, mas gastei tanto tempo lendo os posts do Incensensenciador que esqueci, perdi a vontade. Mas queria dizer que adoro os comentaristas desse blog. Incrível como esse blog estranho atrai gente tão estranha, isso é MUITO legal. Valeu.
E com vocês, na íntegra, sem cortes, censura ou adaptação, a primeira parte do caderninho, que foi precisamente escrito na Pousada Central de São Thomé das Letras: (decidi não dizer quem escreveu o que, na dúvida, porém, podem perguntar)
"Nunca obterei novamente o brilho amarelo que refulgiu em minha caneta neste instante... (ah, lá está ele)"
"G é mudo eu chinês."
"Casa de Russas Bissexuais Ninfomaníacas."
"Guilherme, pegue minha meia." (isso é dito numa música do Shpongle pela mãe natureza)
"Shpongle has to be triped."
Vou ter que parar por enquanto, mas quero dizer a todos que meu Corpus com 0% de gordura predileto é o de Torta de Limão, hahahahaha
Gente, acabo de lembrar, agradeçam à moça que tá falando comigo no icq, que eu preciso digitar os textos do caderninho amarelo do Busílis da viagem das férias...
Eita, agora tô falando com a Daniele Andrade, a moça que tirou a foto do gorrinho (quem viu viu, não tá mais no blog dela...), no icq on line.
Ih, acho que ela não gosta de chorinho...
Mudando de assunto, acabei de lembrar, Tatá, seu pulha, devolve meu Gil e Jorge...
Humm, converse agora com o Incensenseiciador, 1130919, no icq...
Incrível, alguém caiu aqui no blog fazendo uma pesquisa no yahoo holandês, é o primeiro passo para a integração plena entre o NGG e a terra da cocanha, o paraíso terrestre de Amsterdam. O próximo passo é a pessoa ficar curiosa por algum motivo e traduzir o blog pro holandês, vamos torcer.
Alguém caiu aqui também com a pergunta no Google: "Como eu faço pro garo gostar de mim". Como está "pro garo" presumo que se trate de "pro garoto". Então minha filha, isso é coisa que se procure na internet? Não tem nada bom por aqui não...
Lá vou eu escrever sem parar, um post atrás do outro... Andei reparando que não falo dos festivais aqui direito, parece relutância até, mas não é não...
Pro pessoal não ficar comentando deixa eu dizer, o festival foi incrível, praticamente perfeito, a melhor balada que eu já fui na minha vida, até encontrei minha nova ânima. (calma Creuzinha, a ânima do blog é você pra sempre, eu acho.) Chegamos lá no sábado e montamos nossas barracas junto com o pessoal de Ribeirão e companhia, que eram, em parte, responsáveis pela conscientização do lixo e pela separação pra reciclagem. Pra entrar no clima tascamos meio chapeleiro, em doses de um quarto, em baixo da língua. A pista realmente ficava do lado de um rio, o chill out do lado da pista e a minha barraca do lado, disso tudo. O esquema era pista, rio, pista, rio... A areia era fofa e dava pra ficar descalço o tempo todo, até deu pra roubarem o meu chinelo bem quando a música acabou, no último dia, depois de ele ter ficado 5 dias no mesmo lugar.
O gorrinho, que percebe as vibrações da balada e me diz se são boas ou ruins me garantia, à noite, que tudo seria perfeito, o Max me deu as 4 cápsulas xamânicas fito-terapêutico-lisérgicas, guardei. Tomei no dia seguinte, fiquei umas 28 horas acordado, ou mais, embora o efeito dure oficialmente umas 6 horas e a única coisa mais perceptível seja a incrível vontade de dançar e a ausência de cansaço. Devo ter dançado umas 20 horas, com um intervado de 2 horas sem som e mais duas cochiladas de meia hora. Credo, esse relato tá muito chato e esse teclado também é horrível pra digitar, além de estar escurecendo, foi mal gente, vou continuar assim mesmo. Ah, hoje vai rolar um Ó do Borogodó, apareçam por lá. Bom, dia seguinte arranjei o que a galera tava chamando de MD, pelo que sei só existe MDA e MDMA, que é o E. Bom, tomei o tal MD, dá uma vontade de dançar boa, mas pra garantir a balada tasquei meu Mitsubishi, o E, goela abaixo. Assumo que era meio difícil de dançar em alguns momentos, tamanha a intensidade do negócio. Ah, um dia antes o ocoL tinha tomado 8 cápsulas, um E e um A, nasceu um negócio pustilento no pescoço dele, mas beleza, ele é louco mesmo... Uma hora no Chill Out, no dia do MD e do MDMA, de repente chega a Ingrid, da turma de Ribeirão e amiga da Ana Maria, ai ai, e do nada me faz uma massagem rápida mas incrivelmente sensacional nas costas e na cabeça, é como um orgasmo. Último dia de som e tomo metade de 3/4 do chapeleiro. Precisava fumar de meia em meia hora se quisesse continuar dançando pra me aguentar, senão caía no rio, no Chill Out, no chão, em qualquer lugar, nesse dia encontrei minha nova ânima, ai ai ai. Ânima, pra Jung, é a manifestação do feminino na psiquê masculina e é o arquétipo que garante a comunicação com o inconsciente. É comum que personifiquemos nossa ânima. Cliquem aqui para ler um post sobre ânima. Como para Jung olhar pra dentro é olhar pra fora, a ânima, como eu costumo pensar, é um símbolo do meu contato com o mundo, inclusive, sendo que eu faço parte dele. Normalmente atualizo a minha ânima em momentos intensos (coincidentemente tratam-se, no caso, de imprints de ácido ou viagens de E). A primeira foi no Interpsico do ano passado, a famigerada Afrodite, que no meio do meu surto de Bart Simpson (segundo melhor ácido que já provei, embora bem distante do chapeleiro), chega e me diz: "Gui, você é uma gracinha." e vai embora. Depois foi na 50a XXXPerience, as moças malabaristas na nossa frente, extasiados, como as nuvens que passam sem dar a mínima de São Thomé, sem dar a mínima, não vou entrar em detalhes sobre essas ocasiões. Mas eis que estou indo pra pista pelo caminho que passa por um balanço pendurado na árvore, sim tinha isso, quando uma moça me grita: "Me empurra!!!". No início pensei que fosse a Ana Maria, mas não, os óculos escuros eram parecidos. Chego perto, uma bela moça, com uma incrível tatuagem nas costas, um pássaro que ocupava um grande espaço, a pele macia e lisa. Mas esses eram os fatos, empurrei a moça até o máximo que o balanço aguentava, até ela gritar agradecendo: "Valeu!!!!!!!!!". A simbolização, porém, que é sempre o encontro de uma série de transformações que acontecem em nossas vidas, como uma síntese, é que é o mais importante. Cheguei sem conseguir me segurar, de olhos brilhando, para contar às pessoas o acontecido, pra contar algo incontável, não contei quase nada. Encontrei a moça de novo, era linda realmente, melhor ainda sem óculos. Embora isso importasse, não era isso que importava, sei lá...
No fim desligaram o som mas nós ficamos mais um dia, aproveitando o rio enquanto recolhiam o lixo, até fizemos uma represa de pedras, malucos...
Mantenha Fora do Alcance das Crianças Isso está no rótulo do mundo que nós criamos...
Existem dois mundos, aquele em que enfurnam as criancinhas e a triste realidade. Aquele em que enfurnam as criancinhas é basicamente o ideal de paraíso, embora eu descorde totalmente disso, a triste realidade é o que fizeram com um mundo que antes era ideal para o desenvolvimento das crianças...
Se as crianças urbanóides de hoje passam o dia inteiro assistindo desenhos sobre as aventuras das crianças, ao invés de fazerem as suas próprias, na próxima geração, quando essas crianças forem os desenhistas, os desenhos infantis serão sobre crianças que ficam em casa assistindo desenhos? Quais serão as aventuras? A incrível busca do controle remoto perdido?
São Paulo, terça-feira, 11/03, 18:01 - Cá estou eu, vivo...
Pirenópolis, sábado, 08/03, fim de tarde - Vamos caçar cogumelos. O Loco ficou, doido de Chapeleiro, não tinha chovido, mas beleza. Já tínhamos olhado uns 4 pastos, era o último e nada. Uns malucos tinham ido mijar num canteiro e acharam uma chapeleta. Ganhei quatro exemplares que engoli com catuaba selvagem.
Estrada de Brasília pra São Paulo, terça-feira, 11/03, entre 00:00 e 15:00 - Lá estava eu, sendo bancado pela empresa de ônibus e comendo na estrada, dormindo do lado de um refugiado da polícia que tinha duas armas no bagageiro. Fazia cruzadinhas.
Pirenópolis, sábado, 08/03, começo de noite - Praça da matriz, ocoL chapelado conhece sua nova família. "Não se preocupem, eu vou conseguir uma chupeta pra bateria essa noite, tudo vai dar certo, encontro vocês depois no bar de baixo." Claro que isso não aconteceu, nós nem fomos pro bar de baixo.
Estrada, + ou - 50 Km de Cristalina, Goiás, segunda-feira, 10/03, entre 23 e pouco e 00:00 - Lá estava eu, de cabeça baixa sendo roubado por sujeitos encapuzados que sequestraram o ônibus armados, mudaram o percurso e em meia hora me levaram 130 reais, eu só agradecia o fato de a minha mala estar ou em Pirenópolis, caso o Loco tenha buscado, ou no meio do Parque Estadual dos Pireneus, 18 Km da cidade, dentro de um carro sem bateria. Do meu lado tem um sujeito, diz ser fugitivo da polícia, está negociando com os assaltantes, uns com sotaque gaucho, o Tico-Tico, o Jiló, o Candango ou Calango e outros, negociavam documentos falsos em SP, "vocês pegaram meu celular, lá tem meu número, me liga..."
Pirenópolis, sábado, 08/03, meio da noite - Estávamos fumando em baixo de uma casinha depois de termos rodado umas lojinhas e do Max ter comprado uma escultura muito louca. Aparece o Inácio, "Vocês não têm um violão, não?". Nativo de alguma cidade da região, garante que é "peão dos bão" e começa a contar histórias incríveis.
Pirenópolis, segunda-feira, 10/03, 16:00 - Tchau Pirenópolis, Brasília, lá vamos nós, ah, que droga...
Pirenópolis, sábado, 08/03, história do Inácio - Depois de 48 dias sozinho numa casa, cuidando de uma fazenda vazia, eis que ele começa a ouvir vozes sempre que os aviões Mirage passavam (sic). As vozes diziam "Você ainda tá aqui?", "Por que você ainda não foi embora?", "Se você fciar aqui amanhã eu vou chegar mais perto...". O tom era de sussuro macabro, junto com isso, garante ele, vinham pontadas pelo corpo, imobilidade e uma incapacidade de enconstar no rifle carregado, novinho, que tinha com ele. Incrível o que a solidão faz com as pessoas, eu estava morrendo de medo. Nunca mais ele passou outra noite lá.
Pirenópolis, segunda-feira, 10/03, entre a hora que eu acordei, lá pelas 10, até as 15:20 - Pif Paf com a nova família do Loco, menos a Drika, que tá fazendo nove anos hoje, que tava na escola, baseados, sopa de macarrão com legumes e frango.
Pirenópolis, sábado, 08/03, devia ser umas 21 horas - Bar do seu David, difícil fazer Inácio sentar na cadeira, sair na foto, beber a cerveja, aceitar o queijo. Músicas do Amado Batista, canta duas vezes a mesma, parece que a história do bordel, antro do satanás, pega pesado na vida dele. Tem uma filha de 8 anos que adora ele, mas que está sob cuidados de um primo. Metade da rua é de gente da família dele, que já garante que não vai conseguir lembrar nome de ninguém, nem o meu sendo Papai Noel e o da Carol sendo Creolina, nome de uma sobrinha dele... Inácio vai embora, receber 900 contos dos 48 dias que ele ficou sozinho, antes conta a história do sujeito que queria abusar da filha, se ele encontrasse matava..
Pirenópolis, domingo, 09/03, das 17:00 até eu dormir, quando começou o Domingo Maior - Mãos tremendo de carregar uma bateria arriada pela cidade, chego na casa estão todos jogando Pif Paf, fumando, bebendo vinho. Olham pra minha cara de estressado e explicam, nós também estávamos te procurando pela cidade, tudo bem, nada pessoal, mas é difícil segurar o copo, o baseado ou as cartas com a mão tremendo. "Sua mão ainda tá tremendo?" Pergunta a Drika, uma graça de menina, as melhores tiradas, e ainda foi com a minha cara. Vamos preparar sopa de macarrão com frango, não deu pra fazer no almoço que a gente tava te procurando pela cidade. Acordaram o Tatá pra até ele tentar falar comigo. Amém.
Pirenópolis, sábado, 08/03, depois que o Inácio parte até umas 23:00 - "Ah não, lá vem outro maluco." Era um Hippie de origem cigana, vende pulseiras por dois reais, precisa de dinheiro pra passagem, faz 3 por 5 para a Carol e mais uma por um baseado, uma delas está no meu braço. Comemos fandangos, bebemos cerveja, fumamos, comemos Crokitos, salgadinho de milho sabor queijo da região. Seu David fecha o bar às 22:30, durante esse tempo um velhinho já tinha saído do bar e voltado pra ficar até fechar. Voltamos pra praça, fumamos mais um e o sujeito, o Hippie, esqueci o nome, canta uma música do Raul até que encaixa sua própria versão para a letra, não lembro direito mas fala de todas as drogas possíveis, "só planto capim do bom..." Ele vai, nós vamos...
Parque Estadual dos Pireneus, domingo, 09/03, 16:00 - Vou buscar minhas malas, deixar a bateria no carro, a chave em baixo do banco, ficar até de manhã cedo numa pousada, tomar um banho (banho, o que é isso?) e deixar um recado com a mãe do Loco explicando a situação e o tempo que ele tem pra me achar na cidade antes de eu pegar um ônibus. Chego na casa abandonada e tem um recado, ou melhor, dois, um no chão outro num papel. "Tô vivo, liguem para...". Lá vamos nós, nada de deixar a bateria e a chave. "Que bom que a chuva passou..."
Estrada entre Pirenópolis e o Parque dos Pireneus, sábado, 08/03, lá pelas 23 horas - Cogumelos continuam batendo enquanto vejo a estrada ir embora enrolado no pano psicodélico. Não tínhamos achado o Loco, mas beleza, tinha re-significado a idéia de experiência, inclusive a experiência psicodélica como algo totalmente relacionado com a prática, com o mundo físico, a real interação entre nós e o mundo, a idéia da placa da rave "A terra não é do povo, mas sim o povo é da terra". Não foi a viagem mais intensa, mas, quiçá, a melhor delas. Vamos dormir.
Pirenópolis, domingo, 09/03, entre as 9:30 e as 15:30 - Praça com chuva, sermão na igreja, "...os maçons, os espíritas e os protestantes estão todos possuídos pelo satanás...". Hippie velha que mal me conhecia me chama pra comer uma peixada que ela vai preparar, estranho o tanto que ela demonstra gostar de mim sendo que eu nem tinha conversado com ela, peixada boa, Inácio passa de bicicleta e mal me reconhece, aproximação dela, frustrante e infrutífera, "vou atrás do meu amigo, a chuva melhorou..."
Pirenópolis, domingo, 09/03, 8:00 até 9:30 - Acordamos, nada do Loco, como ele conseguiria chegar aqui de madrugada com um carro pra fazer chupeta na bateria. Aliás, não iria dar certo, nós tentamos. Tiramos a bateria. Leva pra cidade e recarrega. Feira na cidade, chapado na padoca, uma banheiro de verdade!!!... Max compra palmito, ele e o pessoal de Ribeirão estão pra ir embora...
Pirenópolis, domingo, 09/03, 9:30 - Tchau pessoal, falou Max, PH, Carol, até a próxima, apareço em Ribeirão... Sozinho, descalço, com uma bateria arriada guardada num posto e com as malas no carro perto da casa abandonada no meio do parque, 18 km dali, esperando na praça pela possibilidade de aparecer um louco, o Loco. De repente chove, torrencialmente...
Cópia triste e mal feita da idéia, antes original, de Amnésia, acaba por aqui, depois eu mando posts sobre o que aconteceu antes...
Gente, gente, calma, vai acontecer um negócio. Vai ser mais ou menos assim, não que eu esteja planejando posts, fazendo esse plano pra depois segui-lo, na verdade eu estou relatando o que já está acontecendo, então calma. É o seguinte, por algum motivo que eu não sei, estou elaborando o texto do final do final da viagem toda, mas começou de um jeito, agora eu tenho que terminar, pelo menos pra ver se fica bom, então o próxmo post vai ser por ai, talvez até hoje se eu conseguir, talvez muito em breve, mas esse é o post dos recados. Vamos lá.
Dani Andrade, eu tenho icq desde 1996 ou antes, meu número é de sete algarismos, mas faz um bom tempo que não uso o diacho do computador que tem icq, nesse aqui não sou eu que mando sozinho e o pessoal não tá afins de instalar o negócio. O icq on line eu não uso, é ruim, mas pode me adicionar, às vezes eu volto, um dia eu volto, talvez eu volte, o número, que eu até sei decor, é 1130919. Por enquanto pode mandar e-mails, eu respondo.
Raquel, se você realmente quiser mandar alguma coisa pro blog, isso é facilmente acertável e de diversas maneiras possíveis. Aliás, o blog é praticamente aberto à participação direta e/ou indireta, momentânea e/ou permanente de novos redatores, escritores, golfetas, nogoodgolferistas, chamem do que quiser, eu não chamo de nada, eu acho.
Paulo que mandou o e-mail. Foi mal, mas eu acabei apagando seu e-mail junto com outros no meio da confusão de ficar tanto tempo sem abrir, ai não deu pra responder. Mas não, eu não tenho 17 anos, tenho 21 e ultimamente nós, o pessoal que costuma aparecer por aqui, fazemos nossas próprias pesquisas práticas sobre "expansão da consciência", psicodelia, etc, etc. Você confundiu os nomes, é Timothy Leary e Terence Mc(alguma coisa), e se acha bastante sobre eles pela internet. Do Leary inclusive algumas obras completas em inglês. Recomendo a leitura, em português tem, da autobiografia do sujeito, chama Flashbacks e é da editora Beca.
10.3.03 :::
Aproveitando a deixa do Busilis, também vou pôr uma citação aqui (mas vou dizer de quem é, pelo menos):
"A vida interior da sociedade moderna, os seus gostos e interesses, estão cheios de traços bárbaros. A paixão pelos espetáculos e diversões, pelas competições, os esportes, o jogo de azar, a grande sugestionabilidade, a propensão a submeter-se a todos os tipos de influências, ao pânico, à desconfiança, todas essas coisas são facetas da barbárie. E todas elas florescem em nossa vida, utilizando todos os meios instrumentos da cultura técnica, como a imprensa, o telégrafo, a telegrafia sem fio, os meios rápidos de comunicação, etc.
"A cultura busca estabelecer uma fronteira entre ela e a barbárie. As manifestações da barbárie são denominadas 'crimes'. Mas a criminologia existente é insuficiente para isolar a barbárie, porque a idéia de 'crime' na atual criminologia é artificial, pois o que chama de crime é, na realidade, a infringência das 'leis existentes', sendo que as 'leis' são muitas vezes uma manifestação de barbárie e violência. Tais são as leis proibitivas de diversos tipos que abundam na vida moderna. O número dessas leis está constantemente crescendo em todos os países e, devido a isso, o que se chama crime é com frequência não um crime em absoluto, porque não encerra nenhum elemento de violência ou dano. Por outro lado, crimes indiscutíveis escapam ao campo visual da criminologia, quer porque não são reconhecidos como crime, quer porque ultrapassam determinada medida. Na criminologia atual há conceitos: criminoso, profissão criminosa, sociedade criminosa, seita criminosa, casta criminosa, tribo criminosa, mas não há qualquer conceito de Estado criminoso, ou de governo ou legislação criminosa. Consequentemente, os maiores crimes escapam de serem chamados crimes."
P. D. Ouspensky (e isso foi escrito em 1914, há mais de oitenta anos atrás, inclusive antes do Adorno...)
8.3.03 :::
Amiga Raquel, não se preocupe, assim que os dois voltarem (se voltarem - vai saber, né...) serão relatadas suas aventuras no país das maravilhas (sempre acompanhados pelo Chapeleiro Louco). Espero que também tenha passado por bons momentos na Solaris, e espero que nos conte tudo - mande e-mails! Quanto ao projeto da nova mandala ampliada para explorações cósmicas, sou totalmente a favor, nada como um novo membro na mandala para ampliar o espectro da experiência e elevar a consciência - ou, no mínimo, passar bons momentos juntos. Mantenha contato.
E é verdade, estou me sentindo um tanto sozinho, ultimamente (não exatamente por causa do Incensenseiciador e o ocoL, na verdade - mas por causa deles também). Mas tudo bem, esse retiro espiritual tem sido proveitoso, aprendi muito, li muito, conheci novas idéias, entendi novos conceitos, formaram-se novos planos, embrenhei-me na psicologia transpessoal. Minha eterna auto-análise continua avançando e, embora não esteja usando drogas a mais de uma semana, tenho explorado bastante os territórios dos estados alterados de consciência através da meditação e do "sonho lúcido". Experiências interessantíssimas... Sem falar em conversas com seres incríveis, como o Busílis, o Beto, e outros. Ando me sentindo muito criativo, parece que estou tocando música melhor, desenhando melhor, escrevendo melhor, pensando melhor, falando melhor, sentindo melhor, amando melhor. E as perspectivas futuras tendem a ser melhores ainda.
7.3.03 :::
Eu ia tentar responder alguma coisa pro comentário do Marquito, mas aí eu pensei: ahhh.... Não tenho como explicar essas coisas através de um blog, nem ele tem como entender essas coisas através de um blog. E ainda por cima, eu vejo ele quase todos os dias. E, de alguma forma, acho que o "ahhh..." acima já diz bastante sobre o assunto, eu é que não vou me embrenhar nos labirintos verbais do Marquito sobre assuntos não-verbais. Aliás, Marquito, não esqueci da sua encomenda - logo ela será entregue, não se preocupe. Mediante o intercâmbio do papel-moeda adequado, claro. Enfim...
Leitores fiéis desse blog, não desistam, o Incensensenseiciador e o ocoL (o reservado e excêntrico magnata das torneiras, chuveiros e duchas do CePê Docol) prometeram voltar de suas jornadas lisérgicas pelos campos inexplorados do místico estado de Goiás no domingo. Tenho certeza que terão excelentes e bizarras histórias pra relatar, salvando esse blog desse marasmo carnavalesco.
Sobre minhas próprias experiências nesse período festivo, vou apenas relatar, um tanto misteriosamente, que sou a favor dos transgênicos - e não me refiro à soja ou ao milho. Refiro-me à produtos agrícolas de importância bem maior para a saúde mental da população. E também declaro estar me divertindo imensamente ao escrever esse post numa linguagem sutilmente rococó e rocambolesca. Eu me divirto com cada coisa...
1.3.03 :::
Carnaval, o sr. Incensenseiciador e o ocoL (o tímido e discreto magnata das torneiras Docol) estão vagando pelas paragens paradisíacas do sagrado estado de Goiás, participando de um Carnival of the Divine Imagination (como diz num encarte do Shpongle). Eu não, eu fiquei aqui em São Paulo - mas não há reclamação nisso, eu optei em não acompanhá-los e não me arrependo, creio estar passando bem meu tempo com o meu retiro espiritual.
Pensei muitas coisas, senti muitas coisas, gostaria de ser capaz de passar tudo isso pra vocês, ávidos leitores do NGG, mas por enquanto não consigo fazer isso. Um post de blog, mesmo do nosso blog, ainda é linear demais pra isso. Mas eu sei também que os inúmeros leitores desse nobre bestiário estão, - cada um à sua maneira -, entretidos na chamada busca espiritual, ou seja, na busca de como se viver e de como Se Viver. Espero apenas que continuem seus caminhos, sem se preocupar com opiniões alheias, que sigam suas intuições - pois todos os caminhos são apenas um caminho, e esse caminho não leva à lugar algum. O objetivo do caminho é o próprio caminho. Mas isso só se pode saber caminhando. Então, não parem nunca, não caiam - se caírem, levantem, limpem a poeira e continuem -, e respirem, sempre.
E deixo com vocês uma citação, de Yang Chu (citado por Lieh-tzu (séc. IV)):
"Deixe que o ouvido ouça o que bem quiser, que o olho veja o que bem quiser, que o nariz respire o que bem quiser, que a boca fale o que bem quiser; deixe que o corpo usufrua todo conforto de que necessitar, deixe que a mente aja como achar melhor. Ora, o ouvido quer ouvir música; e privá-lo disso é restringir o sentido da audição. O olho quer ver a beleza carnal; e privá-lo disso é restringir o sentido da visão. O nariz anseia pela fragrância das plantas shu [corniso] e lan [orquídeas]; e se não puder aspirá-las, restringe-se o sentido do olfato. A boca quer falar o verdadeiro e o falso; o corpo deseja, para seu conforto, calor e boa alimentação. Frustrar a obtenção de tudo isso significa restringir o que é natural e fundamental ao homem. A mente quer liberdade para vaguear para onde bem entender, e se ela não tiver essa liberdade, a própria natureza do homem é restringida e frustrada. Tiranos e opressores nos limitam de todas essas maneiras. Destronemo-los e esperemos alegremente pela morte."