Blog Coletivo, Transpessoal e Pichoniano
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30.6.03 :::

Eita, se alguém puder me explicar porque é que a máquina de lavar decide quando vai usar o amaciante e quando não vai sem eu fazer nada de diferente... Além disso parece que ela anda comendo meias, tinha um número ímpar delas no fim do processo.
Mudando de assunto, todo fim de semestre o blog apresenta uma extensa lista de ofensas a ilustres pesquisadores e pesquisadoras que desenvolveram os incríveis testes que a gente tem que aplicar pra ganhar diploma, mas descobri que Alice Madeleine Galland de Mira é brasileira. Sim, o incrível teste dos rabiscos do psicotécnico é nacional, sensacional!!! Temos que ter orgulho de algo tão primoroso feito com inteligência de casa. O teste já foi traduzido para o espanhol e para o francês, logo dominará o mundo dos testes. Acontece que eu não tenho muita certeza, na verdade, se ela é realmente brasileira, mas isso não importa, a primeira versão do teste foi apresentada em inglês e eu não tenho nada a ver com isso...


Incensenseiciador ::: 11:42 PM

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Bom, pra começar, odiamos Alice Madeleine Galland de Mira.
Além disso, é incrível como todas as vezes que vamos comprar convites pra alguma rave ou festival, chegamos na porra da loja logo depois que acabaram os ingressos ou quando estão vendendo o último, o que ainda não nos impediu de consegui-los depois, em cima da hora, de maneira bizarra. O fato é que nós vamos.
O fato é que vamos todos morrer. Quando, como, onde e porquê, deixemos para descobrir isso na hora da nossa morte.
Pra meiar, odiamos Alice Madeleine Galland de Mira.
Nota para o Marquito: Marquito, você precisa nos contar suas incríveis aventuras na Casa das Bonecas.
Quinta é dia de colóquio, viva as férias.
Pra terminar, odiamos Alice Madeleine Galland de Mira.

Incensenseiciador e Sato


Incensenseiciador ::: 7:40 PM

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29.6.03 :::

Estava eu, calmamente, assistindo o show do Hermeto Pascoal no Bem Brasil na tv, quase entrando em êxtase com a música, quando a câmera mostra um pouco a platéia... Quem eu vejo?? Quem?? Nada menos do que o Tiozinho Episcopata da Pior Estirpe, famoso por frequentar o Centro Cultural em shows como os do Violeta de Outono, por exemplo. Não pude deixar de dar uma saudável gargalhada quando vi o dito cujo, em pé, dançando bizarramente e, claro, tocando o saxofone no ar. E uma hora, entre as músicas, o microfone ainda captou: "Ótimo! Maravilhoso! Vocês são demais!" Isso tudo dito no mais perfeito linguajar do Tiozinho.... Até me bateu uma nostalgia... Valeu, Tiozinho.

Ontem, uma sessão na Divina UDV, a União do Vegetal, com as presenças do Luís, do Busilis, da Anita e da Lets... Nem tenho o que dizer, uma experiência fortíssima, maravilhosa, pra abrir meus olhos de novo.... Não vou descrever nada, apenas vou aproveitar o espaço pra agradecer o quarteto acima, foi importantíssimo vocês estarem lá, muito Amor, muita Luz pra vocês....

Ah, que bom!!

SATO


SATO ::: 8:49 PM

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Ah, esqueci de dizer que agora o hélio pode acabar no mundo porque eu já respirei uma bexiga pra falar engraçado, divertidíssimo.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 4:52 PM

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...Imagine que você está, no fim da sua balada, 10 para as 6 da manhã, em Osasco, e um terminal de ônibus, esperando o ônibus para a Paulista. Você pega o ônibus, dorme na Corifeu e acorda quando o ônibus está parando no ponto anterior ao seu, sem nenhum motivo aparente. Você desce no ponto certo, chega em casa às 20 pras 7, 17 graus Celsius, e come coalhada com açúcar e depois presunto, manda um post prum blog e vai dormir.
Agora imagine que antes de tudo isso acontecer, você, antes de ir pra balada, lá pelas 21 horas, comeu o equivalente a mais de meio baseado e chegou 23:30 na balada sendo o quinto da lista de entrada. Depois de 20 minutos de balada, você está bebendo sua cerveja tranquilamente, sem ter visto o dono da festa que está com a avó, quando descobre que esta acaba de morrer. Você fica sem saber o que fazer olhando para a cara dos seus amigos, mas sem pensar em ir embora. Umas cinco horas depois, na mesma balada, de repente alguém estica o braço pra você com um baseado aceso para você fumar e, pasmem, você se percebe em uma roda, depois de ficar todo esse tempo bebendo cerveja e comendo suspiro. Algum tempo depois você sai bêbado do lugar, na Granja Vianna, ou melhor, em Cotia, e é deixado em um terminal de ônibus em Osasco...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 7:02 AM

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28.6.03 :::

E na sequência dos fatos, segue-se tudo. As pessoas não sabendo o que querem, não sabendo o que os outros querem, não sabendo o que é querer, vivendo na sequência dos fatos. Causa e consequência, causa com-sequência. E a sequência sem causar nada. Fim.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 2:09 PM

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26.6.03 :::

Hoje estava na supervisão com a Sônia e percebi como os casos de cada um se parecem com eles próprios. Isso foi uma constatação interessantíssima. Outra coisa interessante ocorreu ontem, antes da aula de Jung. Na sala do café, quando fui pegar um café, deparei-me com a famigerada lacaniana, de quem tanto falam. Aí, joguei um assunto no ar para ver se ela respondia, e por sorte alguém comentou do Safra. Aí falei de religião e ela se interessou. Isso sim, foi interessantíssimo. Inefável e inenarrável, apesar deste paradoxo.


Para terminar, só espero que o Leon venha tomar cerveja e encher a cara com a gente amanhã, o que, de fato e com efeito, não seria um engodo.


Busilis e Incensenseiciador (participação especial)

pb. (post busilicum): Iupiiiiii, participei de um post postado pelo Bubú!!!!!


Busílis ::: 7:24 PM

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25.6.03 :::

Incrível: mostrando Room 23 pro meu irmão, fiz ele ouvir a frase "pegue minha meia", resolvi procurar no google pela frase, pra mostrar pra ele quando eu tinha escrito isso no blog, era nos arquivos de março. Lá tem uma mensagem sobre uma baladinha que um sujeito comentou 6 vezes e que tinha 10 comentários, fomos ver, o post é do dia 30/03 e tinha um comentário de 20/06. Bom, eu não vou falar aqui, porque só vendo mesmo pra acreditar, é o último comentário desse post.
Mas só para responder ao Lucas Gabriel Rodrigues Ozorio, não creio que jogar play station um possa realmente transmitir câncer às pessoas (sic).

Incensenseiciador

ps. Um viva para as meias. (leiam no post abaixo)


Incensenseiciador ::: 1:55 AM

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Estou aqui, fazendo trabalho de Jung sobre vivências com máscaras, argila e a energia psíquica da função transcendente que deveria ser alcançada pela superação do tipos psicológicos fundamentais. Sono, muito sono, pensamentos maliciosos oriundos da minha incapacidade plena de desapego, sentimento queijo-pastelínico, tudo atravessando o meu trabalho. Abro o Kazaa, acaba de chegar Room 23, do Shpongle, a música que diz, para mim e praticamente só pra eu ouvir, em voz de coro indígeno-mãe-natureza-espiritual, "Guilherme, pegue minha meia." Me trouxe as incríveis e saudosas lembranças das últimas férias, quando se ria incondicionalmente, inconsequentemente, atemporalmente, dentro ou fora de uma sauna acústica desligada. E tem a questão das meias, que é algo marcante da minha vida e claramente preso à minha incapacidade plena de desapego. Tem a ver, muito distante e freudianamente falando, com quando eu era pequeno, muito pequeno, e abri a porta do quarto dos meus pais, ainda casados, e vi a chamada "cena originária". Me lembro de umas três coisas, primeiro que me pareceu muito normal, segundo que fechei a porta em seguida como se nada tivesse acontecido, terceiro, que eles estavam de meias. Não sei o quanto disso tudo é realmente fato independente da minha fantasia, mas sempre tive algo com as meias.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 12:03 AM

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24.6.03 :::

Como se sente um pastel de queijo?

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 8:48 PM

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Lá vou eu pro meu terceiro post seguido, pra falar bobagem. Tá, é mais forte do que eu. Pretendia eu estudar alguma coisa que fosse para a inimaginável prova de amanhã que, como a maioria dos leitores sabe, tem como leitura demandada um texto de um biólogo velho de 240 páginas, dois textos de um psicanalista italiano pentelho com um total de mais de 100 páginas, três parágrafos sobre neurologia e um romance do Proust que eu nem cheguei perto, era isso que eu iria ler hoje, quando fui até a casa da minha mãe e comecei a jogar um joguinho no computador (sic) onde eu era o presidente de uma ilha tropical (sic sic). Dentro das possibilidades do jogo, onde eu sempre me mantinha no poder, por apoio da população ou compra de votos, eu tinha conseguido um sistema onde as pessoas tinham tudo garantido, escola, diversão, religião, trabalho, saúde, comida, moradia e liberdade (sic sic sic) e ainda conseguiam evoluir nos seus empregos quando estudassem. 10$ para empregos que não precisam de estudo, 15$ pra escola e 20$ pra faculdade, além de morarem num paraíso tropical. Aí alguns generais ficam insatisfeitos, mesmo recebendo o maior salário possível do jogo 60$, fazem um golpe e tomam o poder. Consigo recuperar um jogo salvo antes de golpe e dessa vez meus aliados vencem, continuo jogando, rebeldes tentam tomar o poder porque o "índice de liberdade" caiu, os soldados vencem, depois tentam outro golpe militar, perdem de novo, a economia, antes no nível dos 150.000$ fica em -67.000$ porque é impossível manter as coisas estáveis, desisto. Fiz tudo o que podia pra alegrar os generais, o maior salário, escolas com educação militar, programa militar no rádio, base militar soviética na ilha. Cheguei à conclusão de que não construí casas de luxo que só com o salário deles pudessem ser mantidas e isso deixou eles meio bravos. Ah, nunca mais jogo isso de novo...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 12:52 AM

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... e de novo eu já não entendo mais nada.

Incensenseiciador ::: 12:00 AM

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23.6.03 :::

Achei que eu não tinha entendido a historinha Zen, aí eu parei de tentar entender e tudo fez sentido.

No mais, me sinto como um pastel de queijo.

Incensenseiciador

ps. Como disse o Caetano num comentário, realmente, domingo aconteceu tudo o que eu precisava para sobreviver até hoje da melhor maneira possível. Dei um gole daquele drink de pêssego com vodka, com gelo, com suco de não sei o que, com não sei o que de não sei o como, parecia gostoso. Mas aqueles pegas e a conversa tranquila foram absurdamente necessários. Felizmente consegui sentir meu ego esmoecendo e voltando ao que era antes, que bom que consegui sair tranquilamente da realidade. Depois da balada estranha que o Sato comentou, estava sentindo tudo muito real demais, tava me incomodando.

A vida é sonho.


Incensenseiciador ::: 11:58 PM

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Não liguem pros últimos posts, eles foram escritos às oito da manhã de um domingo, quando estávamos voltando de uma balada muito estranha, não queiram coerência da parte deles, coitados... Acabamos achando a mina gostosa das laranjas, afinal, embora apenas sua versão virtual, ou seja, o ensaio sensual dela no zip. Pouco, afinal, havíamos visto ela ao vivo algumas horas antes, e ficamos irremediavelmente apaixonados por ela pra sempre. Tudo muito estranho, o sr. Incensenseiciador havia acabado de comer seu café da manhã em pé em cima da pia da cozinha, após ter passado um tempo jogado no chão dessa mesma cozinha, com uma aparência semelhante a de um pano de prato pisado... Tudo muito estranho. Até que os posts ficaram normais.

Segue uma pequena historinha Zen, infelizmente em inglês:

If you love, love openly

Twenty monks and one nun, who was named Eshun, were practicing meditation with a certain Zen master.
Eshun was very pretty even though her head was shaved and her dress plain. Several monks secretly fell in love with her. One of them wrote her a love letter, insisting upon a private meeting.
Eshun did not reply. The following day the master gave a lecture to the group, and when it was over, Eshun arose. Addressing the one who had written her, she said: "If you really love me so much, come and embrace me now."

SATO


SATO ::: 8:40 PM

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22.6.03 :::

Feladaputa

Incensenseiciador ::: 8:01 AM

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"Isso talvez não ajude muito"

Sato


Incensenseiciador ::: 7:58 AM

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Cadê a mina gostosa das laranjas?

Incensenseiciador ::: 7:57 AM

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21.6.03 :::

"O solitário

Para mim é odioso seguir e também guiar.
Obedecer? Não! E tampouco - governar!
Quem não é terrível para si, a ninguém inspira terror:
E somente quem inspira terror é capaz de comandar.
Para mim já é odioso comandar a mim mesmo!
Gosto, como os animais da floresta e do mar,
De por algum tempo me perder,
De permanecer num amável recanto a cismar,
E enfim me chamar pela distância,
Seduzindo-me para - voltar a mim."

Friedrich Nietzsche

SATO



SATO ::: 9:48 PM

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Hummm, preparar uma feijoada é interessante, lá estamos eu e meu pai (agora dei uma pausa), levemente alegres de caipirinha de morango e de abacaxi, a de limão não deu certo, culpa do limão, nunca errei uma caipirinha,humpft. Acho que só vai ficar pronto de noite, até lá estaremos todos bêbados. Vou comer feijoada a semana toda. Poxa e nem temos um deus da feijoada e da pinga pra dizermos que é uma celebração estilo as dionísicas, ou rodeada de bacantes.
Mudando de assunto, é engraçado sair de casa três e meia da tarde de pijama beje claro, chinelo, meia social beje e sobretudo preto pra devolver duas garrafas de original no restaurante da quadra de cima, as pessoas olham com uma cara estranha na rua. É uma intervenção de certa forma proposital, além de livrar de ter que trocar de roupa, mas o melhor é que é divertido, com ou sem influência etílica.
Do que é que eu tô falando, ah, inté...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 3:45 PM

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20.6.03 :::



SATO


SATO ::: 9:20 PM

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SATO ::: 8:56 PM

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Confesso que tive medo, foi assustador mesmo, deitado na cama, coberto, entrava em um estado de sonho cuja única diferença para com a realidade era o fato de eu não estar mais coberto, ao mesmo tempo em que eu gritava comigo, bravo, reclamava e me ameaçava, não lembro muito bem do que, eu, em um lugar indefinido do tempo e do espaço gritava comigo deitado na cama, descoberto. Com algum esforço voltava a me sentir coberto, "acordado", mas imóvel, não conseguia me movimentar direito, nem falar. Não estava realmente acordado porque quando tentava falar estava tentando falar com alguém para me ajudar, não sei bem como, e a voz não vinha. Não sei se era muito um pedido de ajuda, mas eu sabia que tinha que esperar pra estar realmente acordado e sabia que não tinha esse tempo, quem quer que fosse, já teria passado e ido embora. Aconteceu de novo de eu estar descoberto e com esse "eu" gritando comigo, "voltei" novamente, estava coberto até a cara, tentando me mexer. Sabia que estaria plenamente acordado quando isso acontecesse, mas não queria muito isso, teria que dormir "tudo de novo", mas me mexi, recuperei movimento e voz. Algo como um um pensamento que parecia uma voz me dizia para não descobrir minha cara e olhar para o quarto, mas eu fiz isso, me virei e tirei o lençol da cara, lá estava meu quarto, como sempre, lembro de ter reparado na porta aberta do armário. Depois dormi pensando no que sonharia, no que estava me assustando, no que estava me deixando bravo comigo. Lembro que antes de isso tudo acontecer, quando eu fui dormir, aliás, eu estava cochilando antes disso, me vinham imagens de uma cena de sexo da qual eu não participava, e resolvi dormir pensando nisso por algum motivo tipo "vamos ver o que acontece". Aconteceu aquilo, seja qual for a relação. Meu sonho, depois, foi bastante estranho, envolvia conseguir usar um ICQ num palm-top para falar com pessoas enquanto estava sendo apressado pra ir pra balada pelo Tatá, creio eu, que também tinha um palm-top e não sabia mexer. Tinha mais gente lá, parece que uma das pessoas que eu procurava no ICQ era amigo do meu irmão, de novo isso aparece em sonho. Preciso descobrir o que são alguns símbolos bizarros dos meus sonhos. A questão da balada tem influência direta de eu não ter ido pra balada que me chamaram ontem, mas isso é o de menos. Acordei tentando achar algum sentido e relação entre tudo o que aconteceu na noite, não deu em muita coisa. Ficou na minha cabeça algo relacionado à agressividade, comigo mesmo, inclusive, não sei mais...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 3:31 PM

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19.6.03 :::

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SATO ::: 10:41 PM

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18.6.03 :::

Ontem foi o último dia de uma sequência de dez dias de ativação de portal no calendário maia, além de ser também um dia não-sei-o-quê-azul, que eu nunca tinha ouvido falar. Não que isso realmente signifique alguma coisa, mas reflitam sobre os últimos 10 dias. Aproveitem o mote e reflitam sobre a vida de uma maneira contemplativa, sem arrependimentos e com o intuito histórico da continuidade/ruptura. Quiçá continuidade do ser rompendo barreiras bobas do ego, eis o reflexo individual da história.
Isso só pra quebrar o gelo, porque o post tem outra intenção, que é me fazer esquecer a dor de cabeça enquanto o remédio não faz efeito, aliás, um ótimo remédio, infelizmente, diga-se de passagem.
Como pode um só sonho ter tantas histéricas e eu continuar sendo eu mesmo, logo quando poderia fazer tudo o que quisesse. Tá, entendi o recado. Mas foi uma ótima festa, tanto a de verdade ontem, no Ó do Borogodó, quanto a festa do meu sonho. Aliás a do meu sonho foi um reflexo subjetivo da balada, além de ter sido bem real. Era uma rave, de novo uma rave, tava uma galera lá, acho que a galera que tava no Ó e o Busílis. Não falei muito com ele, estava em outro mundo, cheirando a balada inteira praticamente, vi ele e o Sato com canudos de papel na mão, bizarro, eu sei. Tava a Dri também, eu sempre ia dar um abraço nela. E tinha sempre umas mulheres que vinham conversavam e sumiam, depois eu não achava mais. Inclusive acordei com uma sensação estranha de que tinha acabado a balada e não tinha mais encontrado uma delas. Uma hora um segurança não me deixou passar pro outro lado da balada, só estrelas (foi estrela que ele disse??? algo assim me vem em mente, putzzz). Mas logo depois eu mesmo fiquei me controlando para não passar, porque não tinha controle. Porque é que eu não passei, me pergunto agora, acordado!? Estranho que apesar de ser uma rave, e de ontem na balada só ter escutado chorinho, incrivelmente bom, por sinal, no sonho tocava rock, eu acho, e o pessoal tudo tinha cara de frequentador de baladinhas alternativas estilo DJ Club e Matrix. Tinha a menina que passou várias vezes e eu falava com ela por engano, inclusive uma hora que eu estava andando e ela deitou nas minhas costas, perguntei "onde você estava?" e ela respondeu algo do gênero "eu não te conheço", pedi desculpas.
Um dos pontos óbvios do sonho tem a ver com os "lados", atravessar pro outro lado, baladas opostas (rave, rock alternativo, chorinho), estados opostos (galera cheirando = ego, não queria nada com eles). Puxou da realidade uma conversa sobre baladinhas de rock alternativo, conversa no carro com o Tatá. Fiz quase como o Vitor disse outro dia "vou falar tudo sobre as pessoas da psico e tudo sobre as pouquíssimas mulheres que irradiam quando passam". Falei com meu irmão, ontem, de uma maneira bem bêbada, daquelas bem exaltadas e bobas, tudo sobre as mulheres da psico ou não, que estavam na balada ou de alguma maneira envolvidas no assunto, histeria e loucura, coisa de bêbado, da qual não me arrependo nem um pouco. Chega, minha dor de cabeça já passou, sanado o sintoma, devo deixar o problema praticamente intocado.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 11:14 AM

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17.6.03 :::

Insights e viagens que foram surgindo, saindo da dentista e caminhando da Faria Lima até o túnel da 9 de Julho (40 minutos):

- A dentista, diga-se de passagem, não deve trepar a mais de 20 anos, sendo modesto, e olha que ela deve estar nos 60.

- É muito bom poder ter tempo de andar 40 minutos a pé por livre e espontânea vontade e não sentir que o tempo foi desperdiçado.

- A passagem de uma ambulância me fez pensar em como seria a cidade ideal. Fui construindo na minha cabeça esquemas perfeitos, aí percebia que estava me baseando em necessidades desnecessárias, capitalistas e materialistas. Mudei tudo, construí uma cidade que não parecia uma cidade, mas um tanto quanto impessoal, comunista (no mais pejorativo dos sentidos possíveis) e materialista. Tentei mudar e percebi que a cidade não pode existir antes das pessoas, as pessoas é que teriam que ser ideais.

- Lembrei de uma velha idolatria minha à cidade de São Paulo, pelo seu grandioso jogo de concreto, suntuosas paisagens urbanas, complexidade, possibilidades. Percebi que a minha admiração era pelo jogo equilibrado de forças que paira no ar, o sistema funcionando. Sei agora que o equilíbrio vem antes da valoração, não julgo mais simplesmente pelo equilíbrio, ainda mais quando este é uma balança de dois pratos, de um lado bosta, do outro vômito, no meio, um ponteiro de ouro aponta para o zero...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 7:24 PM

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16.6.03 :::

Gente, gente, rápido, leiam o Docionário senão vocês nunca vão ficar sabendo o que é a Nova Bulgária!!!!!!! E como vocês vão viver sem saber disso??

SATO


SATO ::: 9:16 PM

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Quanto ao texto que o Marquito mandou.... ele é interessante, e tal, mas não muda nada pra mim. Parece que há uma grande confusão com palavras, nos argumentos deles e nos argumentos que ele destruiu. Se a tal da "transcendência" que ele fala não deve ser buscada por nenhum método pois ela é não-causal e sempre presente, nada impede que alguém a reonheça durante uma experiência psicodélica também. Não é a experiência psicodélica que causa isso, mas também não impede nada. Mas o principal é que o Eduardo não parece ter um conhecimento mais do que intelectual dessa "transcendência" (assim como eu), então esse texto todo não me diz nada. Que são esses argumentos intelectuais frente à minha própria experiência da realidade? Pra mim, tem sido bom usar alucinógenos, assim como fazer (ou deixar de fazer) uma porção de outras coisas... Quanto à minha espiritualidade, ela aparece na minha experiência total da minha vida, todo o tempo, inclusive quando uso drogas. Sei que não são as drogas que causam isso. E não se busca ativamente "estados alterados", apenas se tira as barreiras que travam a sequência natural que ocorre na consciência humana. Nossa consciência naturalmente varia no decorrer da vida, o que me interessa é permitir essa variação. Sem objetivos espirituais.

Inclusive, as idéias dele soam bem parecidas com idéias que muitas pessoas tiveram em experiências de "alteração de consciência". E também em experiências espontâneas. E não é difícil identificar o apego dele aos seus conceitos do que é e não é espiritualidade e transcendência... Mas chega, não quero discutir isso, ficar fazendo um caleidoscópio de palavras....

Mas pelo menos, num dos argumentos dele, ele usou uma cena do "Vida de Brian", do Monty Python.

SATO


SATO ::: 7:07 PM

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Eu ia comentar o texto que o Marquito me mandou nos comentários do meu último post, mas não vou mais, só vou falar, pra quem ler, que da maneira que eu entendi não ia mudar nada do texto se ele não falasse em substâncias, ele fala de uma relação com o mundo, com a "realidade" ou as realidades cheias de "ter que" ou "achar que", não importando o que é que "tem que ser" ou o que "se acha que é". Se substâncias psicoativas entram nesse jogo, não é problema delas. Mas não era nem isso que eu queria falar, só queria dizer que muito do que foi falado não faz sentido pra mim, o próprio autor diz uma hora que ele não pretende dizer a verdade. Bom, a verdade não existe. Depois, o que é saúde, o que realmente é transcendência e o que é realidade lúcida, o que não é um estado de consciência? Deixo essas questões para serem resolvidas com a minha morte...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 5:04 PM

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15.6.03 :::



Mais uma possibilidade de lisergionamento dessa imagem...

SATO


SATO ::: 9:31 PM

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Uma imagem devidamente lisergionada que parece representar a Sassá, o Incensenseiciador e a Ive. Uma foto tirada nas longínquas paragens de Socorro, no Interpsico do ano passado. É claro, uma simples máquina fotográfica não foi capaz de representar a visão subjetiva do trio em questão (seu mundo-próprio lisérgico) naquele momento, daí a necessidade da alteração posterior da imagem. Agora sim ela é uma representação acurada da realidade naquele instante.

SATO


SATO ::: 9:26 PM

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Eu sempre falei que o álcool estava banalizado e que eu queria beber fora dos propósitos engodo de ficar-chapado-até-cair-e-fazer-merda-na-balada-pondo-toda-a-culpa-no-álcool. Queria poder considerá-lo como qualquer outra droga, ou melhor, qualquer outro psicoativo, sendo que ele estaria na lista dos bons, bem longe de muitos outros, com certeza, mas com o diferencial básico de ser consumido de diversas maneiras bastante gostosas. Nada de beber pra ficar bêbado pensando em custo/benefício. Beber para atingir o torpor alegre e saudável e ficar relaxadamente ébrio. Aí hoje lembrei de Baco, o deus do vinho. Poxa, o vinho já foi associado a uma divindade grega, dentro do sistema maluco deles, que tinha uma festa própria onde todo mundo ficava bêbado. Pegamos a cultura de nosso berço e, como tudo, transformamos nesse simulacro mercadológico, egóico e pseudo-agnóstico. Gente que vai todo fim de semana encher a cara, pra não falar de quem faz isso todo dia, estabelece uma relação ritualística com o negócio mas totalmente torta e normalmente não assumida. Tá, todo mundo normalmente faz isso com todos os psicoativos quando cria uma rotina repetitiva onde a substância já nem importa tanto, mas estou falando da droga oficial, uma delas, a outra é o cigarro, que consegue ser pior ainda, já que praticamente toda a sensação "prazerosa" do negócio vem da anulação da sensação ruim que só a abstinência, depois do vício, causa. As drogas oficiais, no mundo onde considera-se como sentido a ausência de sentido, perdem qualquer capacidade outra senão a de alienar. Quem, hoje em dia, levaria a sério, por exemplo, uma cerimônia que envolvesse embriaguês coletiva? Ao mesmo tempo criancinhas bebem vinho na primeira comunhão.
Credo, parei de escrever, um viva para o vinho!
Está na cara, mas estou levemente bêbado, o que é muito bom...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 6:02 AM

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14.6.03 :::

Jogo do Engodo - Simulacro Junino:

Regras claras no jogo de ontem, a festa junina, e por serem regras básicas, as mais manjadas, tudo ficou repetitivo e chato. A questão é que não jogar causa frustração, já que somos treinados desde pequenos para sermos jogadores. Mesmo sabendo disso, a frustração não é facilmente superada, muito menos por elaborações intelectuais. Ou mantém-se as regras no "foda-se", ou se chega no cerne da questão e se muda tudo ou consegue-se uma satisfação menos engodo, que supere as satisfações anteriores e frustradas. Jogando o jogo eu sou um jogador menor, com poucas habilidades, apenas habilidades especiais para situações específicas. Tentando não jogá-lo não trago mais pessoas para o "não-jogo" (afinal, alguém entende alguma coisa?). Tentando criar o meu próprio jogo acabo virando o Mágico de Oz, sujeito perdido por trás de efeitos especiais, (pelo menos ao som de Pink Floyd).
Como pode a crítica à mediação cifrada ser feita de maneira tão cifrada?
E se eu surtasse na tentativa de chegar ao cerne de tudo e fizesse uma bagunça lá dentro? Será que daria certo ou seria uma fuga elaborada demais? Como realmente eu encontraria as coisas lá dentro? Ao que me parece, um rompante irracional contraposto por um rompante intelectual num jogo já tão condicionado que ambos nascem juntos e com seus papéis definidos, antagônicos, contraditórios e irreconciliáveis. Mas tudo isso porque já estou elaborando demais e racionalmente, ou estaria mandando todos à merda pessoalmente. Difícil é colocar os dois lados dialeticamente e dinamicamente, fazer funcionar de verdade, ao invés de ficar falando e imaginando. Imaginando o que, afinal? Regras. Elaboração intelectual de regras para o jogo do engodo. Na frase do banheiro do Ó do Borogodó, atribuída a John Lennon, "A vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos.", o que planejamos são essas regras para o jogo. Consideramos o jogo como se fosse a vida, passamos a nossa existência planejando as regras, o jogo que chamamos de vida é isso, criar regras para si mesmo, o-jogo-de-criar-regras-para-o-jogo, sempre com o mesmo desenrolar e o mesmo desfecho, passamos o tempo todo no Futuro do Presente, vamos, faremos, seremos, e morremos no Futuro do Pretérito, íamos, faríamos, seríamos, enquanto a possibilidade da vida passa. Alguém me disse a frase de um filme, "Deus ri dos seus planos." Com certeza qualquer deus não faz planos.
A auto-crítica é a anulação da crítica, isso pode ser bom ou ruim. A natureza não critica, de modo algum. Processos espontâneos que não terminem na crítica parecem naturais.
Críticas aos meios que os fins só de descobrem (ou só se descobrem os não-fins) no final.
No final tudo dá certo, se ainda não deu certo é porque não chegou no final. A vida é um fim em si mesmo. Se vivemos, não há final, então tudo já está dando certo.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 1:11 PM

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12.6.03 :::

Estamos aqui para mostrar nossa indignação com um fato que entrará pra os anais da história. Que fique declarado que a final da Primeiríssima Copa do Mundo-Próprio da Nova Bulgár ia de Sinuca Pong com Castigo Noinha do mundo não pôde ser realizada devido à ausência de uma bolinha oficial de Sinuca Pong.
Os tempos eram precários no início da Sinuca Pong, quando pioneiros ousados tinham que jogar escondidos de madrugada em mesas improvisadas com bolas quebradas em um CA obscuro e fantasmagórico. Felizmente nossos heróis resistiram muito e a Sinuca Pong pôde se libertar do boicote tirânico das federações de futebol e pôde se tornar o que é hoje, esporte de abrangência mundial. Preferência de 11 em cada 10 episcopatletas da melhor estirpe.

Incensenseiciador e Sato

"Para que usar uma palavra que já existe se você pode inventar outra?" - Mandamento Sétimo da Episcopatia Cardálico-Panteísta Learyana Transpessoal.

Sato

"Yeahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!"

Zílio - in loco


Incensenseiciador ::: 11:04 PM

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"Ah, não escreve nada, sei lá!"

Sato

Não vou escrever nada então!

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 3:44 PM

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11.6.03 :::

Hummm, criatividade em alta para novos verbetes, em breve. Hoje foi um dia incrível, esculturas de argila na aula, fiz o Casulo do Cogumelo Esquizofrênico, uma coisa estranha em forma de vaso, aberta, com três bolinhas, uma em cima da outra, depois um quadrado e um cogumelo no topo. É uma aula incrível, que ainda propicia fetiches inusitados, como a tocadora de oboé canhota.
Depois de tudo isso ainda, no fim da noite, eu e o Sato desenvolvemos o mais incrível jogo para chapados que existe, Sinuca Pong com Castigo Noinha. Trata-se de um jogo incrível, na mesa de sinuca, com raquetes e bolinhas de ping-pong, um taco no meio como rede e os castigos, bolas de sinuca que devem ser encaçapadas, uma de cada lado, apenas com a bola de ping-pong, e noinha porque tinha que ficar com a outa mão na mesa e bem perto dela, jogando na nóia. Claro que nenhum dos dois conseguiu encaçapar as bolas de sinuca, mas o placar imaginário ia crescendo vertiginosamente, até eu acertar a bola no meu irmão, situação onde todos os pontos são perdidos.
Estão abertas as inscrições para a I Copa do Mundo-Próprio da Nova Bulgár ia de Sinuca Pong com Castigo Noinha. Acho que é isso!

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 10:54 PM

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10.6.03 :::

Eu tava errado, voltar ao útero também não dá certo, busca alienada da totalidade de qualquer jeito. A totalidade é a própria vida.

Bom, vamos brincar com argila amanhã, oba! O que será que nossos míseros inconscientes irão produzir?

Diga-se de passagem, estou escutando Emerson, Lake & Palmer, que é muito bom. Brain Salad Surgery...

Hoje é aniversário da minha mãe, vamos comer camarão, hummm.

Ah, é isso, surtei de novo, viva, viva, viva!!! Tralalá.

Quem é esse sujeito que fica analisando seus próprios sonhos em um blog, palavra que é praticamente uma onomatopéia, ou qualquer outra coisa, como na antiga concepção do Sato "O Incensenseiciador comemorou o lançamento do blog [na festa oficialíssima de lançamento do blog na Lôca, diga-se de passagem], fazendo blog na balada".

Chega!!!

Incensenseiciador



Incensenseiciador ::: 5:54 PM

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9.6.03 :::

Putz, não tem nenhum texto meu aparecendo na primeira página do blog.... Agora tem.

10000 visitas, esse blog é um sucesso! Seja lá o que isso queira dizer... Claro que cinco mil visitas devem ser eu e o Incensenseiciador, e quase todo o resto são pessoas que já conhecíamos antes de fazer o blog.... Mas parece que tem umas cinco ou seis pessoas que não nos conhecem e gostam do blog pelo o que ele é!! Se isso não é sucesso, então não sei o que mais seria.

SATO


SATO ::: 9:21 PM

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Você chega em casa da faculdade de saco cheio, prevendo um fim de mês só de estudos e trabalhos, preparado para ler 200 páginas sobre o mundo-próprio e os ciclos-função. Senta na frente do computador, despretensioso, com dois dedos de vinho num copo de requeijão, abre seu pretenso blog, que tem nome de fliperama, e lê o incrível comentário do Tatá (atat).
Valeu Tatá...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 2:39 PM

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8.6.03 :::

Frases soltas.

Freud quando teorizou sobre a pulsão de morte confundiu tudo. Não é uma pulsão, mas uma manifestação sintomática, patológica e engodo do que seria a pulsão de voltar ao útero!

Li os arquivos de Novembro do ano passado, quero pedir desculpas por ser tão incompreensível. (o que não significa que eu vá mudar a maneira de escrever por causa disso!)

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 7:06 PM

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Um dos pontos de vista possíveis para o sonho da rave - parte 4 - o sonho: saída da casa:
(chega de ficar falando mal disso)

Saindo da casa dou de cara com uma baita festa enorme e lotada. Saio de uma festa na casa para uma festa aberta. Logo fica claro que a casa é o chill out, o lugar de descansar, e que a balada do lado de fora era muito mais intensa. Começo a explorá-la, a idéia de "transcendência" me aparece agora, inclusive relacionada a estados alterados por psicoativos, estávamos fumando na casa. Passo pela estranha tenda dos fliperamas de corridas de carro. O que posso pensar sobre isso está relacionado ao fato de eu pegar carona com a menina e também com o patético fato de eu ter carta há dois anos e não usá-la. Isso significa alguma coisa, inclusive porque eu já sonhei que estava dirigindo mais de uma vez, deve estar relacionado com fraquezas, coisas do gênero, quiçá. Passo pela pista de longe, não me interessa. A pista me remete a idéias de coletividade, não sei se posso dizer algo do inconsciente coletivo. Passei pela menina, que conversava com amigas quando seguia para o descampado, que também tinha status de chill out, porém, sem música própria. A lembrança que isso me traz é da Tribe, rave que fomos e ficamos num chill out sem música própria, sendo que no final o Sato me disse que ouviu uma música diferente que viria do real chill out. A relação com a menina é mais próxima, há troca de olhares, contato visual, maior proximidade, existência concreta. O descampado representa algo mais aberto e está vinculado à casa, em outro nível de análise podemos vê-lo como o limite do self, o indeterminado, o que está por se modelar pela interação com o mundo, a floresta nativa derrubada para o reflorestamento planejado, para a construção de mais tendas talvez. No descampado converso com pessoas que estavam na casa, inclusive com a Bárbara, uma menina do segundo ano, até que seu namorado, Márcio, aparece do lado de fora da festa, no meio do mato, saído de trás de uma árvore. Ela levanta e dá a volta na grade, mesmo isso não sendo visualmente possível. Embora eu possa fazer uma série de associações bizarras com relação a esse fato, acho que o que realmente importa é a consciência da existência do mundo externo e independente de mim, sobre o qual eu não tenho controle. Começa o vento, a tempestade de areia e a chuva (no descampado eu tenho controle). Associo-a ao dia em que estava com a menina e a chuva impediu que ela fosse embora, a chuva era muito semelhante em relação ao vento e à intensidade. No sonho, pela mesma idéia, a chuva tinha o intuito de tirar as pessoas do descampado. Pensando-o como o que está sendo construído, eu queria mudar, uma mudança de ambiente, de clima, de "realidade", de relações. As pessoas fogem, fico com medo de que todas entrem na casa e façam uma zona. Medo de desorganização, de perda do controle. Corro para a casa para fugir da chuva e é nessa hora que encontro o rio de pessoas seguindo para a pista e não para a casa. Já é um avanço, as pessoas ficam satisfeitas com a pista, não precisam entrar na casa porque estão sendo "expulsas" do descampado. Segundo avanço, pulo o rio com facilidade e sigo para casa.

parte 5 - sonho: final:

De volta à casa estou no quarto, mas lá dentro a balada continua. Converso com um amigo do meu irmão. Um amigo que meu irmão me disse outro dia ter encontrado na balada, ou telefonado, depois de muito tempo, algo do tipo. Ele pede um lugar pra ficar, conto as camas e tento resolver o problema. O retorno à casa pode ser considerado uma recuada frente ao novo do descampado, frente aos desejos manifestados, agressivos, de certa forma. De volta à casa, estou mais aberto a reconsiderar certas coisas, inclusive em relação a haver uma cama para alguém antigo, um amigo velho e sumido do meu irmão. Sinto também uma flexibilização transmitida por esse acontecimento, talvez, tanto que a chuva para. Saio da casa e encontro minha tia, minha avó, meu tio, não tenho certeza das primas. Acho que comento algo sobre o medo de que a casa ficasse lotada por causa da chuva. Minha tia comenta algo como, nós já estamos na casa. Se puder ir bem longe na interpretação desse fato, isso me remete à situação outro dia em que meu irmão fez um comentário sobre um filme onde durante o jantar a mãe está proibida de falar sobre ciência, quando meu pai então diz que se isso acontecesse nos jantares de família minha tia não falaria nada. De certa forma o discurso dela no sonho é baseado na estrutura familiar convencional e não na crença real de que ela estivesse na casa por conquista própria, mas por direito adquirido por tradição. Digo a ela que a casa está lotada, estou negando tais tradições e convenções. Sigo para o descampado, é inevitável reparar que o movimento é casa-descampado-casa- descampado, com acontecimentos rápidos nas transições, descampado e casa são dois lados da mesma moeda. A possibilidade de flexibilização da casa espelha-se no descampado, ou o contrário. O descampado agora está com colchonetes, muito mais confortável, embora ainda tenha uma cara de primário e pouco elaborado. Numa roda estão a menina, 5 amigas e um amigo. Sento-me do lado dela, eis a terceira aparição, no fim do sonho, o contato real com a possível imagem anímica. Ela apresenta os amigos pelo nome, outros arquétipos indefinidos? Fica claro que a tempestade de antes tinha o intuito de esvaziar o descampado para esses acontecimentos finais, essa é a mudança de cenário. Ao mesmo tempo uma aproximação real com o inconsciente, quiçá, como também uma aproximação com a menina, com o vínculo afetivo e sexual, coisas primárias, bastante inconscientes, inclusive das camadas mais profundas, individuais e coletivas. A tentativa dela é de me inserir no grupo, com as apresentações, sinto-me à vontade. O amigo levanta e vem ao meu lado dizendo "vamos brindar". Tenho um chaveiro na mão que levanto e brindo. Acordo. As chaves me lembram Cidade dos Sonhos, a possibilidade de abrir e desvendar os mistérios (sem o aspecto trágico do filme), o encontro com a Ânima, logo, com o inconsciente, com a chave para abri-lo. Uma mensagem clara do meu inconsciente para mim, ou para o meu ego. Acordo porque não há mais o que sonhar, o recado está dado, o sentido está feito, o resto deve ser concretizado.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 5:25 PM

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Jogo do Engodo - Psico-sócio-sexualidade Perversa:

O jogo estava difícil hoje, muito difícil, regras extremamente fixas e com pouquíssimas excessões. Uma grande quantidade de "participantes-cenário", ou "personagens-engodo", em analogia com o RPG, os NPCs, os não-jogadores, controlados pelo mestre ou pelo computador. A diferença, no Jogo do Engodo, é que o "mestre", quem dá as regras, pega um ponto do mestre de RPG e um ponto do computador. Do computador pega o caráter "passivo" de não ditar as regras consciente disso, mas de receber e ditar sem saber, e do mestre o fato de ser um humano a ditar as regras. Tais regras são o que podemos chamar de controle do controle.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 6:25 AM

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7.6.03 :::

Estava assistindo ao Jornal Nacional quando eles começaram a falar sobre a produção brasileira de carne. Lembrei de várias coisas que eu já li, vi e ouvi, de origens vegetarianas, criticando isso. Não quero nem vou falar sobre vegetarianismo, mas várias das críticas feitas são críticas ao sistema que não passam nem perto da carne, mas sim da maneira industrial-capitalista como se trata a carne, assim como as plantas comercializadas, assim como os livros, os cds, a cultura em geral, as pessoas...

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 8:47 PM

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Paula e Bebeto
Milton Nascimento

Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera
Eles se amaram de qualquer maneira, à vera
Qualquer maneira de amor vale à pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale à pena
Qualquer maneira de amor vale valerá
Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá
(Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira de amor me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá


Incensenseiciador ::: 8:03 PM

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Tudo deve ser válido, mas que válido? Ah, que inferno. Aprendemos que o certo é cobrir todo o corpo com merda, da mais fedida, mas aprendemos sutilmente, sem perceber o que estamos fazendo. Depois passamos a vida toda tentando arranjar e inventar os melhores perfumes pra tirar o estranho cheiro que emanamos. É por isso que precisamos nos prender às coisas, para que o cheiro fedido não escape. Quanto mais coisas "eu sou", melhor, das mais idiotas até as mais idiotas ainda. Eu sou brasileiro, eu sou inteligente, eu sou de peixes, eu sou louco, eu sou da ordem dos chupadores de pedra-pomes, eu sou totalmente averso a leite integral gelado misturado com duas colheres e meia, das de chá, de açucar, totalmente, um só gole e eu vomito o dia inteiro, além de ficar três dias sem conseguir comer.
Um sujeito ontem defendia arduamente que tudo na vida podia ser decifrado racionalmente, até que a discussão chegou na medicina e no fato de que a expectativa de vida aumentou muito da idade média pra cá, inegavelmente, graças à capacidade de decifração da tal medicina. Tudo bem. Então eu disse pra ele que estava certo, a medicina aumentou a expectativa de vida, de 30 pra 70 anos, mas isso não é a vida, isso serve pra que a gente viva melhor. Então ele me perguntou o que era viver!
Afinal, o que é que estávamos discutindo? Estávamos discutindo alguma coisa?

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 2:21 PM

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6.6.03 :::

O Velho e a Flor
Toquinho - Vinícius de Moraes

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta em pétalas de amor.


Incensenseiciador ::: 9:42 PM

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Um dos pontos de vista possíveis para o sonho da rave - parte 3 - chega de engabelação:o sonho: a casa:
(o que não propriamente deixa tudo isso menos chato)

Sigo, agora tentando entender um pouco da história e tento me prender novamente à proposta de usar a menina como um referencial. Tudo começa na casa, algumas pessoas, conhecidas ou não. Vale lembrar que nessa hora eu desconheço que a casa está no meio de uma rave. Aparece então o André e me diz que viu a menina lá fora com as amigas, era a mais bonita. Ele coloca no sonho a menina e a possibilidade do "lá fora", mas ainda estou bem dentro da casa.No sonho o "mais bonita" não soa estranho. Ela está lá fora, não aparece, não existe um lá fora definido, há a sensação de distância, de ausência de materialidade. Nessa hora eu acordo, ajeito o cobertor e penso no sonho, inclusive com a possibilidade de comentá-lo com a própria. Durmo e continuo. As primeiras preocupações do sonho são de arranjar lugar para algumas pessoas poderem dormir. Certamente se trata de vincular pessoas à minha estrutura básica de personalidade, como somos seres de vínculos, nada mais natural que nos relacionemos com quem faz algum sentido "dentro de nossa casa". Trata-se, de alguma maneira, das relações mais próximas. Parece que tudo fica ajeitado da minha parte. Eis que surge o baseado que começamos a fumar e em sequência meu pai e a mulher para fumá-los também. Esse acontecimento foi totalmente baseado no dia que antecede o sonho, quando fui beber jurupinga (incrível destilado de uva) com meu irmão e uns amigos e meu pai apareceu por lá depois com a mulher. Segue, no sonho, meu pai chapado falando coisas sem nexo e a mulher cantando. Depois disso começa uma grande balada em casa. Pode-se fazer uma associação clássica de que se o pai está chapado, quem é que vai impedir que uma balada comece? Ele começa a falar comigo, ambos na escada que leva ao quarto, eu sentado, ele em pé, que não tem condições de levar o Batata pra casa, tento convencê-lo de que vai melhorar e de que o Batata não pode ficar, o Batata está atrás e chora. O Batata representa, claramente, o que estava sem espaço fixo "na casa", que tinha que ir embora em algum momento, faz sentido, sem mais explicações sobre meu contato com o Batata. A festa continua, mas eu não escuto o som, sei que estava tocando, quando acordo, mas não escuto as músicas propriamente. (acho que o fato de eu insistir em dizer isso deve ter algum significado). Finalmente resolvo sair, explorar "lá fora". É certo que este é um grande movimento simbólico. Pensando no referencial proposto, saí para buscar a menina (a menina, porém, não precisa ser, propriamente, a própria pessoa real, aliás, com certeza não é, é um símbolo, um arquétipo, uma manifestação anímica, mas a existência dela na realidade é importante também, o bom evelho paradoxo "é e não é"). Bom lembrar que para Jung a Ânima é responsável por estabelecer a comunicação com o inconsciente no homem. Saio da casa e encontro o mundo, descubro a rave.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 9:16 PM

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5.6.03 :::

Andei lendo comentários por entre os blogs dizendo que estão profissionalizando os blogs e diversas outras coisas sobre a seriedade de se fazer um blog e tudo o mais. É isso, como não podia deixar de ser, já estão oficializando mais uma coisa para ser "levada a sério" no mundo, e o pior, tratam-se de blogs, logo isso, que praticamente não passa de uma onomatopéia!

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 6:44 PM

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A menina dança
Novos Baianos

Quando eu cheguei, tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma, viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz o meu nariz arrebitado
Que não levo pra casa
Mas se você vem perto eu vou lá
No canto do cisco, no canto do olho
A menina dança
E dentro da menina ainda dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há.


Incensenseiciador ::: 6:36 PM

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Um dos pontos de vista possíveis para o sonho da rave - parte 2 - ambientação:
(insisto no quando isso deve ser chato)

De início vou abandonar a seqüência do sonho e situar o ambiente total olhando-o de cima e colocando a casa no canto superior direito da imagem. Lá está a casa, com sua sala gigante, o primeiro andar é só isso, na parede da esquerda, onde está a porta de saída, está também paralela a ela, uma escada de madeira que sobe para o segundo andar, que ocupa apenas um canto da casa, com um quarto em cima do outro. Não faço a menor idéia de como se alcance o quarto de cima, ambos têm duas camas de solteiro formando um ângulo de 90 graus perto das paredes. O lado que dá para a escada não tem paredes, logo pode-se ver o quarto todo. Na imagem geral, abaixo da casa, no canto inferior direito, está o que parecia ser uma área de fliperamas só de jogos de corrida de carro. Do lado esquerdo da casa estaria a pista coberta, com as tendas usuais dessas festas. Abaixo disso estaria o descampado onde as pessoas apenas ficavam e conversavam, uma área enorme limitada à esquerda por uma grade e com chão de areia. O resto do lugar era gramado, do lado de lá da grade praticamente uma floresta.
Tanto a casa quanto o descampado eram chamados de chill out. No descampado o som era o mesmo da pista, na casa era outro, embora eu não ouvisse nenhum durante o sonho. A casa era realmente minha, apesar da situação.
Posso pensar a casa, com sua estrutura baseada em desenhos de uma criança de 6 anos como algo primário, as bases da formação da personalidade, inclusive pela idade. Sua relação com o descampado, pelo nome, remete ao caráter estrutural do descampado. Certamente, no todo, os limites do lugar representam a totalidade do self. O fato de o lugar ser rodeado por uma floresta é também um indicativo do natural, dos limites humanos. O descampado, porém, pode ser pensado como mais flexível que a casa, pode ser pensado como uma ampliação da "área" do self, onde a floresta foi tirada para que algo possa crescer no lugar. O fliperama, assumo, ainda me é um tanto obscuro nesse contexto, embora a associação com carros possa ser pensada mais pra frente. A pista também não é muito clara, mas parece relacionada à coletividade e sociabilidade como um todo. A casa é a parte mais estrutural e mais individual, o ambiente "meu", em algum lugar dela deve estar o ego, não sei direito. Neste contexto as pessoas são todas parte do self, discriminadas ou não. Assumo que já perdi quase completamente o ponto de vista único proposto e que devo seguir por diversos caminhos.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 6:09 PM

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3.6.03 :::

Um dos pontos de vista possíveis para o sonho da rave - parte 1 - divagação:
(talvez isso seja muito chato)

Podemos compreender um sonho em diversos, senão infinitos, níveis, partindo de vários enfoques, detalhes e orientações, dentro e fora do relato do sonho, no fim, todas as interpretações, mesmo que contraditórias, juntam-se para o que poderia ser considerada a "verdade do sonho". Podemos pensá-lo à partir do ponto de vista estrutural do self, enxergando assim as estruturas básicas e como estamos nos relacionando com elas. Podemos pensá-lo do ponto de vista do desejo, podemos desconstruí-lo a partir dos resquícios mnemônicos que o influenciaram, podemos pensá-lo do ponto de vista de conteúdos contemporâneos. Se não formos limitados, estaremos sempre falando da uma mesma coisa que seria o algo único por debaixo do psiquismo, paralelo do "algo único por debaixo do mundo" que o Sato disse.
Vou partir da menina que aparece no início, no meio e no fim do sonho, e logo de cara já sou mais abrangente do que qualquer ponto de vista que citei no parágrafo anterior. Certamente tratam-se de assuntos contemporâneos, mas trata-se de evolução, começo, meio e fim e de estrutura, que ainda por cima terá que ser, de certa forma, organizada para a compreensão do sonho. Com certeza me utilizarei também da relação com os resquícios mnemônicos "reais" para a compreensão do sonho. Não invalido, porém, tudo o que disse antes, o que quero dizer é que, de certa maneira, o ponto de partida marca o "interesse", a "preocupação", seja o que for, mais gritante no momento presente, seja por fatores contemporâneos ou constitucionais. É como a idéia do Sato, estudar uma única coisa não com o fim de se especializar, mas buscando a plenitude. Misturemos com a relatividade e compreenderemos que no fim o que muda é o referencial do objeto visto, que é sempre o mesmo.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 8:20 PM

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Encontrei nos arquivos o relato que mandei para o e-groups da psico (e que nãofoi aqui publicado porque foi escrito 9 dias antes da criação do blog) de uma experiência numinosa com a Sálvia, sim, Salvia Divinorum, Maria Pastora...:

A lenda da frondosa Maria Pastora

Olá meus caros amigos, a história que segue eu chamo de lenda porque alguns de vocês, talvez a maioria, jamais cheguem a acreditar, mas o que digo é de fato vivido, acontecido e não é com amigo do vizinho do primo, ou com a concunhada da tia do filho do pipoqueiro, que porventura teria me contado na porta do cinema, enquanto eu esperava tranqüilamente a sessão. O fato sucedeu-se comigo mesmo, este que, sobrevivente, pode agora relatar-lhes o acontecido. Sei, porém, que alguns de vocês talvez acreditem em mim, ou tenham já conhecido a dita cuja, a nefelibata Maria Pastora.
O que ocorre de fato ninguém sabe direito, mas dizem que a Maria Pastora, alma antiga, Anima coletiva dos tradicionais e xamanísticos divinicultores (agricultores daquilo que é divino, para que me entendam bem) mexicanos, vento que sopra em suas plantações sagradas, alento de suas vidas, desvia-se, espalha-se pelo mundo, invisível e cautelosa, ao mesmo tempo que onipresente, à procura de indivíduos que mesmo rodeados pelo senso comum inebriante (ausentes que estão do mundo divino), sentem e esperam que haja algo mais, maior do que aquilo que os rodeia. Quando encontra estes seres, iluminados mas carentes de luz, tudo o que pode oferecer-lhes é seu beijo numinoso, e isto já é o suficiente para que um novo encontro com a vida, ou um verdadeiro encontro com o que realmente seria a vida seja experimentado.
Na verdade o que realmente sei, e que posso afirmar-lhes com a certeza da veracidade da experiência de uma nova vida, é que depois de recebido o beijo havia dois caminhos a seguir. O primeiro deles era o de resistir ao beijo, ficar imóvel, inerte (já que enlaçado por seus braços a Pastora não permite mesmo muita movimentação), esperando que a dita cuja, desistindo, fosse embora. O segundo caminho era aceitar o beijo, como uma surpresa boa, entregar-se à sua voracidade e ficar imóvel, prazerosamente enlaçado nos braços firmes da Pastora, participando do seu beijo até que ela se desse por satisfeita e decidisse ir embora. Foi este segundo que segui, ou tentei seguir, na maior parte do tempo. A experiência, posso afirmar, é como uma fruição participante, onde nada se faz e nada se deixa de fazer e a admiração é plena, total, indescritível e, mesmo, inefável. Após o beijo lancinante se torna impossível voltar ao que se era antes e afortunados são o que sabem que caminharam para um lugar melhor.
Envio-lhes isto na esperança de que, se um dia sentirem soprar em suas almas o vento divino, saibam que foram escolhidos e saibam escolher o caminho e aceitar o beijo, já que não há nada mais que se possa fazer. Os caminhos, que na verdade são um único caminho, levam a lugares distintos, um que pode ser igualmente descrito como ignorantemente bom ou eternamente mau; outro que, para além do maniqueísmo infindável e infantil, traz a verdadeira satisfação do elevar-se, do saltar para outros planos, maiores e mais abrangentes.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 4:53 PM

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Trem fantasma
Caetano Veloso - Os Mutantes

Quatrocentos cruzeiros
Velhos compram com medo
Das mãos do bilheteiro
As entradas do trem fantasma

Ele e a namorada
Ele não pensa em nada
Ela fica assustada

Quatrocentos cruzeiros de força
Arrastam o rapaz e a moça
Para um lugar em cinemascope brilhante
A montanha gigante de generais verdejantes

Aparece distante
O trem no espelho brilhante

Desde o primeiro beijo
Arrebenta o espelho
Quatrocentos cruzeiros
Quatrocentos morcegos de força
O beijo, o rapaz e a moça
O trem dentro d''''água
A piscina parada
Ela não pensa em nada
Ele pensa e não diz onde tem muita água
Tudo é feliz

O primeiro beijo
Quatrocentos cruzeiros
Zé, quarenta HPs de emoção, Zé do Caixão
Traz os bichos da criação
Até o portão e...

Terminou a sessão
Quatrocentos cruzeiros
Velhos compram com medo
Ele e a namorada
Ela não pensa em nada
Ele pensa em segredo
Ele pensa em segredo
Ele pensa em segredo...


Incensenseiciador ::: 4:31 PM

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2.6.03 :::

"A verdade jamais será dita de modo compreensível, sem que nela se creia."
William Blake

E jamais será entendida por quem ouve, se nela já não se crer antes (mesmo que não se saiba).

SATO


SATO ::: 9:49 PM

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Na yoga do conhecimento, a idéia não é conhecer o maior número de coisas possível, como é o objetivo dos eruditos ocidentais, normalmente. Na nossa sociedade se valoriza muito um conhecimento amplo, a sabedoria é identificada com o "conhecer muitas coisas". Ao mesmo tempo, temos uma tendência utilitarista à especialização, que é a arte de saber tudo sobre uma única coisa, como se ela não tivesse relação com as outras coisas, então, na verdade, você não sabe nada. Mas, mesmo entre nós, ninguém acha que especialização é sabedoria, sabedoria é saber muitas coisas. Mas nessa yoga do conhecimento o que é valorizado não é saber muito, mas alcançar uma compreensão em determinadas coisas, que possibilitam que você compreenda todas as coisas, sem precisar se deter em cada uma delas. E, muitas vezes, um aluno de um mestre yogui recebe um pequeno ensinamento, talvez apenas uma frase, e se pede que aprenda tudo sobre isso. Ele pode passar anos estudando apenas essa frase, de todas as maneiras possíveis, criando todas as hipóteses possíveis, até que alcance uma compreensão profunda sobre essa única coisa. Ao contrário do especialista ocidental, essa compreensão incluirá, necessariamente, a percepção da dependência desse objeto de estudo a todo o resto do universo e ao próprio sujeito que o estuda. Segundo a teoria holográfica do mundo, é possível alcançar o conhecimento de todo o Universo estudando apenas uma única coisa.

Isso tudo eu pensei porque estava pensando na validade de, por exemplo, viajar muitas vezes para o mesmo lugar, ou de ver muitas vezes o mesmo filme, coisas que ando fazendo muitas vezes, ultimamente. Eu quase não assisti nenhum filme novo nos últimos meses, mas assisti várias vezes alguns, por exemplo Cidade dos Sonhos, ou 2001. E fiquei impressionado como ter assistido esses filmes várias vezes me levou a uma compreensão muito grande sobre muitas coisas, apenas a partir das inúmeras e complicadíssimas interpretações que eu fiz sobre esses filmes. Acho que me valeu mais a pena ter assistido um filme desses cinco vezes do que ter assitido cinco filmes diferentes superficialmente, ao contrário do que diz o senso comum. Conhecer alguma coisa, nesse sentido, não é saber tudo sobre ela, mas compreender todo o simbolismo contido nela e toda suas relações com o resto do Universo, como tudo está ligado, tudo é Tudo, esse é o significado da idéia de que Deus está em todas as coisas. Inclusive dentro de mim, sou um objeto de estudo tão interessante quanto qualquer outro. Claro que conhecer várias coisas é importante também, ver o maravilhoso arco-íris do mundo, mas não se engane pela ilusão de diversidade, pelas dez mil coisas, há algo único por debaixo do mundo. Será que vale mais a pena então compreender um único lugar verdadeiramente do que conhecer vários? Assistir um único filme verdadeiramente do que ver vários? Conhecer verdadeiramente uma única pessoa ao invés de ter contato com várias? Será?

Sato


SATO ::: 5:47 PM

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Há critérios da vida para a flor.
Há critérios da vida para a dor.
Há critérios para o sol se por.
Haverá critérios para o que for.
Só não há critérios para o amor.
Que é algo assim como a flor.
Que é algo assim como a dor.
Que é como o sol ao se por.
Qualquer coisa como um ator.
Não há nada que seja o amor.
Assim como a flor é a flor.
Assim como a dor é a dor.
Assim é o sol ao se por.
Assuma-se sempre, o que for...
Haverá critérios para o amor?


Incensenseiciador ::: 3:53 PM

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1.6.03 :::

Rave dos Sonhos

Esta noite tive um sonho estranhamente interessantíssimo. Tudo começou num lugar que era minha casa, um lugar incrível, tinha vários ambientes, uma puta sala, os quartos eram bem estranhos, um em cima do outro, a organização espacial lembra um pouco os desenhos de casa da menina de 6 anos que eu atendo. Lá estava um pessoal da faculdade, de fora, pessoas estranhas, desconhecidas, e inclusive o Batata. Em algum momento o André, um amigo, chega e diz "Gui, encontrei sua mina com as amigas lá fora, ela é a mais bonita delas!" Nessa hora eu meio que acordo, arrumo o cobertor, penso no sonho, volto a dormir e continuo ele. Em seguida começamos a fumar um baseado. Logo meu pai chegou com a mulher e ambos fumaram com a gente. A mulher do meu pai ficou cantando e meu pai ficou muito doido, viajando completamente. Nessa hora a casa já tinha virado uma puta balada. Eu estava sentado na escada que tinha na sala quando ele chegou e começou a falar, meio sem sentido, que não podia dar carona pro Batata, que estava pedindo chorando. Eu disse que não dava pra ele ficar porque as camas estavam todas ocupadas, na verdade já havia ocorrido uma cena onde pessoas pedem pra ficar na casa e ocupam as camas. Depois disso saio da casa e descubro que ela está no meio de uma rave, ela é o chill out da rave. Do lado de fora está acontecendo uma baita festa com muita gente, uma pista gigante, vários outros ambientes, tinha até um lugar com fliperamas de simuladores de corrida tipo Daytona. Um dos ambientes onde a gente mais ficava era um descampado de areia enorme e lotado de gente, que o pessoal também chamava de chill out, só que o som era o mesmo da pista, com o detalhe que eu não ouvia o som no sonho, mas sabia que ele tava sempre rolando. Ficamos um bom tempo nesse lugar, em algum momento vejo a menina que o André chamou de "minha mina" no começo do sonho. Ela está conversando com umas pessoas me olha, eu olho ela, só. Coisas continuam a acontecer, estou conversando com a Bárbara do segundo ano do lado da grade do limite da balada quando o Márcio aparece, namorado dela, e pede pra eu chamá-la. De repente uma tempestade começa, primeiro um vento absurdo que levanta toda a areia e faz uma nuvem densa, todos saem correndo, eu penso que todos vão correr para casa e que vai ser uma zona, saio correndo também, vejo um rio de pessoas passando em baixo de mim e pulo sobre eles, a pista, que é coberta, fica lotada, ninguém vai para a casa. De volta na casa a balada continua, estou no meu quarto conversando com um pessoal e de novo tentando ajeitar mais lugares para as pessoas dormirem, um amigo do meu irmão pede uma cama, faço as contas mas não sei se tem jeito. A chuva passa, saio da casa e encontro minha família por parte de mãe. Acontece uma conversa breve, comento que achei que a casa estaria cheia por causa da chuva, minha tia fala, "não, nós já estamos na casa...", ou coisa do gênero, digo que já está tudo ocupado. Sigo para o descampado, agora ele tem uns colchonetes onde a mesma menina que o André e eu vimos está sentada, meio deitada junto com cinco amigas e um amigo em círculo. Sento do lado dela, ela me apresenta os amigos, o amigo dela levanta, vem ao meu lado e diz, "precisamos brindar", estou com um chaveiro na mão, que levanto para brindar e acordo.

Incensenseiciador


Incensenseiciador ::: 12:23 PM

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