Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
30.8.03 :::
Hummm, parece que o início da cerimônia de celebração do ano da criação do blog foi intensa. Os caras ficaram viajando no engodo televisivo, o que é sempre divertidíssimo de madrugada, já eu enchi a lata mesmo e voltei fedendo a cigarro (dos outros) pra casa hoje, duas da tarde.
Como é um aniversário, me dei três livros de presente, inclusive porque dois deles estão custando 10 reais numa promoção do Submarino. Trata-se de A Psicologia da Evolução Possível ao Homem, do Ouspensky; A Paixão Segundo G.H., da Clarice Lispector que, diga-se de passagem, teve como "influência literária" uma experiência orientada de LSD da qual ela participou, mas o livro trata de uma mulher que encontra uma barata; e um livro chamado LSD Nô, que eu não faço idéia do que seja nem guardei o nome do autor, mas a sinopse, o preço e o nome agradaram.
É isso, as celebrações continuam nesse dia tão importante que é hoje (hahahaha) e que todos sejam felizes...
Ah, claro, simbora pra festinha psicodélica de hoje (que só vamos chegar amanhã, mas beleza), iupi!!!
Ontem, passei a madrugada assistindo TV. Eu, o Loco e o Busilis. Sim, eu sei, não parece algo que eu devesse me orgulhar, mas até que foi interessante. Caminhamos por inúmeras possibilidades do ser humano. Programas incríveis povoam a noite, quando os super-egos televisivos estão mais relaxados. Submundo do engodo. Um filme, daqueles comédias non-sense americanas, que fazia piadas horríveis, que de tão ruins, chegavam a ser boas, mas nunca do jeito como eles devem ter imaginado. Era tão absurdo que quase se tornava psicodélico. Que mais? um dos piores filmes do mundo passando na globo. Em alguma espécie de Idade Média, um canastrão herói derrota um exército de malfeitores fortemente armados, sem nem sequer desmontar do cavalo, tudo para salvar uma bela e indefesa jovem que estava prestes a ser sacrificada por um aparato que parecia uma navalha gigante que cortaria em dois o seu sensual corpo, cuja nudez era protegida por um único e providencial botão de sua camisa. Mas, depois de tudo isso, a garota, tão heroicamente salva, fica com medo e foge - e acaba sendo morta pelos vilões! O herói não esboça nenhuma reação emocional e continua sua viagem! Ah, e os programas religiosos, - um sujeito de paletó, que eu não confiaria nem como vendedor de carros, servindo como guia espiritual. E não percam a vigília dos 318 pastores, segunda, no templo da fé. E você recebe grátis um sabonete para limpar seu corpo dos despachos (é sério). Programa da Monique Evans, com essa apresentadora, no ocaso de sua beleza física, falando besteiras e claramente prestes a entrar num surto psicótico. Um dos quadros do programa - um jovem realiza seu sonho! é seduzido por uma bela garota de programa vestida de secretária. Apenas seduzido, claro. E, depois de ter seu sonho de sua vida realizado, é encoxado pelo travesti que apresenta o quadro. Fantástico. Em outro canal, conhecemos as maravilhosas baladas que ocorrem na rede biroska de casas de show - os mais tristes agrupamentos de seres humanos que já vi. Um grupo de pagode tocando para alguns gatos pingados. Um baile de salsa, com dançarinos pagos se esbaldando. Um canal vendendo jóias. Um canal italiano, com apresentadoras lindas nos cenários mais bregas possíveis. Se fosse possível ter empatia por essas pessoas, sofreria muito por vergonha empática. Ah, teve o único programa bom que eu encontrei - um documentário sobre o vudu no Haiti, realmente interessante, incríveis festivais vudu, centenas de pessoas se jogando em poços de lama, se divertindo absurdamente, sendo possuídos por espíritos, um feiticeiro charlatão torturando um bode e sumindo dentro de uma cova onde (diz que) faz zumbis... Um outro documentário sobre os cafetões negros americanos - roupas berrantes, carros caros, exploração de mulheres, os maiores egos da história da psicopatologia - american way of life. Resumindo, como é fantástico e variado o zoológico da raça humana! Como pode a mesma espécie chegar a esses extremos do ridículo, do horror - e do sublime. Foi uma boa noite.
Bom, como vocês já sabem, hoje é aniversário do blog, e comemorá-lo-emos numa rave hoje a noite. Uma dúzia de amigos nossos da psicologia confirmaram presença. Parece que vai ser ótimo. Até lá!
28.8.03 :::
Voltando de ônibus no fim de noite, a triste cena paulistana de sub-executivos perdidos enquanto eu estou lá, voltando pra casa tristemente chapado, porque me sinto sub-chapado.
Quinta e Breja que de repente vira palestra sobre o mundo mercadológico da cena eletrônica e depois vira trancera. Maconha, muita maconha. No ônibus uma moça me pergunta se ela está no ônibus que ela está, depois de alucinar que estava em outro ônibus, numa tentativa frustrada de estabelecer algum contato satisfatório com o mundo. Eu não tenho condições de ir tão longe pra fazer isso dessa maneira nesse contexto de sub-viagem-de-ônibus-sub-chapado. Esqueci o resto, já basta, fumar assistindo palestra sussa e depois o DJ te chamar pra falar que tava namorando teu beck desde o começo só pode dar nisso, bizarrice nada a ver, chega!
Aqui tinha um post falando do prêmio Melhores da Web. Desde o começo eu sabia do embuste do negócio, mas parece que é do interesse deles que sites aleatórios tenham links pra página principal. Não sei porquê, mas não parece uma boa idéia.
Pois é, parece que resolveram fazer uma rave em comemoração do aniversário do blog. É a Ekokatu, lá pros lados de Itú, ao que me parece, informações no Balada Planet. Apareçam...
26.8.03 :::
Já faz um bom tempo, umas duas semanas, que simplesmente não tomo nenhuma atitude, digo, nenhuma iniciativa propriamente dita. Não que eu tenha ficado o tempo todo sem fazer nada, mas nada partiu da minha mobilização para acontecer, fui chamado pra tudo que fiz, festas, cinema, não dei nenhuma idéia, não propus nada, não pensei em nada nesse sentido. O máximo que fiz, e que invariavelmente não deu certo nenhuma vez, foi ponderar possibilidades de coisas que podiam acontecer comigo em certos contextos, tudo errado. Não sei bem o porquê de tudo isso, mas tem acontecido, até quando eu não sei...
Mudando de assunto, segue a incrível receita dos deliciosos e tradicionais bolinhos de chuva:
- 1 xícara de farinha de trigo.
- 1/2 xícara de maizena.
- 2 ovos.
- 1/2 xícara de leite.
- 1 colher de chá de fermento.
- 4 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto, ou sem, se quiser fazer algo salgado em cima).
Misture tudo até formar massa homogênea e frite em panela funda com bastante óleo. Pra cada bolinho jogue no óleo uma colher de sopa da massa, de um jeito que ele não espalhe muito. Dá pra inventar um monte de coisas, jogar a massa junto com pedaços de banana, fazer sem açúcar e colocar queijo na massa, fazer uns bolinhos bem grandes e rechear depois e por aí vai...
25.8.03 :::
Quando tudo está perdido, quando não há mais perspectivas, quando tudo perde o sentido e você finalmente desiste, então você vai assistir televisão...
Eita, este post corre o risco de ser algo de extenso, mas de fácil leitura, muitas linhas puladas e manifestações do inconsciente.
- Pra começar, lanço uma campanha de utilidade pública: Fique deprimido: afinal, há algo no mundo que valha a pena?
- Em segundo lugar, ao que tudo indica dia 30 de Agosto, próximo sábado, será o aniversário de um ano do blog. Sim, isso mesmo, esse negócio já dura um ano, e tem gente que acompanha desde o começo. (que eu me recorde a mais antiga leitora fiel, pelo menos que comenta, é a Mei, seguida pela moça que se denomina PassiveAgressive (se é que ela ainda lê), mas que não comenta muito não, se estou enganado que me perdoem e me corrijam). Estamos pensando em fazer uma comemoração, resta saber como, em que lugar do país (mais especificamente, em que lugar do estado de SP, já que é feriado da semana da pátria) e outros detalhes quaisquer.
- Pra terminar, as últimas anotações feitas pelos caras no novo caderninho de anotações com um anjo na capa escrito Aura (putz, ahahahaha) no último fim de semana na casa da Caru, com muita maconha e respiração holotrópica:
"-> Estou na casa do Gui esperando o Loco pra fazermos não sei o quê na casa da Carol (florzinha). (23/08/03)
-. Estou agora na casa da Carol, esperando as pessoas chegarem para não sei o quê."
Busílis
"Eu vim do futuro" (primeira frase do livro de auto-ajuda que será escrito pelos caras)
Loco
"Quanto mais indefinida a música, mais você pode definir o que ela vai ser."
Busílis
Desenhos: Três símbolos básicos do Reiki, Iogue Taciturno Meditante em paisagem incrível, Mandala com cogumelos, chamas, rabiscos episcopáticos da maior estirpe (consultar Docionário).
"Ritual Wicca e Sessão Holotrópica
Divide-se a sala em duas porções [??] complementares.
Florzinha está em boa forma, pra variar.
-> Os anjos são demônios domados."
Busílis
"Fe, Florzinha, Daniel, Emília, Clodine, Guilherme e Tiago. Ritual Wicca na rua, de madrugada." (onde foi isso, Busílis?)
Busílis
"Observação do Busa passando na frente do prédio dos caras. Os caras são foda! Ih! Num passô!"
Incensenseiciador
"FOME, FOME!!!!
Tiago abstrai a sujeira do garfo!
Hum, cheiro de canela..."
Incensenseiciador
Desenho do Busa incrivelmente bem feito pela Clô.
Eu estava na sala sentado no sofá. Clô conversa com Fernando, Daniel conversa com Fausto, Emília com Zílio e Tiago com Redondo. Busílis está na cozinha lavando coisas. Da maneira como observo sinto-me onipresente. Olho sabendo que não estou em nenhuma conversa. Sinto como se não estivesse lá realmente. É uma experiência onipotente de não identificação, nada faz sentido, não entendo o que eles falam, por isso estou próximo da verdade, digo, mais próximo da verdade, é incrível. Na cozinha, Busílis lava formas sujas pelo pão de queijo!"
Incensenseiciador
Logo embaixo disso: "Caralho, Gui, faça uma letra mais decente, como esta."
Busílis
"Existem, pois, antecipações que não pertencem à ordem da consciência normal. São revelações intuitivas que se colocam à disposição do intelecto depois que o feixe nervoso atingiu a consciência. É, portanto, um a priori intuitivo."
Busílis
Estes encontros sociais estão cada vez mais estranhos. Os desdobramentos da consciência são de difícil interpretação, pois as suas linguagens multidimensionais estão para além das capacidades atuais de intelecção da I Realidade [reparem no jogo de letras]."
Busílis
Estou agora em casa, escutando MPB na voz de Dick Farney. Gostaria de ser uma música da MPB: um algo de melancólico com gostinho de esperança. E, na saudade de alguém, estar sempre acompanhado. "Se tudo acabou, se o amor já passou...
mas sei que também, assim como tu, mais ninguém,
assim como tu, mais ninguém."
Jogava tudo pro alto só pra ser uma música de MPB.
"A saudade mata a gente, é dor pungente".
O piano não é da terra, é multidimensional.
Algum dia, se eu me casar, comporei sonatas galácticas para minha esposa. Até antes, se eu soubesse quem é.
Ou então: já componho música nestas linhas."
Busílis
"Estou na aula de A.P., a Malu não para de falar em verbas da universidade, a sala tem 18 alunos (comigo) e eu sou o único homem. Meus hormônios femininos estão aumentando aos poucos, em solidariedade às colegas de sala. Meu organismo é mais empático do que eu imaginava.
-> Neste momento chega o Pinguin!!! (que coisa junguiana!)."
Busílis
"Estou no CA, usando uma caneta roubada. Busílis, em seu casaco azul-anil fluorescente, liga pra alguém. Eu e o Gui estamos sentados no sofá, esperando os primeiros sinais da putrefação que com certeza virão. Em breve.
Lúcia (sigla LS) quer aprender a jogar bridge com o campeão intergaláctico de bridge. A Mina Chata gosta de bridge, se intrometendo na conversa. Zílio está aqui, tenso, pois pode ser jubilado hoje.
Incrível como quando você anota um momento casual e cotidiano ele fica absurdo.
Heidegger era nazista, filho da puta.
Todo momento é, ao mesmo tempo, totalmente absurdo e totalmente maravilhoso."
Sato
Folder grampeado do Instituto Pichon-Rivière:
"Curso de expecialização para a formação do coordenador de grupo operativo.
Pichon é um Instituto de psicologia social que desde 1984 tem o objetivo de divulgar a proposta de Enrique Pichon-Rivière buscando a formação de profissionais que atuam em grupos desenvolvendo mudanças nas atitudes das pessoas e nos processos grupais das instituições.
Nosso Objetivo: Preparar líderes aptos para desenvolverem as relações nos grupos em que atual, melhorando o trabalho e aumentando a eficiência e a eficácia na conquista dos objetivos comuns.
Instituto Pichon-Rivière.
Preparando líderes."
24.8.03 :::
Ligeira mudança no blog, finalmente consegui colocar as assinaturas automáticas. Consegui até mudar o negócio de cor, incrível. É isso, ninguém assina mais no fim dos posts. Qualquer manifestação psíquico-intelectual a respeito do assunto, que seja manifestada.
23.8.03 :::
Realmente, a sugestão de balada da thaty é melhor do que a balada que nós fomos quinta (eu substituiria apenas o álcool por um pouco de cannabis, mas isso é gosto pessoal). Mas tudo tem seu momento certo. O esquenta na casa dos Caras foi mais legal que a balada, pra mim, extremamente engraçado, cenas incríveis, como o Baiano usando uma cueca estampada do Homer Simpson e um sobretudo aberto, tocando bongô em pé no escuro por um longo tempo... Foi quase um ritual, fantástico. A balada em si, estranha, muitas pessoas que eu vejo todos os dias vestidas de maneiras bizarras, lugar apertado, música alta... Passei o tempo todo em algum canto, chapado, só olhando pra tudo sem entender muito....
Dormi na casa dos Caras, ainda assistimos a aula do Safra de manhã... Muito interessante, por sinal. Voltei pra casa, compus uma música, gravei, acho até que ficou legal... dormi doze horas, hoje, acordei, sem nada pra fazer, fiquei pensando como gostaria de sair com alguns amigos, não conseguia pensar em nada, nessa hora me liga o Buza, vamu pra casa da Caru?, vamos. Então é isso, em breve irei pra lá... Quem sabe até rola o Saucerful of Secrets??
Essa frase é o novo rodapé do e-mail do Busílis:
"Não apenas é o homem parte da natureza - e esta é parte sua -, como deve ser minimamente isomórfico (semelhante a) com ela para nela ser viável. Ela o gerou. Sua comunhão com aquilo que o transcende não precisa ser definida, portanto, como não-natural ou sobrenatural. Pode ser vista como uma experiência 'biológica' "
Abraham Maslow
Isso também era bem claro numa das placas espalhadas pela Tranceformation do carnaval desse ano:
"A Terra não é do povo, mas o povo da Terra."
Dia interessante, nada de Zeca, fiquei em casa ajudando no almoço e bebendo uísque com guaraná com meu pai. Enquanto bebia comecei a pensar na característica natural ser humano de não aguentar ficar o tempo todo em um mesmo estado, buscando sempre uma alteração na consciência, seja ela como for, química, social, ambiental. Até tentei discutir isso, mas parece que estávamos pensando em coisas diferentes, então resolvemos que o melhor era continuar bebendo em busca dos efeitos aprazíveis e, porque não, deveras interessantes do álcool, que não deixa de ser uma boa droga. De noite fui com ele assistir Conto de Inverno, da série de contos das estações francês, e que é realmente a própria histeria se manifestando, filme bom, daqueles que dá raiva, sei lá. Agora, chapação de sono com dois copos de cerveja, como isso me deixou assim eu não sei...
22.8.03 :::
É, já tinha decidido que não ia na festa, morrendo de soso, mas lá pelas dez da noite sou facilmente convencido pelos argumentos mais manjados e vou. Começo a encher a cara em casa mesmo, uísque com guaraná, depois vodka com coca na casa dos caras. O lugar é absurdamente pequeno para tanta gente. Encontro uma série de pessoas-engodo, mas isso não é problema. Vodka pura é muito ruim, mas é pra ficar mais bêbado mesmo. Ah, que descrição chata da porra... será que vale a pena ver Zeca Baleiro de graça hoje???
21.8.03 :::
Ah, e todas essas coisas sem sentido que perdem o sentido quando "sem sentido" deixa de ter algum sentido, ou passa a ter algum sentido?
Ahnnnn????? Sono, 2 pra 1... Balada hoje? Será? Fantasia de quê?
O quê???!!!
18.8.03 :::
Último fim de semana, encontro para respiração holotrópica de sexta para sábado. Acontece que a respiração holotrópica foi totalmente pervertida em respiração "canabicotrópica", bom, funciona. Algumas coisas foram pro bloco de notas, inclusive a overdose de gorgonzola:
"O gorgonzola é o fungo-mestre!
Overdose de gorgonzola.
Fungos são todos psicodélicos.
Incorporamos ao comê-lo, sua condição essencial de matéria animada. Daí a sua energia a vir conosco também."
Busílis
"Mestiçagem Ideal:
Russa, Italiana e Japonesa.
Porque não?"
Busílis
"Senador Moreira Lourenço Matreiro Junior" (Sato tentando lembrar o novo nome do aeroporto de Guarulhos, Senador Eduardo Franco Montoro Filho)
"VRUIL" (energia do futuro que move as espaçonaves alienígenas e que será, no futuro, a única fonte de energia)
"Aposto que nas estatísticas econômicas a favor da legalização da maconha não está computado o gasto dom Tuias Holandesas. VRUILLLLL!!!!!" (Tuia Holandesa é uma espécie de árvore, tipo um pinheiro, da qual compramos uma muda no supermercado e batizamos de Vruil Pitchka (pássaro em búlgaro))
Incensenseiciador
"Todo mundo ocupado em seu mundo-próprio não percebe que não percebe o próprio mundo!!!"
Incensenseiciador
"Esta é a verdade última das coisas."
Incensenseiciador
"- Sei, sei...
- Oba!"
okoL
"Tudo se explica quando o bruxo okoL [lendo a revista Wicca que o Busa comprou (sic)] revela que o poder mágico da coruja é observar inimigos ocultos."
"ZÉ RAMALHO IS GOD"
Incensenseiciador
"- Diga
- Ah mano, todos ritual aqui precisa de outro bruxo, porra!"
Bruxo okoL
É, foi só isso que aconteceu. Mas aí depois aconteceu uma sessão religiosa de ayahuasca que foi incrível. Sem danças, todos sentados ouvindo as chamadas do mestre e música no rádio.
Dentre as várias viagens, ficou claro pra mim que o essencial do humano é aquilo que ele pode fazer consigo mesmo utilizando no máximo as próprias mãos. Tá, essa viagem foi inspirada na necessidade que eu tive de utilizar meu dedo na minha garganta, mas tudo bem. E ficou uma frase na minha cabeça:
"Felizes aqueles que choram, pois eles serão consolados."
Parece que a frase é de Jesus, algum sermão, mas eu gostei dela assim, solta e pronto.
Caetano, acho que aquela anotação não foi uma mensagem secreta direcionada a você, pelo menos não conscientemente. Mas se serviu pra mobilizar algo em você, ótimo. Fica sendo um Segredo nosso.....
Mais anotações do caderninho Zen do Busilis, essas são as últimas, da nossa temporada no Guarujá:
"27/07/03
Guarujá
Turquia, séc IV, Igreja de São [???]
"Busilis encheu a cara com destilados de alcachofra.... tsc, tsc...."
SATO
"A cola não é nada
apenas instrumento
o espírito navega
puro pelo ar
puro pelo céu
puro pelo amor
como folha a se mover
com o clamor dos ventos
galhos leves e móveis
folhas nascem e morrem
lágrimas caem, risos se soltam
'viver é simplesmente um
grande balão;
voar, no céu azul
é a missão!'"
SATO
"Não esqueça de quando ler isso, Tiago, saber que você está certo!!!!!" [Essa é a que eu mais gosto]
SATO
"Isso já é um ritual do pequeno daime, vocês é que não perceberam..."
SATO
"Isso aqui é lindo, rapaz....
Não tenho como negar que isso é bom...
Só ficar só no universo
Amar a-falta-de-barreiras
entender o sofrimento
poder compartilhar tudo, entender tudo...
O que digo não é o que sinto...
Como posso ser tão amplo?
Nenhum argumento desfaz o que sinto...
E estou consciente do que sinto, isso que importa...
Isso o quê???
O amor é tão puro...
O que nos move é outra coisa...."
SATO
"Erro da mente
Penso bastante
Teria o Busílis um caso secreto maçônico com a B..??????????
17.8.03 :::
Antes de mais nada, o final das anotações do Bloco de Notas do Guarujá - Quarto e Quinto Dias:
(depois eu falo sobre respiração holotrópica e ouasca)
"Diário: quarto dia
Nada mais faz sentido [de novo essa frase]. O nível de interação se asemelha à psicose compartilhada. A chegada dos caras transformou tudo em uma loucura ainda maior. 3 pessoas levam a um tipo de interação bem diferente de um grupo de 5 loucos e o Pinguin. Os caras discutem mulheres e as viagens de ontem, sobre mulheres. No meio da conversa, leitura da revista das bruxinhas, aparece um pacote de pipoca. Vamos para a praia. O óculos do André some e acham que fui eu que guardei bem demais.
"Ah, o mar"
- Não é que nada faz sentido, é que tudo já aconteceu, enquanto acontece ou ainda vai acontecer, então deixa de haver progressão, deixa de haver direção, deixa de haver sentido." (Incen...)
"- A vida não permite, não tem tempo para testes. Só dá tempo de acontecer uma vez.
- Impossível recuperar o tempo perdido. Pode-se aproveitar melhor o que lhe resta." (Incen...)
"O gás chegou, a cola está ai, tem Smirnoff Ice na geladeira, vi duas ninfetinhas na praia." (Busílis)
"Ritual de hoje: cola e macarrão.
Tiago: "Não vai se apaixonar, hein?!"" (Busílis)
"Quem ensina, ensina o que precisa aprender, quem dá conselhos, diz o que tem que ouvir." (Sato)
"Era uma vez seis fungos:
fungo-mestre, que comandava a todos sem no entanto comandar;
fungo-servo, que servia a todos sem no entanto servir;
fungo-bobo, que era bobo sem o sê-lo (!?);
fungo-morto, que em vida representava a morte;
fungo-bel, que dispensa explicações e
fungo-fungo, que era fungo e fungo também.
Porém, e sempre há um porém, o sétimo fungo:
fungo-x, que ninguém via ou ouvia ou sentia.
[notação de pauta musical] --> fungo-Creuza" (Busílis)
"Tudo e todos são espelhos." (Sato)
"Último ritual do Guarujá:
Ata coloquial número pringles.
1. André jaz deitado.
2. Gui e Buza jazem sentados, cheirando.
3. Beto reconhece Beleza Americana, cheira e bebe smirnoff ice.
4. Pingun transcendeu?
5. Os drogados não se cansaram.
6. Gui parece a Dani falando, que vergonha.
7. Pausa pro pão de queijo.
8. Gui não sabe falar.
9. Tiago trái o movimento.
10. Beto quebra a estante (não fui eu desta vez!!! [Busílis])"
"André fica com soluço.
André peida.
Guilherme começa a rir compulsivamente.
Beto fica imitando o André.
Gritam Pinguin um monte de vezes.
Começam a falar em baleiês.
Beto imita o Silvio Santos.
Beto imita Wagner Montes.
Beto imita a Fudidinha.
Pausa.
Beto quebra todos os vasos.
Beto pergunta o que aconteceu com o vaso (3x).
André responde: Caiu!!" (Pinguin)
"Trá-lá-lá!
Beleza Americana!" (Busílis)
"Não sei porque tento escrever.
Acho que devíamos comprar um gravador.
Eu quero comer a ...
Eu não não sei." (André)
"Nada faz sentido.
Matrix.
Não sei o que está acontecendo." (André)
"Pulmão = Saco = [desenho de coração]
Eu sei que vou estranhar depois." (André)
"To sentindo tudo formigando." (André)
[série de rabiscos bizarros do André]
"Nada faz sentido..." (André)
"Quinto dia:
Eu não aguento mais saber tudo!
Eu não aguento mais que destruam a minha casa!
Eu não consigo não dormir.
Eu não aguento mais sonhar.
Eu não aguento mais ouvir sobre I.P. Ela é só um nome para todo mundo substituir os nomes que querem falar.
Eu quero uma namorada (alguém se disponibiliza).
"Todos precisam aqui, até o André que precisa deixar de ser carente" (conclusão do Tiago)
Nada de cogumelos." (Incen...)
"Na verdade mesmo, ninguém vai ficar realmente satisfeito com uma namorada...
Essa carência é mais profunda." (Sato)
"- Tiago não conta a profundidade da carência nem fica de 4, o que não resolve nada.
- Porque eu não lembro os meus sonhos bizarros? Como eu posso sonhar tanto?" (Incen...)
"- Acho que o Tiago e o Gui são gays e só se realizarão quando um comer o cu do outro." (Pinguin)
"- Acabei de falar que isso não ia resolver nada!" (Incen...)
"- Ah, finalmente o segredo, não é outra pessoa que resolve sua carência, diz Tiago." (Incen...)
É isso, na sequência virão as parcas anotações das sessões holotrópicas e depois as incríveis impressões sobre a ouasca, ayahuasca, chamem do que quiserem...
14.8.03 :::
Talvez eu mande ainda hoje os dois últimos dias do bloco de notas, mas por enquanto só vim pra dizer outras bobagens.
O aniversário do Padre é no mesmo dia da explosão da bomba de Hiroshima, o que explica sua nipofilia, quiçá, mas foi também no mesmo dia em que o Roberto Marinho morreu e no mesmo dia em que o SBT deixou de passar Chaves, um dia pra ficar na história. Hoje eu descobri também que Adorno nasceu em 11/09/1903, logo, no mesmo dia no atentado terrorista das Torres Gêmeas. Incultos, Adorno é um dos mestres da Escola de Frankfurt. Bom, coincidênxcias (sincronicidades) são boas pra deixar as coisas ainda mais interessantes...
SIC
12.8.03 :::
Hum, por que não? Mais anotações do Caderninho Zen do Busilis! Acho que as últimas anotações também são da viagem ao Guarujá, mas quem pode ter certeza? Lá vai:
"Parece, que é tudo muito estranho... Também o que dizer?? Dia fora do tempo... A difícil descoberta de que não tenho mais nada pra descobrir... Apenas devo existir. Devo??? Devo o que????
O tempo spakaty
Porquê se se.... .. ah
Se o amor fosse assim ah deveras seria então uma luta de paixão entre tantos senões malsãos haverá solução? Irmão!!! Pq duvidas??? O que se diz é apenas a memória, parece que não há exacerbação, nem sexo que seja, apenas um grande vazio no peito... Que sexo o preencheria?
Parece que não, parece que não
Já sou um escriba da cola."
SATO
"O que se escreve não se diz dessa forma, pq? Parece que de tanto sonhar o homem se perde se esquece no correr do tempo, hoje é sexta dizem, dizem tanto, e não posso saber o que dizem, quero ser, quero ser, quero estar em PAZ, RAPAZ!!!!"
SATO
"Estultices
[desenhos psicodélicos]
Quem se mete com engodos, não pode querer nada mais do que engodos! - disse o cheirador de cola para o Andrezinho...
As coisas moodam"
SATO
"Ahhh..... xiiixh
Ha! sh, sh, sh....
Hush cake
Ah! Xixi!!!
Há chiche???
Haxixe
Haxixe faz vc voar! Mas estou cheirando cola"
SATO
"ocirtémissA
Cola,
cola,
cola!
Não
fure
a
sa
cola!
Admirador X da questão Será o Pinguin
Isso é um pré-colóquio pacal votaniano maia
Pacal nº1: Sabe, as coisas como ela são acabam acontecendo sempre!
DÊ JÁ VU!
Luz amarela faça o coração de todos derreter como manteiga azul."
SATO
[acho que nada disso era no Guarujá, fica pro próximo texto, isso aí é tudo do dia fora do tempo na casa da Lets]
11.8.03 :::
Segue a infame e sem nenhum sentido série Bloco de Notas do Guarujá - Terceiro Dia:
"V Colóquio do Gui: [da onde o Busa tirou esse número? Quiçá?]
A coisa vai bem. Tem bosta na frente da casa e, possivelmente, cogumelos!" (Busílis)
"As religiões oficiais não proporcionam, não se preocupam em proporcionar e muitas vezes desdizem e proíbem as experiências religiosas!" (Incen...)
"O espírito e a matéria são dois pólos de uma mesma força, e apenas a "posição" do observador decide se há matéria ou espírito. Não há direito sem avesso, alto sem baixo, exterior sem interior, espírito sem matéria, etc. Uma cois só é matéria ou espírito em relação a outra coisa. E ainda aqui, minhas experiências fora do corpo provaram-me que estas palavras não são senão termos que significam uma analogia, uma maneira pela qual as coisas se revelam a nós, e mais nada. Não cometamos o erro de esquecer sua relatividade." (Jeanne Guesné, citação, mas quem é tal pessoa? Tá num livro do Pierre Weil, Antologia do Êxtase)
"É um erro de apreciação que faz descobrir um hiato imaginário entre um mundo que chamamos "exterior-objetivo" e um outro "interior-subjetivo", uma vez que eles constituem precisamente, os dois pólos de um movimento perpétuo, onde um provoca e determina as emoções e os pensamentos dentro do outro. (...) Sua aparente dualidade é resolvida na tomada de consciência de sua interdependência." (Jeanne Guesné)
"Diário: Terceiro Dia
Estamos em um nível de consciência e realidade elaborados do ponto de vista da distância e da maior transpessoalidade em relação à realidade cotidiana. Somado a isso, eu e Tiago viemos de um outro estado também bastante elaborado [Trancendence + Alto Paraíso]. Parece que o ambiente, ontem, não deu conta de conter a viagem do Tiago, tudo bem, ele já está conseguindo elaborar isso. A chegada dos caras hoje vai amenizar a intensidade da energia no ambiente e construir um novo sistema de inter-relações. A "Antologia do Êxtase" de Pierre Weil ajudou bastante a compreender as sensações e angústias relacionadas à possibilidade da transpessoalidade e me ajudaram na elaboração do meu conceito de religião (experiências religiosas)" (Incen...)
"Porque é que tem uma roleta na varanda, no chão, desde que a gente chegou?"
"Considerações sobre a realidade + ou - transpessoal:
A falta, ou melhor, o baixo contato com a realidade externa, fora da casa e do grupo, constrói um grau de consciência, inter-consciência, "trans-consciência" ou talvez "trans-inconsciência". A força do grupo se dá também pela assunção clara de papéis por parte de seus porta-vozes. Para que tudo dê certo, o equilíbrio do todo precisa coadunar com o equilíbrio das partes. A resultante do sistema não varia, ou pouco varia, mas a relação dos integrantes é, deve ser, dinâmica e sempre a favor da individuação." (Incen...)
"- Os Caras estão jogando pôquer. Falei c/ a Carol e ela não conhece nenhuma fonte. Mas foi legam ouvir a voz dela, maciae acolhedora. Estão, os Caras, apostando dinheiro. Pinguin vai fazer o macarrão. Vamos à praia à noite. As bostas vão brotar, talvez." (Busílis)
8.8.03 :::
E com vocês a segunda bizarra parte do Bloco de Notas do Guarujá - Segundo Dia: (é comprida, mas tem coisas interessantes, eu acho, e dá pra ler aos poucos)
"É muito fácil conseguir histórias da vida das pessoas quando se está louco de ácido. Acho que elas sentem a abertura, sentem algo e o LSD ajuda a falar as coisas certas para estimular a fala. Só foi testado com psicólogas (estudantes), aliás, acontece espontaneamente. Não é manipulação sádica, é sempre sincero. Mas tem coisas que só mesmo o ácido permite aguentar ouvir e se divertir sem ser mau, sádico ou menos sério!" (Incen...)
"1 A Sublime Sensação:
Depois das primeiras baforadas, antes da loucura, sou tomado por uma sublime sensação de leveza, praticamente levitação. Realmente parece que estou sendo dissolvido e me transformando em um ser gasoso. Isso por si só já seria o suficiente para elevar a cola ao nível de droga boa [sic], viciante, porém, altamente destrutiva. Acontece que esse é somente o primeiro, passageiro e mais efêmero estado. Após isso a compreensão torna-se difícil. Alternam-se estados de total inconsciência, que não são bons pelo fato de não se lembrar nada deles, sendo que as outras pessoas podem lembrar, com estados onde a consciência, perdida, é banhada por conteúdos inconscientes crus e pela infinita sensação de repetição e de que tudo tem um estrito sentido circular, que, na verdade, não faz o menor sentido! [assumo que isso é realmente bom, mas bah, é grotesco] Quando tudo está tranquilo isso pode ser ótimo e as viagens que ficam na memória e nas anotações (é sempre bom ter onde anotar coisas) podem levar a conclusões incríveis, inclusive sobre auto-conhecimento. Infelizmente é a regra do muito bom, faz muito mal. Cuidado" [realmente, é bizarro] (Incen...)
"2 Tentativa de Respiração Holotrópica:
- Lia Grof, a explicação de sua técnica de respiração terapêutica [que substituiu o LSD em suas pesquisas]: hiperventilação e intensidade. Ora, porque não? Comecei, pulmão cheio, regras da boa respiração, todos os músculos envolvidos na ordem certa, velocidade acelerada, difícil. Deitado fica mais fácil. Formigamento na cara e aumento da intensidade da respiração. Em um momento minha cara ficou tensa, minha boca travou em forma de sopro e meus olhos se tensionaram semi-cerrados. Movimentos desconexos do corpo, comecei a me balançar no sofá, como se esperneasse, abracei as almofadas em posição fetal e continuei, cara tensionada, difícil de falar, apertei as almofadas, voltei a respirar normalmente, olhos molhados pela tensão, relaxamento progressivo de olhos fechados, cara formigando, a sensação, sem conteúdo psicológico definido, remetia a feto e nascimento. Estranhamente bom." (Incen...)
"3 Qual é o princípio da respiração Holotrópica?
Ela causa alterações fídicas que estimulam ou causam alterações psíquicas. Tudo que altera a percepção do corpo altera a consciência. Consciência é também consciência de si. A respiração é a história da nossa vida, cada momento básico esteve, está e estará acompanhado de sua respiração específica. Mais do que isso, as limitações na respiração limitam as possibilidades emocionais, de ação e de reflexão nas diferentes situações. Ela é um estimulador direto e ativo, além de um mero reflexo do estado de espírito. É responsável em parte pelo orgasmo, pelo nascimento, pelo relaxamento, pela saúde ou pelos seus opostos. Logo, é um ótimo mecanismo de investigação psicodélica, quando provoca alterações no estado psíquico. A hiperventilação provavelmente está associada à plenitude, à tensão/relaxamento, ao nascimento, ao sexo..." (Incen...)
"Diário: Segundo dia.
- Um copo de Noz-moscada: parece que nada aconteceu ainda (+ ou - 30 min)
- O Sol saiu e no "adubo" do jardim despontam pequenos cogumelos. Vamos esperar e torcer. A última chance é o pasto, que descobrimos agora. Sol decepcionou, noz-moscada também: "muito leve" = nada?"
"- Nenhum cogumelo à vista.
- Noz moscada: BAH!
- Lâmpadas não são eficientes para estimular o cresimento de fungos" (Incen...)
"- Ouvimos Gilberto Gil, levitador.
- Esperamos Busílis voltar para o início da nova rodada de trabalhos cerimoniais...
- Talvez devêssemos escolher um tema para o ritual de hoje...
- Não é fácil pra nós cumprirmos os papéis de xamãs na nossa sociedadengodo. Precisamos descobrir tudo intuitivamente. Enquanto achávamos que estávamos entrando num mundo proibido de prazeres pecaminosos com psicoativos, acabamos descobrindo, surpresos, a dimensão do sagrado.
- Uma enorma libélula (dragon-fly) verde sobre o caderninho zen. Humm...
- A libélula está tentando abrir o livro.
- Busílis retorna - com compras!
- Ele comprou uma revista de bruxas japonesas. [não são japonesas, Sato]
- Vale a pena colar na escola?" (Sato)
"O que está acontecendo?
O que está acontecendo? O quê? O quê? O quê?
Estou fumando maconha. Eu não entendo o Busílis. Eu não entendo nada. Quem sou eu? Quem sou eu? O que está acontecendo? Que porra é essa que a gente cheira? Nada faz o menor sentido. Qual é o sentido? Eu não vou mais escrever.
O que é que eu quero? Porque essas perguntas me vêm à cabeça? O que está acontecendo?
Existem pessoas, existem pessoas aqui. A música toca, Ozric Tentacles, mas o que está acontecendo? Porque é que eu cheiro cola? Isso não acaba com tudo? Com tudo o quê? Quem são essas pessoas? Nada faz o menor sentido. Porque é que eu estou escrevendo? Alguém me explica alguma coisa. Onde é que eu estou? Pergintas idiotas, entende? Qual é o problema? De onde vem tudo isso?" (Incen...)
"O que faz sentido é a falta de sentido. O imedi_
Cheguei no ápice.
Qualquer coisa me destrói, qualquer coisa sinto na minha carne.
Sugestionabilidade suprema, cheguei no mais baixo nível humano...
Louco como nunca antes.
Louco.
E ninguém chega, que importa?
Onde está tudo, quase explodi, tudo dá medo, o que é essa psicose? Pq as pessoas não nos ajudam??
Que surto! Perdi toda noção, fui até o inferno, até o inferno, sofri, sofro, sofro, acham que faço isso porque é prazeroso, mas o que é o prazer?
Minha memória se derrete...
Pra que tanta preparação p/ vida?
Pq ir nos opostos pra entender
Nos polos longes?" (Sato)
"E agora?
Parece que atingimos a essência da natureza humana, o nada. VIVA O NADA.
Imagem possível para o nada: Tiago batucando em mesa de vidro. Busílis deitado, cheirando. Guilherme escreve." (Incen...)
[Sequência de ótimos desenhos do Sato]
"Então é isso que acontece!!!!!
23:04 Toca Atom Heart Mother como se nada tivesse acontecido!" (Incen...)
"Ritual Musical Psicodélico de Renascimento:
Noite:
- Duas velas acesas. Incensos espalhados.
Atom Heart Mother: O nascimento precisa de muita luz, o nascimento é a luz.
Echoes: O mundo sou eu e eu sou o mundo.
- velas apagadas no trecho dos "fantasmas": eu obscuro, desconhecido. Manter incensos.
- uma vela acesa no fim dos "fantasmas": sou eu que faço a luz e a escuridão, eu posso levar ao equilíbrio. Incensos.
Alan's Psychedelic Breakfast:
- amanhece. Velas apagadas: hora de acordar e se preparar para o mundo.
- amanheceu: Sol (luz acesa):
Close To The Edge: Pule quando estive pronto para voar!" (Incen...)
7.8.03 :::
E agora, sem mais delongas, estréia a transcrição completa do bloco de notas mais colado de todos os tempos, mais bizarro, mais sei lá também, o Bloco de Notas do Guarujá - Primeiro Dia: (o que não for assinado pode ser considerado de domínio público)
"80são, 20 buscar 100 remorso" (sic)
"Estréia do Bloco de Notas oficial da Nova Bulgária"
"1: cola!"
" - Aqui estamos. (?????) destes lugar ermos, vejo que o meu (?????????) não está deterio-------
Chuiunn
E o retorno do CS!
"O Busílis é ótimo."
"Minha vida é uma pilhéria
Dizem que sou mau amante, acho que sou mau amado."
(Creuzinha)
"Não to entendendo mais nada"
"O Busílis é deus."
"O que está acontecendo?"
"Nesse imenso salão!"
"Por favor"
"3 latas"
"Não sei o que está acontecendo!" (frase minha repetida mil vezes)
"Não me olhe como se a polícia andasse atrás de mim.
Dom de Iludir
Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?" (Creuzinha)
"Quem são essas pessoas? Vale a pena viver sem se entorpecer?
Socorro
Quem é você? Essas perguntas não aparecem no nosso cotidiano.
Isso não faz o menor sentido.
Eu não entendo mais nada.
Eu não entendo mais nada.
Como eu posso escrever com uma letra que nem eu mesmo entendo?
Acho que eu não sei mais escrever!
Eu não entendo mais nada!
As pessoas não fazem o menor sentido!
(Incensenseiciador)
Peço aos leitores que têm em alta conta sua própria sanidade e seu pequeno ego bem ajustado à realidade socialmente determinada que pulem esse post. É, porque tenho em mãos agora o incrível Caderninho Zen para Anotações de Colóquios do Busilis, e pretendo publicar algumas pérolas escritas em variados momentos, sempre sem o auxílio de qualquer tipo de consciência ordinária. Infelizmente, em respeito a algumas pessoas citadas, terão algumas censuras. Vamos lá:
"Jean Piaget é um monge da matemática"
Incensenseiciador (acho)
"Aqui é o quarto da Letícia....
A questão é descobrir que nem todo mundo viaja como você
Será? Dirão.... Eles, os filisteus, filigranas --> Dirão as bacanas! Pequenas bacaninhas --> Aborrecidas em seu ócio! Despertam os anjos! Pq tantas perguntas?
Projeções definem o mundo!
Max define o mundo (entre outras coisas)
Vcs acham que vai ter algo de importante aqui, que isso representa meu inconsciente... Pobres coitados, nunca estive tão consciente.... [essa é incrível]
Parece que a ................ faz cursinho gostosa diz o vitu
Nada de anormal nesse estado... Escrevo pensando em rir disso amanhã
Parece que o tempo está fora do dia [era no dia-fora-do-tempo do calendário maia...]
Enquanto eu mimetizo antigas experiências --> quem se importa afinal? Eu digo MU!!!
Perdido nesse quarto obscuro com amigos loucos... Seriam eles espontâneos???
Pq o prazer de escrever???
A quem espero enganar??
LIVRE???
Cadê o Loko? Cadê a cola?
Cadê o amor q aki esteve??
O Victor liga do orelhão!!!!!!!!!!!!!!!!!
Não mais esquecido de tudo!
Ele volta
Não se apegue ao que já teve???!!!!!
Quem é Maria Joana
Ninguém sabe o que quer!!
Problemas infantis do Vitão invadem minha mente!!!!!!!!
O sofrimento de ser mais consciente é ser mais exigente...........
Quero viver, amar, quero tantas coisas tbém
Cadê o Busilis que eu nunca encontro
Chega um dia meu filho, que todos os ônibus acabam.. E aí o que vc vai fazer, hein???"
SATO
"O mundo não parece se satisfazer! Pq???????
Xamu Xamusca Xamã
Ritual sombrio e quieto.... Dentro do seu interior...."
SATO
"Pacal Votan!
Entorpeça-se nas torpes regiões..."
SATO
Ha! Tem coisas que insistem em cutucar o fundo de nossa alma da mesma maneira de sempre. Que coisa.
Parece que finalmente tivemos uma aula decente, Relações Humanas II, graças a ela aprendemos que o que move o homem é o amor. Hum, o que eu posso pensar disso? Err...
6.8.03 :::
Ahhh... Essa coisa boba de vir postar alguma coisa, só postar alguma coisa. Alguma coisa quer dizer alguma coisa ou não quer dizer coisa alguma? Hummm, um joguinho idiota de palavras. Logo mais eu vou dormir. Repito e insisto que meu inconsciente é mais inteligente que minha consciência. Que tudo é melhor do que nada, mesmo sendo a mesma coisa.
Eu disse hoje que acabo sempre me apaixonando toda semana, mesmo que não seja nada, absolutamente nada, acho que isso ainda vai se tornar uma verdade. Por um lado até parece divertido!
Que blog...
Incensenseiciador
ps: Talvez, para algumas pessoas, esse blog seja o mais próximo de um inconsciente que elas vão chegar. É triste, eu sei, mas por outro lado...
5.8.03 :::
"Finalmente entendi também porque existe aquele modo de andar torto pra trás que caracteriza o estilo dos anos 60/70 em filmes e desenhos, é como as coisas se passam quando você anda."
O sr. Incensenseiciador disse isso pra descrever sua percepção do mundo durante a Trancendence, num post abaixo. Eu achei no velho Caderninho Amarelo um desenho que eu fiz na primeira vez que fomos pra Alto Paraíso, que parece descrever pictoricamente o que ele quis dizer. Embaixo, a frase: Your body is a nightclub, as well as a temple.
Essas são as The Non-psychedelic Adventures of Sato through Engodo-Land! Capítulo de hoje: o mundo encantado do sistema penal brasileiro.
Talvez alguns de vocês não saibam, mas sou uma ameaça a segurança da sociedade. Sim, as leis foram feitas pra tirar de circulação seres inúteis (useless) e perigosos, e parece que eu sou um deles. Há uns meses, fui intimado pela justiça a comparecer perante um juíz, para responder pelas minhas faltas e pecados. Sim, talvez vocês fiquem chocados, mas há três anos atrás, o carro em que eu viajava voltando de São Thomé foi parado arbitrariamente e revistado em Três Corações. Confesso que encontraram uma certa substância vegetal altamente perigosa na minha mala - ainda bem que os policiais de lá me pararam, já imaginou o que poderia acontecer a pacata cidade de Três Corações, terra do Rei Pelé, se não tivessem impedido que um carro portando 0,33 gramas de maconha passasse por lá?? Continuem com o bom trabalho, rapazes!
Isso dito, era hoje (três anos depois!) que eu tinha que comparecer para uma audiência no Shopping Center, digo, Fórum Criminal da Barra Funda. De repente, me vi vestido com uma bizarra roupa-engodo (sapato, camisa, paletó...), acompanhado por dois advogados, numa obscura sala de espera do fórum. Atrasou, claro, o que me permitiu ouvir variadas e sortidas conversas sobre o incrível mundo do direito, inclusive a história do delegado que tinha uma amante delegada, mulher de outro delegado, e que foi assassinado, mas já arrumaram alguém pra ser preso, ainda bem, sem escândalos maiores, né? Mas, olha como é a vida, um dos advogados era um típico advogado-engodo (sic) normal, até gente boa, mas o outro era bem mais interessante. Claramente mais inteligente e tranquilo, tem como hobby o hábito de fazer palestras sobre terapias alternativas, ufologia, e esoterismos em geral. Conversamos sobre gurus indianos, inclusive o Avatar Sathya Sai Baba e o Osho. Interessantíssimo, diria um amigo meu.
Fomos na sala de audiência, um juíz visivelmente prestes a ter um colapso nervoso, por detrás de três grandes pilhas de papel, mal olhou pra mim, resmungou algo do tipo, "não tô nem aí pra isso, vocês façam como queiram, o caso é de Minas, não quero saber de nada, acho aliás um absurdo...". Então, em menos de dez minutos, aceitei a proposta da promotora (pagar uma multa para a edificação de um prédio da polícia militar em Três Corações e fazer um acompanhamento psicológico preventivo) e fomos embora.
Logo em seguida, entrou um outro caso, o juiz brigou com o novo advogado logo de cara, e começou a interrogar um sujeito que havia sido pego com 70 quilos de maconha.
Que maneira de passar o dia! Mas foi muito instrutivo, e reiterou a enorme fé que eu já depositava no sistema judiciário. Fim do capítulo.
Ontem eu me dei conta de que eu fazia coisas muito podres, como cheirar cola. Embora tenha sido muito divertido e extremamente proveitoso do ponto de vista espiritual (sic), em grupos seletos, locais apropriados (??) e músicas escolhidas a dedo, é podre (mas não é pior do que cheirar pó). Isso também não vai me impedir de publicar as anotações da viagem pro Guarujá, resultado do intenso consumo do tolueno, mas o meu último insight é o de que permanecerei agora nos alucinógenos, as drogas que não chegam a fazer mal (pro corpo e pra mim, podem fazer mal pra muitas outras pessoas e coisas, depende delas), além de proporcionarem tantos momentos divertidos. É isso...
4.8.03 :::
Bah, Usina do Som agora é pago, acabaram-se as rádios do blog. Não sei se alguém chegou a abrir alguma vez qualquer uma das rádios, mas agora nem a possibilidade existe mais.
Hoje começaram as aulas, mas isso não tem a menor graça, de resto:
- Esta noite não consegui dormir por causa de uma batelada de motivos, inclusive o fato de eu ter vivido uma experiência transpessoal, de êxtase. Entenda por isso o oposto da psicose. Psicose é o sofrimento da ausência de consciência da inconsciência, êxtase é a consciência de sua própria ausência, em prol da inconsciência e da transpessoalidade, a experiência do todo. Em 6 horas de experiência pude re-significar boa parte dos momentos marcantes da minha vida, tive um milhão e meio de insights, fiquei horas conversando com meu corpo, ou melhor, aprendendo seus sinais, incrivelmente banais, absurdamente significativos, tristemente ignorados a maior parte do tempo pela maioria das pessoas.
- Dentre as milhares de conclusões, ressalto algumas bizarras como a que diz que Os Simpsons é um programa incrível, obra de um gênio, e uma que diz que o número pi remete ao caos que é o Universo, pela sua aleatoriedade, pela sua irracionalidade e pelo fato de ser a razão entre o diâmetro e a circunferência (razão irracional, diga-se de passagem), sendo o universo uma circunferência infinita e com o centro em toda a parte.
- Hoje reli o bloquinho de notas do Guarujá. Achei meio forte, não sei, mas parece que ainda está fermentando, maturando ali no armário, depois é que vai ser publicado.
- Esqueci como escrever 99,9% dos insights que tive na última noite.
- Teria tudo pra dizer, quem sabe depois que eu dormir e minha consciência organizar tudo de uma maneira mais "convencional".
2.8.03 :::
Acho que vou contar aqui a experiência mais forte que tive nessas férias. Olha que tive um bocado de experiências intensas, de vários tipos, mas essa foi a mais forte e, talvez, a mais significativa e com maior poder transformador.
Primeiro um rápido preâmbulo, que é uma coisa que me ajudou a entender a experiência, que foi bem depois disso. Lá em Alto Paraíso, no pequeno refúgio da Sampatti, amiga e companheira musical do Sol, acho que ela é a dona do Kaliandra, a gota acústica onde rola a música meditativa e xamânica e o som do silêncio, explorando estados sutis da consciência, como diz o cartão que ela me deu - enfim, lá no refúgio dela, tinha um tarô indígena norte-americano muito interessante. A carta que eu tirei era A Morte do Xamâ. Tinha um livrinho que dava uma interpretação. Parece que essa carta representava a experiência arquetípica de morte e renascimento, uma experiência que era essencial na formação do xamã. Lá dizia, que, em uma determinada tribo, os jovens que eram selecionados para o treinamento para serem Xamãs, tinham que passar por um ritual. Era assim: o pretendente a curandeiro era enterrado em pé na terra e só sua cabeça ficava de fora. Ele ficava no meio da tribo, sem comer e beber acho que por um ou dois dias, e todo mundo na tribo tinha que ir até lá e xingá-lo, cuspir, mijar, cagar perto dele, talvez até jogar coisas, enfim, mostrar seu escárnio por ele. Basicamente, todo o ego do rapaz acaba sendo fragmentado, tudo em que ele se apegava perde o sentido, ele entra num desespero total (não avisam quanto tempo vai durar a coisa), entra nas agonias impensáveis. Se ele conseguir renascer depois dessa morte, estará pronto pra continuar seu aprendizado. Parece que muitos não conseguiam, e ficavam desequilibrados e psicóticos para o resto da vida, mas aí a tribo cuidava deles pra sempre, também. Mas só quem passou pelo surto, pela desestruturação, por essa morte simbólica de tudo que ele acreditava, estava apto a ser um xamã.
Enfim. Depois que voltei do Alto, fomos pro Guarujá, nos submeter a grandes quantidades de tolueno por um período grande de tempo. Nessa loucura toda, em um momento, minha mente deu um estalo, e eu comecei realmente a acreditar que toda minha vida tinha sido uma mentira, uma grande farsa, uma grande conspiração, e todas as pessoas que eu conhecia estava só fingindo serem quem eram, e eles tinham algum objetivo secreto em me fazer passar por tudo isso. Eu realmente vi e ouvi o Guilherme me confirmando tudo isso, foi uma alucinação tão real que eu não pude fazer nada além de acreditar! Tudo em que eu acreditei, todas as pessoas que eu amei, tudo era falso, tudo havia sido feito pra me enganar e por algum motivo, agora estavam me revelando tudo. Não sabia porque tudo isso tinha sido feito, ficava perguntando o que vocês querem? o que tenho que fazer agora? Mas o Gui e o Busa, agentes de toda essa conspiração, não me respondiam (estavam tentando me ajudar, na verdade (na verdade?)) O mesmo tipo de coisa que falam no Matrix e no Truman´s show, sabe? Só que eu nunca senti tanto medo na minha vida, chorei, tremia, fiquei totalmente desamparado, sem saber o que fazer, não tinha nada a fazer, totalmente desamparado como um bebê abandonado. Lentamente, e com dificuldades, fui me recobrando, mas pelo menos até o dia seguinte, fiquei com medo e na dúvida do que era verdade ou não. Foi um belo surto psicótico.
O que é bem diferente de uma psicose. O Laing diz que o surto psicótico é um mecanismo de defesa contra a psicose. Eu entendi isso na pele. Assim como os xamâs entendiam. Depois, num processo lento, que durou alguns dias, essa loucura toda deu lugar a um despertar como eu nunca tinha sentido antes, e que ainda estou sentindo. Parece que só sentindo o Medo em toda sua extensão, é que se pode perder o medo do medo. E isso é incrivelmente libertador. Não tenho como explicar muito mais do que isso.
(Puuuuts, já estou com saudade do humor que esse blog tinha antigamente!)
Escrevi num post abaixo a afirmação um tanto extrema, "entendi tudo." Depois, li no meu livrinho de koans zen: "When one ignorant attains realization, he is a saint. When a saint begins to understand, he is ignorant." Humm.... (reparem bem, o ignorante não está num sentido pejorativo, reparem na lógica circular e no paradoxo da frase).
Antes de falar sobre a continuação da viagem pra Alto Paraíso, relanço aqui as antigas terapias musicais que reli hoje por acaso, quer dizer, por sincronicidade da vida. Podemos dizer que, da minha parte, faz parte (parte, parte...) da série precisamos arranjar uma namorada, consenso estabelecido durante os colóquios do Guarujá IV:
Hummm, fomos direto para o Moinho, o povoado no meio do mato, onde, mais no meio do mato ainda, tinha a casa do Sol. Por lá ficamos uma semana, cozinhando em forno a lenha e panela de pressão, arroz e legumes com maçã. Cantando, todos eram músicos, exceto eu, que sou só brasileiro. Fumávamos maconha o dia inteiro. Passeávamos pelo meio do mato atrás de poços de água cristalina e cachoeiras, na verdade só fomos em duas. Só íamos à cidade para comprar mais legumes e comidas e ficar dentro da gota acústica meditando, transcendendo. Graças à gota e termos desistido de ir no sábado, encontramos a turma da Pri, metade dela, e trocamos e-mail, ah, preciso mandar um inclusive. Sexta tomamos ouasca, ou ayahuasca, como queiram chamar o chá de Santo Daime, ouvindo Shakti, Uakti e o festival de harpas da Dinamarca, ou seria Suécia? Foi um ritual laico excelente, mas a dose foi pequena para meu organismo acostumado a se dar bem com a intensidade. Todos tomaram, menos o Sol, preocupado com o Kaká, músico baiano que estava hospedado por lá também, que era novato e não tomou quase nada, só sentiu uma brisa. Tiago, Manu e Martins, o filho do Sol, tiveram ótimas experiências também. Um dia estávamos na casa da companheira musical do Sol na gota acústica, molhando os pés na piscina de água que vinha direto do rio por uma mangueira e saía pelo outro lado para regar uma horta, um lago artificial. Estávamos eu e Tiago (Sato), conversando sobre a língua divina, lembrando do filme Quinto Elemento e de outras coisas mais, viajando mesmo, quando a mulher me aparece de dentro da casa e diz, "Sabe qual é a língua divina? É o silêncio...". Me ajudou a compreender tudo, isso foi antes da ouasca e foi o que guiou tudo o que eu pensei daquela hora em diante. Minha viagem do chá foi exatamente isso, sem conteúdo e sem forma, o próprio vazio. Isso me ajudou bastante a formular minha própria filosofia de vida baseada no desapego, pelo simples fato de que um dia vamos morrer e será o fim disso que conhecemos. Sim, isso é só o resultado de um processo, não adianta eu simplesmente falar, alguém ouvir e seguir. Sou contra as seitas, quer dizer, não sou a favor de seitas, mas também não posso ser dogmaticamente contra seitas, ou estaria criando uma, se é que me entendem. A questão espiritual é, ou tem que ser, sempre o particular encontrando o geral, o todo. Podemos dizer que o processo é indutivo e a aplicação na vida cotidiana é dedutiva. A idéia de que vamos morrer, então, é uma dedução. Partimos pra Ribeirão depois de uma semana, devo estar esquecendo um monte de coisas. Ficamos um dia em Ribeirão em uma chácara, o pessoal não estava por lá, mas acabamos nem indo atrás, foi uma recuperação de energias. Fumamos e tiramos o tarô do Osho, interessante, mais uma "máquina de sincronicidade" como diria Tiago. Então deixamos Ribeirão, deixamos Manu e partimos para casa. No mesmo dia fui no Ó do Borogodó matar as saudades, terça-feira tem um chorinho incrível, só música instrumental com flauta doce, com a vantagem de ainda não ser moda, como quarta-feira, que tive a grande oportunidade de acompanhar todo o semestre passado quando ainda era apenas um tesouro escondido, maldita mídia, maldita falta de opção, bendita dona Inah. De resto fiquei em casa descansando e lendo Ouspensky, até domingo, quando fomos para o Guarujá, a sequência de nossa epopéia épica (redundante, porém, até bonito) de férias, a sequência, também, dos posts, em breve, está tudo anotado.
Incensenseiciador
ps. Fica a cargo do Sato divulgar as excelentes e primorosas fotos do período do Moinho, um book das gatinhas do Sol, que dormiam em cima de mim, quando o Sato me convenceu de que tinha que dormir no terceiro andar da casa, uma barraca de onde só se observava a Lua, porque é alérgico a gatos. O problema é que além de dormirem em cima de mim, se esfregavam na minha cara, mordiam a minha imensa barba e quando mais longe eu as jogava, mais felizes elas vinham correndo para pular em cima de mim, bah, filhotes...
Bom, eu mandei um post enorme sobre a Trancendence e vai demorar um bocado até eu terminar de mandar tudo que gostaria de mandar dessas férias.
Andei olhando o caderninho que levei pra Alto Paraíso e ele não tem praticamente nada. A única coisa escrita é um texto em volta de uma mandala que eu fiz: "Só estabeleça metas que já foram cumpridas." De resto, um desenho do Sato, da série do iogue taciturno meditante, alguns rabiscos meus, inclusive esboços do famoso teste de personalidade do exame psicotécnico que nós tanto falamos mal aqui, só de piada mesmo, mas minha personalidade se manteve sem muita alteração. Não deu pra fazer o teste durante o festival, quando eu tava pirando, queria ter visto a diferença.
Queria falar, sobre o festival também, o quanto nós ficamos fazendo piadas sobre a "cena". Sei lá, mas cena pra mim é coisa do teatro e fica bem no teatro, esse negócio de cena isso, cena aquilo, não estamos atuando, deixem os atores representarem a vida, o que é ótimo, sempre fui um ator frustrado, mas não atuemos no lugar da vida, que coisa.
Mas esse post era pra falar da minha conversa histórica com a minha avó, relembrando e completando coisas que eu já sabia sobre a história da minha família. A vida do meu avô, comunista, sócio-fundador da casa maçônica da cidade, contador, advogado e professor de geografia, tudo isso sustentando com a ajuda de mais duas irmãs a família de sete irmãos, órfãos de pai. Depois a minha avó, sustentando três filhos, órfãos de pai.
Humm, cortei o cabelo, ajeitei a barba, tô me achando lindo, concordando com a minha vó e meu pai, eh laiá...
Basta...
Vou deixar pro gui continuar contando os fatos concretos das viagens desta férias, mas acho que quero compartilhar um pouco das minhas próprias experiências disso tudo, do meu mundo-próprio. Devo dizer que esse mês inteiro pareceu, pra mim, um grande surto psicótico (é claro, esse é um termo errado - acho que o mais certo é - uma aventura da auto-descoberta, uma viagem interior, um processo de despertar, um processo arquetípico de morte e renascimento, um salto quântico na evolução pessoal, um ritual de iniciação para o mundo, um rito de passagem da infância para a idade adulta).
Não vou poder explicar com detalhes como foi isso. Quem quiser me compreender, vai ter que dar um jeito de passar por algo semelhante do seu próprio jeito. Como disse o Busílis, falando do livro do Max, é um processo onde tudo que eu acreditava é destruído lentamente (e, ás vezes, rapidamente), impiedosamente. Não vou mentir. Isso causa muito sofrimento, muito mesmo, passei o mês meio perdido, vagando por tudo isso, mas sempre impelido a ir mais fundo, apesar do sofrimento, tem algo em mim que tem absoluta confiança em todo esse processo, e em toda a vida e em toda a existência - depois que você entra nos trilhos, não tem mais como sair. Tudo que aconteceu, por mais estranho e bizarro, por mais que eu não entendesse o porquê, por mais que parecesse moralmente errado, TUDO fez sentido como parte desse processo, que parecia já pré-determinado.
Agora, voltando dos intensos rituais de alteração cerebral do Guarujá, depois que cheguei no máximo da desintegração, onde realmente acreditei ter ficado louco, depois, com o apoio dos amigos e das minhas leituras, tudo pôde se reestruturar depois - de uma maneira incrível, nova, finalmente senti como percebendo o sonho da vida, entendi tudo... Uma paz e uma alegria incrível me invadiram, uma confiança. Não tenho como contar tudo, é impossível, eu gostaria muito de contar.... Mas não dá.
Eu sei que um processo como esse é impossível sem um mestre. Sem um mestre, você cai na loucura, e não sai mais de lá, não tem a confiança pra sair desse estado, pra pular do prédio (essa é pra quem viu o filme Vanilla Sky - que é exatamente sobre ESSE processo, não se iludam). Eu tive muitos mestres, e quero agradecer a todos. Vou falar os que eu me lembro agora, relacionados a esse período especificamente, meus encontros com homens notáveis: Meus amigos, companheiros, colegas de viagens, o Guilherme, o Busílis, o Loco (mesmo sem estar presente), o Beto, o André, o Pinguin.... O pessoal de Alto Paraíso, especialmente o Sol. Também, a Sampatti, o Martim, o Kaká, as pessoas na rave, o Júlio e a namorada, a Pri e sua turma, a Gabi, até a Luana.... E, como sempre, a Raquel, muito obrigado... Também outras pessoas daqui de SP, o Henrique, o Tatá, a Sassá, o Marquito, a Lets, a Karu, a Anita.... O pessoal de Ribeirão, o Max, o Ph, a Camila..... minha eterna companheira de explorações interiores, a Manu. Meus pais, meu irmão. Vários animais. E meus mestres, que só conheci pelos seus livros, Ouspensky, Gurdjieff, Stan Grof, R. D. Laing, Jung, Timothy Leary, Alan Watts, Lao-tzu, muitos outros..... Eu AMO todas essas pessoas (e animais), nunca poderei agradecer o suficiente, perdão pra quem esqueci agora, obrigado por serem meus mestres, espero que também tenha ajudado pelo menos alguns de vocês...
Assim que eu postar isso, vai aparecer um post do Busílis do dia 26 que o blogger resolveu não publicar, isso costuma acontecer.
Tenho muitas e muitas coisas pra publicar dos últimos cinco dias no Guarujá com os caras, mas está tudo anotado, então vamos seguir a sequência dos fatos e finalmente falar do começo das férias, ou seja, da viajem para Alto Paraíso e a trancendência, digo, a Trancendence: Bom, saímos, eu e Sato, passamos em Ribeirão pra pegar a Manu, o anjo deslumbrado (tudo fazia os seus olhinhos brilharem maravilhados, incrível), e fomos pra Alto. Chegamos direto no Aeroporto (Aeroporto Internacional da Nova Bulgária D.M.G. (nome do Loco)). Lá encontramos muitas pessoas, inclusive o camarada que, reconheci depois, tinha me vendido MD na Tranceformation. Todos observavam a queimada e o por do sol fumando maconha de qualidade. Voltamos para a cidade, nos instalamos na Pousada do Sol, fomos passear sem Manu, que praticamente dormia com o sol (não, não o dono da pousada, o astro-rei, que também não é Roberto Carlos nem Elvis), encontramos o camarada de novo e fumamos pela cidade. Dois dias na Pousada do Sol, os cachorros continuavam festivos, mas a Gatinha Vesga, Osha, agora mãe de família, foi hostil e não deu a mínima bola para nossa chegada, o triste fim das Aventuras Psicodélicas da Gatinha Vesga, snif. Manu já tinha arranjado hospedagem na casa do filho do Sol, Martins, já que ela não ia pro festival. Partimos e chegamos na festa ao pôr-do-sol do primeiro dia, o som já tinha começado, precocemente. Na entrada encontramos a Raquel, que já tinha me dito que não ia e decidira aparecer um dia antes, fiquei feliz. Nada da Sassá aparecer e também nada da Letícia, que tinha aventado a possibilidade de ir, mas não tinha dado a menor certeza e que eu não sei se saberia reconhecer.
Devolvemos o violino do Sol, que ia tocar no Chill Out. No primeiro dia só ficamos fumando maconha boa e reconhecendo o local. Dia seguinte ganhamos uma pedrinha de maconha e tomamos um ácido Shiva1, muito bom. Encontrei a Gabi, amiga antiga, encontrei a Pri, amiga da psicoPUC com um pessoal gente boa, não deu pra conversar porque ambos estavam muito doidos e achando que não iam ser entendidos um pelo outro. Encontrei mais gente, amiga do meu irmão, duas meninas da minha antiga escola, não fui falar com elas, mas uma tinha sido minha paixão da segunda série, engraçado. Parece que o Sato ficou extremamente incomodado no primeiro dia, desambientado, e queria dar um tempo no segundo dia, no meio do mato, na casa do Sol, onde a Manu estava, era um lugar só com a casa do Sol e do seu filho, que eles mesmo construíram, 12 km de Alto, no meio do nada, com vista para uma chapada incrível, depois de um vale sensacional. Já estava decidido que iríamos partir no dia seguinte quando o Sato foi pegar uma maconha e recebeu uma gota na mão: "Guilherme, acho que não vamos mais pra Alto hoje, pingaram uma gota na minha mão e tive que tomar, vai lá." Eu fui, gota boa, mas a resistência do segundo dia seguido de LSD diminuiu a intensidade da viagem. Foi então que comecei a socializar com as pessoas e que Sato ficou mais integrado ao ambiente e suas regras, (o bom e velho Jogo do Engodo em sua versão Festival PsyTrance de 6 dias), quer dizer, ficou mais desencanado. Conversei com a turma da Pri, eles tinham uma maconha muito boa, falamos do calendário Maia, de viagens de ácido (tinha sido a primeira dela que tinha batido), psicologia, física. Foi um dia tranquilo,fomos pra cachoeira com a Raquel, frio desgramado, não batia sol. Uma menina de 17 anos conversa com Sato e diz que vai arranjar mescalina, balela, sabia que não ia dar certo, mas estava ótimo no Chill Out, em volta da fogueira, no frio da noite, saindo de uma viagem de ácido. Fumei de novo com a turma da Pri e a viagem voltou toda, fui dormir pirando, foi ótimo pra amenizar o desconforto da barraca, do relevo e das pedras no chão. Dia seguinte, o quarto, nada de mescalina, nada de ácido, terceiro dia segtuido não bate nada. Pri queria tomar no dia seguinte, seu aniversário, mas o resto do pessoal tinha tomado e ela quis acompanhar, ficamos de observadores da viagem deles, foi incrível. Nesse dia só fumamos, frequentávamos a pista em alguns momentos, vivíamos de pastel e caldo de cana, tudo era muito caro, e bolachas e chocolates que levamos. Quinto dia, última noite da balada, difícil de arranjar mais drogas, encontro a Gabi com uma amiga nova, Estela, elas me indicam como conseguir uma gota pingada num papel, já que não acham o canal de gota. Tomamos. Continuo com elas atrás da gota, nisso tomo um gole de um cristal dissolvido em água, mais ou menos um quarto. Encontramos a gota, na hora de pingar na minha mão, escapa meia gota do pote a mais, resultado, tomei o equivalente a 2,75 gotas, aí as coisas ficaram incríveis e eu entendi o que Timothy Leary dizia, aliás, entendi tudo, compreendi tudo. Nisso começou a tocar Halucinogen na pista, o cara é mestre, nunca pirei tanto, o mundo nunca balançou tanto, nunca tudo fez tanto sentido, de repente me passam um charas, minha tosse parecia a primeira respiração de um bebê depois do parto, ou a retomada de fôlego depois de subir muitos metros embaixo d'água, estava de novo na realidade, mas tudo continuava igual, balançando e brilhando, colorido. Finalmente entendi também porque existe aquele modo de andar torto pra trás que caracteriza o estilo dos anos 60/70 em filmes e desenhos, é como as coisas se passam quando você anda. Foi a coisa mais intensa e duradoura que já me aconteceu, a palavra inefável perde o sentido quando se tenta descrever o ocorrido, por isso eu não consigo fazê-lo. Encontro a menininha da mescalina com as amigas, querem pirar com meus óculos de novo, falo com voz de criancinha que fico sem enxergar e elas me deixam. Encontro o Sol e sua turma e a turma da Pri em volta de uma fogueira fumando perto da praça de alimentação, ao pôr-do-sol, obrigado. Parto para o Chill Out quando todos dispersam, sento em um banco e apenas contemplo o mundo, ele é incrível, Pri senta do meu lado, aniversário dela, como tinha tomado um ácido no dia anterior, tinha prometido arranjar alguém que pudesse descolar um E, que ela queria experimentar. Eu, viajando muito ainda, depois de umas 6 ou 7 horas, sabia e já tinha aceitado a idéia de ir procurar com ela bem antes de ela pedir, mas ela estava sem jeito e ficamos um bom tempo conversando, partimos para a pista, depois de eu dizer pra ela, encabulada de "atrapalhar" a minha viagem, que tudo já estava planejado. Na pista a lua, que tinha finalmente ficado totalmente cheia, iluminava tudo, era incrível. Depois de muito procurar, de ela desistir e voltar atrás várias vezes, encontramos o camarada que nos prometeu um MD forte que poderia ser divido entre duas pessoas, não era um E, mas acho que eu prefiro MD, E já encheu o saco, perdeu a graça. Ficamos esperando e tomando catuaba, conversando um bom tempo sobre a vida, aparecem dois amigos e fumamos de novo, esqueci de falar que junto com minha segunda gota consegui fumar pela segunda vez um bom haxixe, o que só intensificou mais a situação do dia, junto com o charas e tudo o mais, a catuaba não ia conseguir me deixar bêbado. Já estava tudo combinado, iríamos tomar MD e esperar o nascer do sol, foi ficando tarde e o MD não apareceu, lá pela uma da manhã, um pouco antes talvez, meia noite e pouco. Tudo bem, eu já estava viajando muito, satisfeito, ela, porém, ficou frustrada, acompanhei até a barraca, lamentamos, mas concordamos que tudo tinha sido ótimo apesar da infelicidade. Fiquei perambulando por mais uma hora, tentei acordar o Sato, que com uma gota só, não tinha a mesma energia para me acompanhar e estava satisfeito viajando na barraca. Incrível que toda vez que eu olhava a lua, instantaneamente parava e ficava maravilhado e com os olhos brilhando, incrível vê-la em toda a sua tridimensionalidade, como um globo pendurado no céu. Último dia, acordo com a pista desligada, sempre uma sensação estranha, o Chill Out está animado, tocando o mesmo trance da pista, as pessoas não praticam o desapego, beleza, partimos sem encontrar praticamente ninguém pra falar tchau, tudo tinha sido ótimo, até o que tinha sido incômodo, era necessário. O carro, mais empoeirado que tudo naquele semi-deserto ainda mantinha a frase "Defina sujeira..." que escrevi logo que chegamos, fomos para o Moinho, a casa do Sol, estávamos agora realmente no meio do mato, não mais cercados pelos cordões do mundo encantado do festival, aquilo sim era a realidade, completo a frase no carro: "...é mais fácil limpar."
O que aconteceu depois fica pra depois, isso já está muito grande.
Bem vindos de volta.