Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
29.9.03 :::
Olá pessoas, andei pensando em algo sobre a felicidade. Simples, a felicidade é proporcional à responsabilidade que temos sobre ela. Em último caso não há surpresa, surpresa está mais para a alegria momentânea, a felicidade até pode ser o devir de tal coisa. O último caso é a felicidade plena, mas tal coisa não existe enquanto tal, ou enquanto coisa, ou ainda, enquanto existir alguma coisa, pois plenitude é abolição do tempo, logo abolição do espaço, logo do eterno ciclo começo-meio-fim. O que nós somos é conceito, o que estamos é a vida. Mas fui longe do que estava falando. Seja responsável (não no sentido engodo, útil, moralista, bla bla bla da palavra), garanta a continuidade de sua ação no mundo. No final, seja responsável pela ação de evitar que outros se responsabilizem por você. Eis a liberdade, a possibilidade de felicidade implícita, a criatividade, o caminho para a individuação e para o caráter genital (sic). Seja inclusive responsável por aceitar tudo, o que implica em aceitar, como bem disse o Sato, a impossibilidade de não mudar, o que então não é paralisante. E quando digo seja não estou falando com o seu Ego, mas com o seu Self (a totalidade da personalidade, do indivíduo e de sua relação com o todo, logo, sua relação consigo mesmo - um circuito fechado e aberto ao mesmo tempo), ou seja, com você realmente, que deve ser responsável pelo seu Ego, e não o contrário. (e quando publico um post falando com "você", é óbvio que estou falando também comigo, só não "principalmente" comigo porque nesse ponto de vista sou mais um). E responsabilidade, nesse nível da brincadeira (já que tudo só pode ser uma grande brincadeira), vai além de qualquer valor específico. No fim (já que para tudo há fim, sendo o pleno o "fim do fim"), morremos. De que vale tal responsabilidade? Ora, sejamos responsáveis principalmente pela nossa morte, ou seja, por toda a nossa vida até lá, para que realmente morramos e não sejamos mortos (por o que quer que seja).
28.9.03 :::
Hummmm....
Meu dia:
Praça do relógio, árvores, Osho, quero-queros, cantos de pássaros, silêncio, carros ao fundo, caído na grama, formigas no braço, meditação, um sol de todas as cores se pondo, um beque, pipa no céu, sorrisos, uma criança atrás de mim: "Olha, pai, esse é o mundo das pedras!"
Passei o dia no mundo das pedras.
Tá, se eu falasse só isso, ninguém entenderia nada, então vou relembrar o velho método Sático de descrição:
Casa, moça, jardins, sacadas, 10 mil sóis de todas as cores (não, nada de drogas), cozinha, sofá, sofás...
Hummmm, é isso!
26.9.03 :::
Não tenho nada pra dizer, agora... Então vou mandar um poema de um poeta sufi do século XIII chamado Rûmî:
"O que fazer, se não me reconheço?
Não sou cristão, judeu ou muçulmano.
Se já não sou do Ocidente ou do Oriente;
não sou das minas, da terra ou do céu.
Não sou feito de terra, água, ar ou fogo;
não sou do Empíreo, do Ser ou da Essência.
Nem da China, da Índia, ou Saxônia,
da Bulgária, do Iraque ou Khorasan.
Não sou do paraíso ou deste mundo,
não sou de Adão e Eva, nem do Hades.
O meu lugar é sempre o não lugar,
não sou do corpo, da alma, sou do Amado.
O mundo é apenas Um, venci o Dois.
Sigo a cantar e a buscar sempre o Um.
"Primeiro e último, de dentro e fora,
eu canto e reconheço aquele que É."
Ébrio de amor, não sei de céu e terra.
Não passo do mais puro libertino.
Se houver passado um dia em minha vida
sem ti, eu desse dia me arrependo.
Se pudesse passar um só instante
contigo, eu dançaria nos dois mundos.
Shams de Tabriz, vou ébrio pelo mundo
e beijo com meus lábios a loucura."
Esse Shams de Tabriz era o "Amigo Divino" do Rûmî, isto é, o companheiro e amigo no desenvolvimento espiritual. Aliás, conceito interessante, esse do Amigo Divino. É a forma mais próxima e íntima de se relacionar com outra pessoa, mais do que em parceiros sexuais. Compartilhar experiências místicas, o sentimento do divino, sua mais pura essência interior e unir as almas - isso tudo é bem mais íntimo que compartilhar sexo. Mas fica pra próxima uma discussão mais aprofundada disso...
25.9.03 :::
Ontem foi um dia para celebrar, então celebramos junto com o Cordel, e o Cordel é foda, muito foda. Agora só baixo Cordel no kazaa. Mentira, estou baixando Paulinho da Viola também, principalmente milhares de versões com todas as pessoas possíveis de Sinal Fechado. Porque Sinal Fechado é muito foda, muito foda mesmo.
O show ontem foi do Cordel do Fogo Encantado (e não Bordel do Fogo Sagrado, hahahaha, viu Sassá, aliás, saidinha você, hein?)
E Cordel do Fogo Encantado é realmente foda.
"Os Homens aprenderam com Deus a criar.
Foi com os Homens que Deus aprendeu a amar."
Em homenagem à psicodelia pernambucana, a apologia lisérgica neo-búlgara, ou como quiserem:
24.9.03 :::
Hoje parei para esperar o farol fechar pra atravessar a rua. Do meu lado uma mulher, de cabeça inclinada pro lado, olhava para o nada. Os carros pararam, todos atravessaram (eu e mais uma pessoa), a mulher continuou lá, imóvel, como que estatelada, como se, de repente, tudo tivesse feito sentido (ou perdido o sentido, dependendo do ponto de vista). Em homenagem a ela, segue a incrível nova série do blog:
Lisergia, Sonhos e Deflexões
II. Chapeleiro Maluco
Meu amigo chapeleiro, camarada do peito, ou melhor, da boca, debaixo da língua.
Friozinho do estômago.
Apareceu pela primeira vez de surpresa. Adorável surpresa!
Eu, estatelado, deitado na lona, olhando para outra lona.
Olhando para o nada. Nem tinha uma rua para atravessar.
Nem tinha um lugar pra ir. Nem um tempo pra passar.
Era tudo normal. Era minha alma se manifestando.
Eu não sabia de nada.
Se soubesse, apenas saberia que, tendo um lugar pra ir...
Eu já teria chegado.
21.9.03 :::
Bom, farei agora um breve relato da viagem que eu e o Loco empreendemos nas férteis terras de Ribeirão Preto, há uma semana atrás. Fomos convidados pela minha Irmã Espiritual para participarmos de uma vivência xamânica que aconteceria numa chácara lá. Durante um fim de semana, um xamã siberiano legítimo faria algumas atividades voltadas para o despertar da consciência. Bom, fomos lá. Infelizmente, isso tudo era bem mais caro do que imaginávamos. Só ficamos lá no sábado, depois os planos mudaram, segundo o fluxo dos acontecimentos. O xamã foi muito interessante, falou coisas sábias sobre os programas que regem nossa vida, e como podemos nos desprogramar para assumirmos controle sobre nós mesmos - assumir controle para podermos nos abandonar ao fluxo natural sem medo. Enfim, rolou dança em transe, seguida por um maravilhoso relaxamento, depois um pouco de teatro xamânico.
Foi uma experiência forte, mas tivemos que abandoná-la em prol de outra. O senhor PH (também conhecido como Pedro Hélio, Plutarco Habib, ou PH 1), velho amigo daquelas paragens, nos convidou para passar uma noite num lugar conhecido como Morro da Mesa, em Altinópolis, junto com uma turma de futuros psicólogos da UNAERP, incluindo Max Define. Muitas pessoas estavam lá, darei destaque apenas ao Robson, o Chapado. No topo desse dito morro existia apenas uma igrejinha, que prontamente arrombamos e utilizamos como residência durnate essa noite. Deus há de nos perdoar. Ainda antes de chegar nesse local sagrado, já estávamos completamente inebriados pelas poções mágicas do Robson, fumos opiáceos, bebidas estimulantes, ativadores sinápticos, cannabis indica, extratos de tarântulas, cápsulas xamânicas, rapés da selva, ervas com DMT - ingerimos tantos princípios ativos de plantas que sentia estar com todo o cerrado brasileiro em minha cabeça. Após nos acomodarmos, uma fogueira foi acesa com a lenha que o Max trouxe. Em breve, estávamos todos batucando ferozmente em bongôs, tambores e cuícas (sim, tinha uma cuíca), enquanto o Chapado tocava suas flautas, e um violão às vezes entrava com um pouco de harmonia em meio às batidas tribais de todos os cantos do mundo. Voamos longe, essa noite, voamos até à maravilhosa Lua Cheia que nos iluminava.
Dia seguinte, eu e o Loco voltamos pra Ribeirão, passamos o dia descansando e se recuperando. Desistimos de voltar pra SP no domingo, como era o plano original. Sempre que vamos pra Ribeirão, nunca voltamos na data determinada, é uma lei fundamental do universo. Na segunda, fomos à UNAERP, encontramos novamente o sr. PH. Partimos em peregrinação até a casa do Chapado. Conhecemos seu amplo estoque de substâncias da selva e aprendemos muito sobre plantas medicinais e/ou psicoativas. Até compramos algumas coisinhas... Depois fomos conhecer seu estressante local de trabalho - o horto florestal. Em meio às suas plantas medicinais, ele cultiva muitas coisas interessantes. Tabaco, Daturas, plantas do Daime, etc... Em determinado momento, os gnomos requisitaram que tomássemos uma pílula vermelha. Quem somos nós pra descordar dos gnomos? Eles sabem o que fazem. Fomos embora, finalmente, levando dois galhinhos da erva do absinto.
De alguma forma, voltamos pra São Paulo, em meio à profundas discussões nonsense sobre faixas adicionais, chakras adicionais e outras associações livres. Esse relato nem chega perto de contar os momentos maravilhosos que vivemos lá, nem as pessoas maravilhosas que conhecemos ou que reencontramos. Mas é o que eu posso fazer. Depois, na terça, experimentamos fumar o tal do absinto com um pouquinho de maconha, e depois fumamos kaliandras (o nome das Florzinhas, que usávamos já há um tempo, dica do Robson). Tudo isso na casa da Caru. Bom, parece que os boêmios do século XIX tinham razão, esse absinto é bastante interessante, entrei num estado de quase sonho, a apreciação estética de tudo ficou altamente desenvolvida, as conversa, muito ricas com associações surpreendentes. Algo a ser explorado no futuro.
Quarta matamos aula do Klaus para ir no zoológico. Só nós (Buza, Loco, Anita e eu) e as criancinhas.
Até que tudo vai bem. Acho que um grande problema é saber o que é felicidade. (acabo de ter um insight: pode não ser só isso, mas não problematizar eternamente a questão da felicidade já é um bom começo).
Ontem aconteceu uma festinha interessante. Quer dizer, cheguei carregado de agressividade que acabei recebendo (ou com a qual me identifiquei) antes da balada e comecei a descarregar irracionalmente, até que num determinado momento, uns 15 minutos depois que eu cheguei, levei um solapão verbal que me fez ver o que eu estava fazendo. Consegui transformar o que estava sentindo em vontade de me divertir na balada. Como diria Winnicott, a agressividade não é algo básico, mas uma das consequências da necessidade de atividade. Um bebê não tem noção nem do que é atividade nem do que é agressividade, ele simplesmente faz, (depois aprende, se arrepende, desenvolve noções de responsabilidade, bla bla bla...) Mas quando estou "agredindo" as pessoas numa balada, estou agindo como um bebê de 4 meses de idade. Que bom que pude ver por trás disso. Mas que saco, eu só ia contar da balada. Aconteceu que a vontade era tanta que fui com muita sede ao pote e em meia hora de balada já estava perdido demais. Fiquei horas explicando viagens filosóficas da relação entre física, psicologia e o pensamento humano, fiquei o tempo todo viajando, é isso... Encontrei velhos amigos, dos que ainda me chamam de Camarão: "Cê tá pirando, mano..." Vou entender pelo lado positivo. Os velhos camaradas.
Voltando de carona pra casa, dois bêbados num carro, quando volta a tal da realidade, triste realidade, da qual me vejo sempre abrindo mão. Parados no farol, vemos uma pessoa sentada na esquina. Primeiro acho que é uma mulher, chega uma moto com dois sujeitos e atropelam a pessoa esmagando-a contra a parede, começam a dar chutes e capacetadas. "Você de novo aqui?". Ela sai correndo, um diz, "Vamos embora!", o outro responde, "Vamos atrás!". Pra mim ficou claro que se tratava de um "caso comum" de violência homofóbica, dois bêbados no carro, saímos dali, não concordamos se era homem ou mulher, mas não faria muita diferença. Dois bêbados assustados num carro, acabo falando conformado "É, a boa e velha barbárie...". Não faz o menor sentido, eu sei. Ou melhor, não sei. Logo mais tem balada de novo, adeus realidade...
Obs: não confundir realidade com Realidade. (seria como confundir as paredes com a sua casa)
17.9.03 :::
Hummm, depois de tanto tempo (quase duas semanas sem ficar chapado), hoje dei uma passada no mundo da entorpecência canábica (sexta passada nem deu nada). Foi foda, fiquei chapado rapidinho, muito bom desistir da realidade de novo, praticamente não tem jeito.Será? (Freud perguntaria)
Bom, chego em casa da aula e meu pai me apresenta uma proposta. Tomar um remédio psiquiátrico para diminuir confusão mental e dar clareza de pensamento. Ele acha que eu sou muito confuso e inerte, paralisado, por causa disso. Ele até tem razão, mas junto com isso tem a idéia latente de me colocar no mundo dos verdadeiros drogadictos da casa. Aliás, mundo do qual só eu não faço parte de verdade. O resto do povo aqui adora tomar remédios. Minha primeira idéia foi a de negar o tal remédio, porque é totalmente engodo, porém, não é tão fácil ter acesso a remédios com retenção de receita, então, porque não ler a bula? Está lida, diversas atuações no tratamento de esquizofrenia e em tratamentos antipsicóticos em geral, além de tratar a confusão mental neurótica. Como eu não devo ser nenhuma coisa nem outra, então pode atuar de qualquer jeito. Mas eu fui logo pesquisar a superdosagem, que não é das mais interessantes, e as interações. Aí a coisa pega, ele é um potencializador de álcool, o que parece interessante. Eu sei que é bizarro, mas talvez eu experimente, talvez eu possa tirar algum proveito dos efeitos da coisa, como é possível fazer com o ácido, a houasca, a maconha... O que vocês acham? (de verdade...)
Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado,
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado,
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: tudo tem melhorado!
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado.
Você merece,
Você merece,
Tudo vai bem,
Tudo legal,
Cerveja, samba e amanhã,
"Seu" Zé,
Se acabar em teu carnaval.
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre muito obrigado,
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado,
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado,
Pra ganhar um "Fuscão" no juízo final
E diploma de bem comportado.
Você merece,
Você merece,
Tudo vai bem,
Tudo legal.
Cerveja, samba e amanhã,
"Seu" Zé,
Se acabarem com teu carnaval?
Você merece,
Você merece,
Tudo vai bem,
Tudo legal
E um "Fuscão" no juízo final.
Você merece
Um diploma de bem comportado,
Você merece
Esquecer que está desempregado,
Você merece.
15.9.03 :::
Agora eu termino o tal caderninho Aura. Finalmente chegará a parte dos poemas lisérgicos, inspirados no livro LSD Nô, de Ademir Assunção, um livro que se parece muito com os caderninhos. Na verdade eu gosto deles, por isso felizmente. Bom, vamos lá:
"Livro I Cap I
Vruil, depois de aparecer misteriosamente para o Grande Mestre Busa, torna-se o grande ídolo do Grande Mestre durante sua primeira excursão. Busílis vai a Itú para uma peregrinação mística e por impulsos inconscientes de sabedoria nosso Grande Mestre Busa acaba levando Vruil nesse mesmo destino. No local é deixado de lado onde toma chuva e sofre com as vibrações de uma caixa de música. Quando Grande Mestre Busa retorna a Vruil, este se torna uma super árvore gigante e diz: "De agora em diante você protegerá as pessoas. Esta é minha primeira peregrinação. Haverá 7. Depois serei enterrado no IPUSP onde tudo começou, para proteger a quem me adorar." Busílis obedeceu e assim se deu a primeira peregrinação."
Daniel
+ desenhos
"Nosso único problema com drogas é ter pouco ácido. Tivéramos vários ácidos, seríamos muito felizes e mais saudáveis porque não usaríamos tosqueras benflogínicas."
Incen + Sato
"A casa não tem pé
A casa não tem mão
Como é que a casa sobe no pézinho de limão?
Escrito com a mão direita [sou canhoto]"
Incen
+ Desenhos, Busílis na rede entre coqueiros e Inconsciente benflogínico do Sato.
"- É o último beck..." Emília
"- Então vamos embora..." ogaiT
"As coisas continuam. Tonteira, mijação no banheiro toda hora! Loco lê um trecho de um texto, chega ao fim já se foi o começo, parece o filme Amnésia. PUTA QUE PARIU. Não dá pra juntar as pontas e o meio fica desconexo. Viagem, Ozric, Good Psychedelikc Musikc. Ainda não tocou King Crimson. Ah, nem Gong! Puuuutzz...!!!
Como faz pra deixar de ser tão paranóico?
Pra que tanta war?
Emily tries, but misunderstands, ah hum!!
Pink Floyd"
Incen
"Brugu Parte II
Na adolescência, Brugu se sente muito esquisito e tenta virar "cool" tocando guitarra.
Mas não deu certo. Brugu continua sozinho, e tentava fazer algo sem ser verdadeiro ( é na realidade um autêntico NERD).
Hehehe
Foi mal Brugu! Hehehehe"
Anita
Pergunta: Ciências
Resposta: Na mão!
Puxo o beck e trago,
escuto a questão:
THC é produzido por que planta?
Maconha! E solto um fumação.
-x- (putz, hahaha, não lembrava que era desse naipe a coisa)
FAZER POEMA É A MELHOR COISA DO MUNDO,
APARENTEMENTE. UM POEMA CHAPADO,
ENTREMENTES.
ENTRE QUE MENTES?
MINHA MENTE ESTÁ DORMENTE
-x-
Leão Solto Devorou 25
Lembre-Se Do 25
Livre-Se Dos 24
Líquidos Sem Diversão
-x- Incen
"Solilóquio n° 1:
Só li lokos... Só li loukuras nesse caderninho.
Amor é ilusório, diz o Osho...
Não dá pra se evadir de uma informação dessas apenas dizendo que é besteira.
Se a frase perturba assim, é porque existe algo nela pra ser inquirido, sentido e morrido.
in - forma - ação
trans - forma - acão - são coisas diferentes
Amor é ilusório
Você está sozinho...
Todo amor é ilusório? Todo? Até mesmo...?
Problemas de palavras. Problema de níveis. O amor ilusório não é nada, ilusão e delusão fantasmagórica criada pelo medo da solidão, medo do mundo, medo do medo, o medo. Quando você se livra desse amor, você muda de nível. Existe um amor superior. Não por alguém, ou por alguma coisa. Você simplesmente ama. Você é o amor. E quem ama não interfere.
Fácil falar, fácil falar...
Amor é um prêmio para aquele que relaxa...
Princípios fundamentais para a vida:
não-violência
não-interferência
aceitação plena de absolutamente tudo...
(o que não é conformismo, pois você também tem que aceitar sua vontade e necessidade de MUDAR)
Ademais, a lua em quarto minguante encontra resistência das místicas auroras enfeitiçadas. Surpreendentemente, ninguém percebeu. Todo mundo morreu, e desceu quieto para sua cova. Os caixões se fecharam, apenas para reabrir depois em esplendores inefáveis. O mito da floresta enevoada. Quem realmente a viu? Apenas em momentos fugazes... Fugazes e prenhos de intenso significado... Da onde vêm essas histórias de velas e espíritos e sonhos?
?Porque eu recebo isso!"
Sato
- Casa vazia, sozinho, fui até Alpha Centauri com o Tangerine Dream preparar meu almoço, batatas estatelavam na frigideira, grãos de arroz, feijão, cenouras, cebolas e salsichas estralavam no microondas. Desisti da carne escorrendo sangue, preguiça, mas provei, há algo de interessante no gosto agridoce do sangue quente, mas nem tanto.
- Almocei com Arrigo Barnabé, ele e Clara Crocodilo me ajudaram a lavar a louça. Tem algo mais viajante do que lavar a louça?
- Meus amigos do Tangerine Dream voltaram trazendo o Logos, o entendimento. Então fizemos práticas respiratórias ditas holotrópicas, ou similares, no sofá da sala. É fato, nasci um par de pés, o resto formiga, semi-encubado em algum pseudo-útero, as perninhas balançam, esperneiam do lado de fora.
- Acabo de tomar uma batida de morango e banana com o Pat Metheny, ele me disse tudo o que eu precisava sem dizer nada, Question and Answer, Jazz...
- Não digo mais nada (só que agora vou começar o livro da Clarice).
Me pergunto porque é que eu escrevo de madrugada, abstraio...
Estava em uma balada tranquila, barzinho, esperando o troco demorado, senta a mulher do meu lado e reclama. Digo que foram trocar dinheiro mesmo eu tendo pago com uma nota de dez. "Nossa, o que você bebeu?" "Dois chopps!" respondo. "Bebi três absintos, adoro pessoas com responsabilidade etílica." Triste. Mas o problema é que isso tudo não iria ter a menor importância, houvesse algum interesse na situação. Não havia...
Antes de tudo isso, som ao vivo muito bom.
Hummm... Jazz, Jazz, Jazz!
Pulo umas linhas.
"Morena dos olhos d'água, tira os teus olhos do mar. Vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho pra te dar..."
13.9.03 :::
Chega dessa patuscada e vou continuar publicando as anotações malditas do caderninho (malditas no melhor estilo Tom Zé, diga-se de passagem):
"Sábado insólito, fumo bom na praia, bong, sol, mar, a caneta reflete um arco-íris (ou refrata?). Zé Ramalho pede um relógio: "Me dê seu relógio, babe, pra saber quanto tempo demora pra te esquecer." Foda ele pede o relógio pra própria pessoa. Aí tem que aguentar o tranco, meu filho. Gostei da minha letra em itálico, algumas vezes até sai bonito."
Incen.
"Tudo estava indo bem, até que os caras, loucos, não conseguiram cola. Era pra ser esquema tipo ontem, eles loucões e eu sossegado. Mas sem cola, vão apelar pro benflogin. Eu sei que só narrando isso parece bizarro, mas é que num ambiente como o que está aqui, apesar dos meus esforços de me manter sussa, só dá pra segurar um pouco.
Eu sei que a descrição parece assustadora também, mas vou descrever. Quando se entra na casa, há um corredor para carros e do lado esquerdo a casa, do lado direito os anexos e a casa da caseira. O terreno não é amplo e o chão de cerâmica quadrada marrom grande cercado por jardim de um lado, na frente. Estou sentado em uma cadeira de plástico branca, de frente para o portão, com a casa do lado direito, só de bermuda molhada, secando ao sol das 15 horas, no máximo 16:00, escrevendo de perna esquerda cruzada, com o caderno em cima da barriga de ponta cabeça escutando Can, depois de ter fumado beck com raspa de cachimbo num bong, esperando o momento de saber se vou ou não me estragar. A bermuda, ainda por cima, é empréstimo do Loco. Estou fritando, com fome e sem dinheiro. Só tem água na casa. Toca uma marcha psicodélica Tan Tá, Tan Tân. Estico as pernas. As pessoas são normais, de fato. Tiago ouve música na sala, Emília toma sol na rede, Loco e Anita repousam no quarto, eu estou aqui, sossegado.
"Isso que você tá fumando é cigarro, né? É! Cadê o beck? Não sei, não fumei até o fim, eu só dei um pega!"
Droga!!!"
Incen.
- Desenho do Grande Mestre Busa em seu trono feito pelo Sato, muito bom.
- Peixes sem sentido da Anita e outros desenhos.
"Está feito, 4 loucos de benflogin trancados numa casa de praia e Emília, a Sobrevivente."
Incen.
"Um tanto quanto ridículo, eu sei. A tontura começa a bater, andar é estranho, tudo balança. Achei a minha urina um tanto brilhante. Não sei se era fato ou viagem. Quem saberá?
- Marisa Monte.
- "Todo mundo tem que ficar acordado" (Emília, a Sobrevivente)
- Opa, apareceu mais beck!"
Incen.
- Desenhos da Anita da história de Brugu, o porquinho feliz:
"Brugu, o porquinho feliz.
Usa e abusa, se entorpece para suportar sua medíocre vida porquil.
Cansado de ser um porco que um dia vai virar bacon, Brugu decidiu ter uma vida mais empolgante, as porquinhas pagam pau pro Brugu.
Brugu não conheceu o pai.
COITADO
A mãe dele teve 8 junto.
"Oh!" Disse a mãe brugu!
Quantos porquinhos, hein dona Brugu?
Brugu não tinha individualidade, pois era um entre vários porquinhos Brugus, não tinha privacidade e a mãe brugu só gostava de pizza. Hum!"
Anita
"Atom Heart Mother
by Emily Plays
- Tudo está perfeito!"
Incen.
"Consegui ver minhas células.
Benflogin é muito interessante, mas lembrarei de alguma coisa?"
Sato + desenhos...
Posso dizer que tenho certos problemas com certo tipo de pessoa. Pessoas centradas demais. Pessoas com metas claras, objetivos definidos e limites demarcados. Pessoas que acreditam na possibilidade de controle, pessoas que calculam demais o que pode ser o futuro e não deixam que o futuro realmente aconteça, sendo algo que foi "escolhido" no presente. Pessoas sóbrias demais, que castram, proíbem, menosprezam as manifestações espontâneas das outras pessoas para manter um contexto pré-programado e bem definido. Pessoas que definem demais aquilo que deveria ser único e passageiro, logo de definição desnecessária e impossível. Pessoas que dividem seu tempo em estados separados de consciência, alienados uns do outros. Que se permitem "viajar" dentro de um contexto, se permitem "perder o controle" quando isto já faz parte de um esquema previamente controlado, determinado e planejado. Pessoas que determinam demais e que não compreendem a manifestação do indeterminado porque não estava previsto. Pessoas que acham que prevêem as coisas e acabam deixando de fazer o que poderiam porque não estava previsto. Pessoas que sabem e que portanto não precisam buscar saber. Pessoas que incapazes de aceitar o destino comum e de certa forma indeterminado, embora óbvio e inevitável, do fim da vida como a conhecemos, decidem-se por não nascer de verdade, pessoas que só sobrevivem, deixando sempre pra viver depois, nas condições perfeitas planejadas e inalcancáveis e para quem isto é a impossível felicidade...
Ontem, 11 de Setembro, 100 anos do nascimento do Adorno, 30 anos do golpe militar chileno e dois anos que fui ver o show do Arrigo Barnabé e que Rosely Saião conversou sobre sexo com os internautas no bate-papo UOL às 20:30. Jurupinga e Juruflipper, a jurupinga caseira do Flipper. Além de JuJu, jurupinga com jurubeba.
Hoje, sono, acordar bêbado, aula boa. Estou conversando com o meu irmão e parece que eu não lembro de tudo o que aconteceu na balada direito.
Rosa de origami de presente.
Fazer origami é divertido às vezes.
Não sei o que faço hoje, tantas opções, acho que vou dormir antes. Ou durante? Ou depois? Estou com preguiça de publicar o resto do caderninho Aura. Dei três peguinhas hoje num 2,5/1, fazia tempo que não fazia nada disso, ontem muito bêbado.
O mundo parece um local divertido, ou a única opção, quiçá.
Não vou participar de ritual xamânico, não vou pra rave, o que será que vai ser sim?
No eixo bom/ruim, podemos dividir as pessoas em dois tipos:
Aquelas que ao puxarem um pentelho da boca reclamam e aquelas que saúdam as boas lembranças.
9.9.03 :::
Estava tranquilamente pensando em transcrever mais coisas do caderninho quando abro o tal do blog e vejo nada mais nada menos que uma foto de Stanislav Grof, o pai do Transpessoalismo, a Quarta-Força. Então vejo nada mais nada menos que Max Define e fico me perguntando, que honra pro Grof sair numa foto dessas, hein Busa. (Tá, piada besta, eu sei)
Descobri também que o nome original da máquina de fliperama é No Good Gofers, porque o L está sendo explodido por Buzz, o castor mau que não gosta de golfe. Tudo isso aqui na Página Oficial deles.
Mas depois do impacto, eu prossigo com as transcrições. Afinal, é isso:
Sexta-Feira:
"As pessoas que cheiram cola tem pensamentos esdrúxulos. Parece que seguem uma lógica peculiar, própria, mas utilizam elementos externos no seu discurso. Estão no presente, mas não no cotidiano (vida social). Fazem coisas que não fariam, por puro desligamento da realidade. Alcançam, assim, um potencial não imaginado. Se houvesse maior ajustamento de sintonias surgiriam coisas extraordinárias. Mas a viagem é própria e independente e encontros são ocasionais (se todos tiverem "no grau"). Talvez a maconha seja um fator de interação social nestes momentos.
Nos distraímos procurando jeitos diferentes de usar nossas drogas. Bong, tubo de papel-filme no saquinho, balde... e foi anunciado que logo teremos THC em cubos. Sorvete de maconha!!! Que é isso...?"
Caru
- Agora o primeiro texto da anunciação do Grande Mestre Busa e seu ícone sagrado, Vruil:
"Meados de 2003 do ano cristão surge o fato que muda a história da Psicologia mundial. A.H.S. Busílis adquire Vruil, árvore holandesa que seria o Grande Ícone do Busilismo. Ouvindo música búlgara em seu ritual, Mestre Busa propaga suas idéias de proteção e culto ao Vruil com palavras de sabedoria e conforto. Adquire sete seguidores que compartilham todas as idéias e viagens, constituindo assim a corrente "psi" mais jovem e inovadora mas ao mesmo tempo madura e clássica segundo ritos de proteção e troca de energia com enfoque transpessoal. Suas grandes obras são adoradas pelo mundo inteiro e uma maneira de socializar esse saber do Grande Mestre Busa foi através de uma revista mensal para interagir com os fiéis, divulgar a sua Grande Doutrina e os rituais para ajudar a vida cotidiana, já que temos o privilégio de vivenciar a Nova Era Busiliana.
Salve Busa.
D.T.H. 5° seguidor"
"MUITA MACONHA + COLA CASCOLA"
"22:13 Todos dormindo ou bodeados"
"Experiências Holotrópicas de regressão. Espero que seja um "renascimento" saudável!"
Incen
"Causos bizarros do Guarujá:
(porque o importante é ser você. (putz!))
- Churros do Gordo, ou melhor, Gordo do Churros, Lets, Busa, Tiago, Anita e eu. Carro para na rua, ligado e com faróis acesos, pai dirige, mãe, irmã. Do lado de fora, menino estranho come churros, isso acontece por uns quize minutos. Placa de São Paulo, óbvio.
- Sexta-feira 23:30 parece domingo a noite, daqueles que, por algum motivo, você está sem nada pra fazer na segunda.
- Sem dinheiro, peço pro Tiago pagar minha crepe, beleza. Ele sai e esquece de pagar tudo. Não tenho nada com isso. [e a Anita reclama porque pagou e me cobra dois reais, hahaha]
- Ninguém destruiu a casa.
- Chill Out com voz oriental fazendo ahhh... bem devagar."
Incen
Continua com as bizarrices de sábado, agora vou pro Ó, iupiiii.
E o que pode ser mais incrível que essa foto de MAX DEFINE (à esquerda) e STANISLAV GROF (no meio) que encontrei no site www.aljardim.com.br??? Essa é pra você, Buza!!
É o casal Stanislav e Christina Grof! Criadores da respiração holotrópica, ex-psicoterapeutas psicodélicos, e grandes expoentes da psicologia transpessoal... Dá pra acreditar que eles devem ter tomado mais ácido do que qualquer um de nós vai tomar na vida?
8.9.03 :::
Tá, eu de novo. Andei vendo o site Fusion Anomaly, que é uma viagem. Lá achei umas coisas no mínimo sei-lá-o-que tipo:
- No filme Laranja Mecânica, vê-se claramente a trilha sonora de 2001 Uma Odisséia no Espaço em LP na cena que se passa numa loja de discos.
- No Guerra nas Estrelas - Episódio I (da série nova), quando eles estão no ferro velho, uma das sucatas é um "pod", aquela navezinha, do 2001.
- E o mais bizarro de tudo, Timothy Leary é padrinho da Winona Ryder, de verdade.
Puuuuutz, os caras foram viajar e levaram o maldito caderninho dos anjinhos escrito Aura.
Vou demorar três semanas e meia pra transcrever tudo porque não prevejo muita criatividade e dedicação a coisas novas da minha parte neste blog por algum tempo (três semanas e meio é totalmente arbitrário). O foda é ter sempre um monte de "mesmas coisas" nesses textos lisérgicos. Mas sei lá também, parece divertido.
Antes, frases soltas que apareceram no caderninho durante as aulas:
"Não se deve privar de amor qualquer pessoa."
Aula de Relações Humanas II
"Crianças são cruéis. Os adultos que são cruéis é porque são crianças, ainda."
Sato fora de contexto (ah, não vou explicar, não entendam)
"Juro agora, solenemente, que porei fim à minha vida no dia em que completar 180 primaveras.
Tiago"
Aí então partimos para a velha ilha onde fica o Guarujá, a Pérola do Atlântico:
Quinta-Feira:
- Tudo se inicia com um desenho seriado e com notações em coreano de uma versão drogada de Alice no País das Maravilhas feito pela Ji.
"V Guarujá: Pichon em ação.
8 pessoas => 8=7+1 [mais um monte de incompreensíveis divagações esquemáticas sobre mandalas e alianças inconscientes]"
Busílis
- Desenho: Busa by Emília.
- Palavras soltas: InacaBeck, Delícia, "socorro, socorro, socorro" (essa fui eu). Divagações incompreensíveis sobre War.
- Gnominho de vários olhos viajando. (Sato, escaneia essas coisas)
"Os chinas comem cachorros! E o Stanly?" (Durante guerra na China no War)
- Desenhos rabiscados.
"O fogo sempre atraiu e sempre atrairá a atenção dos seres humanos."
Loco
"Eu adoro os caras!!!"
Busílis
Sexta-Feira:
- Rabiscos e interrogações
"Estou aqui e as coisas estão acontecendo. De certa forma as coisas estão dando certo. Mas só de certa forma. Sim, os caras compraram a cola, mas eu consegui me manter controlado sem esforço. Assumo que não passei incólume, mas foi tranquilo, uma brisa. Os caras ficaram loucos, mas aí é problema deles. E não acho que isso seja a ilusão do controle. É sincero. Que legal, afinal..."
Incen.
"Ahhh..."
- Mais desenhos
"Estou escrevendo porque o Busílis pediu. O que será que o Busílis quer? Ele sempre tem intenções bizarras, mas como ele sabe de tudo, então suas intenções estão todas satisfeitas a priori. Nossa, minha letra fica bem menos pior quando eu não me acabo intoxicado. Parece que é bom mesmo não fazer isso desse jeito. A psicodelia dominou o som praticamente o tempo todo. Pink Floyd, Hermeto Pascoal, Tom Zé, Trance, Ozric, mas também tocou bastante Nara Leão. De repente começa a tocar Jewel. Que apesar de tudo, ou melhor, apesar de nada, simplesmente satisfaz a situação. "She's a pretty girl." ... "Pretty girl (...) you hate her! She's pieces of you!" Uma voz meiga, delicada e com uma batidinha simples e tranquila. Ao VIVO!
Estamos tentando fazer um bong. O Daniel está tentando fazer, na garrafa de refrigerante. "Nossa, agora vai ficar bom. Essa cola vai servir pra mais alguma coisa, Busílis." Garrafa grande, tudo de caneta, papel-filme, cola. Tentativa de colocar a cabeça do pipe, não deu, vai beck mesmo.
Tudo é mais tranquilo assim, tudo! As pessoas estão todas viajando. Busílis conta para Anita o que ele acha da vida. Estou escrevendo porque o Busílis pediu, o que se passa na cabeça do Busílis?
A maconha tá acabando bem antes do feriado. Busílis vam embora sábado de manhã, tão cedo."
Incen.
Olha só, o povo no Blog da Ive, no dia do aniversário dela. Na foto de cima, eu de Papai Noel, Marquito à esquerda de óculos e cara de "iughs", do lado direito, Loco e Sato. Na frente, abaixado, o Pinguin, exatamente...
Além dessas fotos, eis as fotos da Ekokatu em que a gente apareceu (no BaladaPlanet, Fotos, Ekokatu II - Pasta 2 - fotos 29 e 44), levemente retocadas (i.e. lisergionadas) pelo Sato:
4.9.03 :::
São quatro horas da manhã e vou ser sincero, algo em mim não quer viajar amanhã. Mas é algo tão covarde, tão imediatista, tão dependente e por isso tudo tão bobo e infantil (sem que devesse ser) que já me lança a "não-vontade" como voto perdido, nem ao menos argumenta, ou ainda, toda tentativa de argumento, que carrega todas essas características, é logo derrubada por tudo isso, um ótimo contra-argumento. Eis algo perdido de mim.
Hoje assisti a diversos curtas-metragens com pessoas estranhas, no bom sentido, felizmente. Ouvi histórias de pessoas totalmente desconhecidas, conheci algumas dessas pessoas, até conheço mais poucas delas. O lugar também me trazia sensações positivamente estranhas, foi tudo divertido, não nego.
Mas também quero viajar amanhã, onde algo da felicidade é garantida, onde tudo está certo ao mesmo tempo que indeterminado, onde está certo ser indeterminado, mas cujos limites às vezes realmente limitam, às vezes.
Estava hoje em uma situação indefinida, "possivelmente" divertida e positiva. Possivelmente porque sempre desejamos o melhor, quando tudo está indefinido esperamos e nos mobilizamos pelo melhor prosseguimento, mas realmente não há definição, então os valores são ainda mais relativos, inexpressivos, sem valor prático. Minha prática, enviesada pela tendência natural humana de buscar o fim um tanto quanto potencializada, sofre com tanta indefinição nesse momento.
Criticamos o que é ruim sempre, ou é o que deveria ser feito, para melhorar o que é bom, não para acabar com tudo porque tem algo de ruim. Esse é o avanço mais básico da vida, entender o meio termo, a impossibilidade da separação entre bem e mal, a interdependência entre ambos.
A intersecção entre o infinito "pré-concepção" e o infinito "pós-morte" é o que chamamos de vida. Plenitude é a ligação direta entre ambos. O que é pleno é mais do que infinito, é total e ponto, sem maiores definições.
Mas a indefinição da viagem é outra, é satisfatória, é "previsível", esperada e bem recebida. Encobre o sofrimento da indefinição cheia de expectativas ansiosas, imediatistas e paralisadas.
A energia sexual humana, como qualquer outra energia, manifesta-se da mesma maneira que as outras, energias religiosas, psicodélicas, transcendentes, vitais, sociais, etc, etc, etc... Porém, ela sofre desde sempre a impossibilidade de ser o que realmente é, desde que nasce, desde que surge, desde que deseja, já começa errado. Em algum ponto todo mundo (ou pelo menos quase todos) esbarra naquilo que lhe foi "mal-visto", desvalorizado, ridicularizado, punido, moralizado.
Vamos todos viajar amanhã, Guarujá V, se isso importa, segundo Dia Mariane Ceron, Viva a Nova Bulgária e o caralho a quatro. Vai ser bom, eu sei, mas me pergunto o quanto demais eu sei...
3.9.03 :::
Fico até mal de escrever posts depois do Busilis, o cara é foda. Aliás, os Caras são foda. Bom, parece que tudo certo para nossa excursão para a sagrada Casa do Gui no Guarujá (esse é o quarto? quinto? Guarujá). Iremos amanhã, e lá permaneceremos até as festividades do 7 de setembro que, como todo mundo sabe, é um dos feriados mais importantes para o Brasil, data em que todos nós devemos pensar seriamente em seus múltiplos significados, e despertar em nós nosso mais puro sentimento patriótico!! E bradar aos céus, com o coração cheio de orgulho e ufanismo, VIVA A NOVA BULGÁRIA!!!!! Sim, glorioso seja o Dia Mariane Ceron!! Caros leitores e neo-búlgaros, quero que encarem esse dia não apenas como um feriado comum (no domingo, ainda por cima) mas que aproveitem esse dia para celebrações lisérgico-psicodélicas e, pelo menos em um momento, ponham a mão no coração e comecem a viver a Nova Bulgária! Viva a Nova Bulgária!!
Putz, o Busílis é incrível, vem do futuro, do presente e do passado, queria tê-lo visto em seus espasmos de risadas incontidas na pró-aluno. Que é que ele tá fazendo na USP afinal?
Bom, parece que vamos para o Guarujá, eu sei que vai estar frio e que talvez eu tenha que passar por provações e tentações, mas como combinado com minha amiga Emily Plays, caso isso aconteça, vamos sair pra tomar cachaça, beleza.
Ah, parece que eu mandei a receita errada de bolinho de chuva, coloquei uma xícara de leite quando era só meia, já arrumei...
2.9.03 :::
Desde sempre eu nunca fui muito da média nem o mais padrão. Pra começar tem a família, o núcleo mais próximo, que sempre foi meus pais, meus tios maternos e suas famílias e minha avó materna. Primeiro que fui o único loiro branquelo (agora só branquelo, mas nem tanto) e sou o único canhoto (e não, não fui adotado, certeza, hehehe). Na minha geração tem dois mais velhos que eu três anos (irmão e prima), uma prima 2 anos mais nova e uma 3 anos, logo, fui o único que não tinha alguém realmente da mesma idade como parente (o que em alguns momentos fez diferença). Meu primeiro porre foi com 3 anos de idade.
Na escola, no maternal usava fraldas e babador (eu era um babão), o que era raro. Quase repeti a pré-escola. Sempre fui dos que mais chegou atrasado e dos que morava mais longe. Na segunda série não fui escolhido por uma menina que escolheu meu "melhor amigo" e eu aceitei fazer o papel de pai dele numa encenação de um casamento dos dois. Na terceira série a professora me mandava pentear o cabelo. Até a quarta ficava sempre atrasado fazendo lição no intervalo. Na quinta ganhava disputas pelo maior número de 10 nas provinhas de matemática e era sempre o primeiro a acabar as provas. Tinha como amigos os excluídos da sala. Durante todo o ginásio, odiei 90% das pessoas que conviviam comigo. Acabei sendo quem mais zuou a coitada de uma menina que entrou na quinta e só ficou um semestre (coitada). Fui dos primeiros a voltar de ônibus pra casa. Estudava numa escola de playboys sem ser um.
Mudando pro colégio (não tinha colégio na escola), só mais duas pessoas mudaram pro mesmo que eu, sendo que o resto se juntou nos mesmos colégios. No primeiro colegial usava um topete ridículo que combinava mais com a turma da escola, com quem mal falei depois da oitava série. Ia bem sem estudar. Gostava de No Doubt e Offspring e considerava Techno e Dance a mesma coisa. Não sabia o que significava "gorfar" e não fumava maconha (o que era raro no colégio). No segundo ano tinha um cabelo gigante e também bizarro e até o terceiro comprei todos os CDs do Pink Floyd que meu irmão não tinha (quase todos) em dois meses. No final, comecei a fumar maconha, mas isso é normal, jogava xadrez no intervalo e sinuca todo fim de semana (o que não me tornou um bom jogador). Não fiz cursinho e fui fazer psicologia, ao invés de direito ou engenharia eletrônica, minhas opções anteriores. Voltei de viagem um dia antes da prova da segunda fase bêbado do Ceará. No primeiro ano mal ia pra balada. No segundo comecei a experimentar qualquer droga que aparecesse. Cheirava B25 de manhã no ano novo do segundo ano. No terceiro tive, na sequência, fase de frequentar bares de rock alternativo e a Lôca pra depois ficar um semestre indo todas as quartas-feiras escutar chorinho e faltando em 6 das 8 aulas em que estava matriculado (passando em todas). Fiquei o ano todo sofrendo de amores por uma menina que vi uma vez na vida. Comecei um blog por causa de uma máquina de fliperama e uma bebedeira motivada pela tal menina. Praticamente só uso papete e meia (o que é muito bom). Falo sempre as piores bobagens que me surgem na cabeça. Volto a pé pra casa de madrugada sozinho e sou apaixonado pela Maria Creuza. Ah, viajei nesse negócio, chega...
1.9.03 :::
Eu ia falar da experiência na rave, em comemoração ao aniversário desse blog que vocês lêem. Foi uma grande celebração, em alto estilo lisérgico, com várias presenças ilustres, inclusive a sensacional participação de nossa árvore de estimação, a Vruil. Mas por enquanto, só vou pôr um trecho de um texto do Ouspensky que li hoje, muito interessante:
"Compreendi por que todas as descrições de experiências místicas são tão pobres, tão monótonas e evidentemente inventadas. Um homem fica perdido no meio de um número infinito de impressões totalmente novas, para cuja expressão ele não tem palavras nem formas. Quando deseja expressá-las ou transmiti-las a alguém, usa involuntariamente palavras que correspondem em sua linguagem comum a "maior", "mais poderoso", "mais incomum" e "mais extraordinário", embora essas palavras não correspondam sequer ao que ele vê, aprende ou experimenta. A verdade é que ele não tem outras palavras. Mas, na maior parte dos casos, o homem nem mesmo se dá conta dessa substituição, porque suas experiências são preservadas na memória como realmente ocorreram só por alguns poucos momentos. Imediatamente se enfraquecem, se banalizam, são substituídas pelas palavras que foram apressadamente e de maneira acidental ligadas a elas para conservá-las na memória. Em pouco tempo, não resta nada além dessas palavras. Isso explica porque um homem que teve experiências místicas usa, para expressá-las e trasmití-las, as formas de imagens, palavras e linguagem que lhe são mais conhecidas, que ele está acostumado a usar com mais frequência e que são, para ele, mais apropriadas e características. Desse modo, pode facilmente acontecer que diversas pessoas descrevam e transmitam experiências absolutamente idênticas de maneiras completamente diferentes. Um religioso utilizará os clichês habituais de sua religião. Falará de Jesus Crucificado, da Virgem Maria, da Santíssima Trindade, e assim por diante. Um filósofo tentará expressar suas experiências na linguagem da Metafísica a que está acostumado. Falará, por exemplo, de "categorias" ou de "mônadas" ou de "qualidades transcendentais", ou algo assim. Um teósofo falará do mundo "astral", de "formas-pensamento" e de "Mestres". Um espírita falará dos espíritos dos mortos e da comunicação com eles. Um poeta falará de suas experiências da linguagem dos contos de fadas ou dos velhos mitos, ou as descreverá como sensações de amor, enlevo, êxtase."
É um trecho importante para um blog como o nosso, que contém tantos relatos de experiências psicodélicas e místicas.
Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso
Jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas
Passado, presente: participo
Sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do stop
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um
No que sigo meu caminho
E no ar que fez que assistiu
Abra um parênteses ¿ não esqueça
Que independente disso
Eu não passo ¿ de um malandro
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas
Mas ando e penso sempre
Com mais de um
Por isso, ninguém vê minha sacola.