Blog Coletivo, Transpessoal e Pichoniano
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30.11.03 :::

"As ruas de São Paulo possuem uma beleza ímpar. São horríveis, eu sei, cinzas, sujas, esburacadas. Há o bonito que combina com isso, o padrão de beleza, que desfila pelas ruas. Não é disso que estou falando. Nesses casos a beleza se perde, misturada, cinza, com a paisagem triste, a decadência de nariz empinado e ar superior, que está sempre em uma disputa, pra averiguar quem, ou o que, consegue ser mais decadente que o resto. Falo, por outro lado, da beleza que salta, da beleza que o cinza feio da cidade ressalta em seu contraste, que as pessoas, assustadas, fogem por não combinar com o cinza, tão identificadas e acostumadas com ele que estão. A lembrança viva de algo que nunca existiu, da maravilha que seria se as ruas combinassem com essa beleza, e não o contrário, perdendo o tom odioso que costumam transmitir.
Na cidade não se pode seguir o exemplo do camaleão ou se torna cinza.
A beleza que irradia, contrasta, choca e machuca é a mesma que faz torcer para que a cidade, e não o camaleão, é que venha a se adaptar..."

É meu, um post de março desse ano arrumado em alguns detalhes defeituosos.


Incensenseiciador ::: 12:46 PM

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26.11.03 :::

Estranho, algumas pessoas deixaram comentários bizarros na campanha Diga Não ao Cirqus Voltaire (tem um link com uma imagem animada aí do lado esquerdo do blog, dá pra ver os comentários estranhos lá). Estranhos porque pareciam agressivos, mesmo indiretamente. Parece que levaram a sério e ainda se sentiram agredidos com a coisa. Ou ninguém entende nada, ou só entende o que quer entender, ou nenhuma dessas coisas, o que tornaria tudo mais estranho ainda.

Incensenseiciador ::: 6:25 PM

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25.11.03 :::

"A aderência rígida ao paradigma newtoniano-cartesiano tem consequências perniciosas, particularmente para a prática da psicologia e psiquiatria. É amplamente responsável pela aplicação inapropriada do modelo médico a áreas da psiquiatria que tratam com problemas de vida e viver, não de doenças. A imagem do universo criada pela ciência ocidental é um constructo pragmático útil que ajuda na organização das observações e dados acessíveis atualmente. Entretanto, tem sido erroneamente confundida, de forma geral, com uma descrição acurada e compreensida da realidade. Como resultado desse erro epistemológico, a congruência percepto-cognitiva com a visão de mundo newtoniana-cartesiana é considerada essencial para a saúde mental e normalidade.
Qualquer desvio marcante dessa "percepção precisa" da realidade é visto como psicopatologia séria, refletindo desordens ou disfunções dos órgãos sensoriais e do sistema nervoso central, uma condição médica ou uma doença. Nesse contexto, os estados não-ordinários de consciência, com poucas exceções, são considerados como sendo desordens mentais. O próprio termo "estados alterados de consciência" sugere claremente que eles representam versões distorcidas ou bastardas da percepção correta da "realidade objetiva"."

Stanislav Grof


Incensenseiciador ::: 5:41 PM

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24.11.03 :::

Hummm, não sei se como lasanha (4 queijos) ou estrogonofe...

Que problema, não?

Se todos os problemas fossem desse tipo, não haveriam problemas...
Disse o poeta.

Quem não é poeta?
Disse o segundo poeta.

Pra terminar, chegou o terceiro poeta e disse:
Não existem poetas!

Acabei por comer as duas coisas.


Incensenseiciador ::: 6:21 PM

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23.11.03 :::

Eu estava agora lendo um texto da Melanie Klein, pra prova da Sueli, e tal. Ela fala na importância da identificação com o outro para que possa haver uma superação real da inveja. Quando se tem essa identificação com o outro, não só não se sente inveja como também é possível sentir uma admiração e mesmo felicidade causada pela felicidade do outro. Isto é, de certa forma, podemos desfrutar dos prazeres, das experiências e da felicidade de outras pessoas. Porém, para que ocorra essa identificação, parece ser necessário que já tenhamos vivido ou sentido a experiência do outro. No exemplo da Klein, um idoso que tenha aproveitado plenamente sua juventude e sido capaz de elaborar o fato de que já não pode fazer as mesmas coisas, ficará feliz ao ver os jovens desfrutando de suas possibilidades - ao invés de tentar controlá-los, contê-los, ou ficar reclamando. Nessa segunda atitude, a inveja é clara.
Portanto, a superação da inveja e a chave para a identificação real com o outro está na nossa necessidade de viver todo tipo de experiências por nós próprios. Daí a necessidade de se estar aberto para todas as experiências, todos os modos de vida, todas as cores do caos da existência.
É claro, não é necessário se ter todas as experiências individuais. Isso é impossível, mesmo porque toda experiência é, de certa forma, única. O que quero dizer é viver todos os tipos de experiências. Não preciso já ter tido uma experiência homossexual para me identificar com um gay, ou já ter matado alguém para me identificar com um assassino (e considerá-lo como um ser humano de verdade, e não só como um depósito de todos os meus sentimentos maus que deve ser extirpado da face da terra). Basta já ter vivido uma situação semelhante. Essa situação pode ser bem diferente em sua superfície, mas mantém uma estrutura igual, alguma coisa que possibilite - mesmo que seja inconscientemente -, uma associação entre as duas experiências - a minha e a do outro. Nos exemplos acima, talvez uma experiência de satisfação de um desejo que não é bem visto por determinado grupo, e que deve ser feita escondida possa servir para se identificar com a discriminação que o homossexual sofre. Já ter tido o desejo de matar alguém, já ter perdido o controle, já ter feito algo terrivelmente errado - tudo isso pode servir para a identificação com o assassino.
Em alguns casos, a diferença entre as experiências pode ser apenas no grau de intensidade de uma emoção. Talvez você nunca tenha tido determinada sensação ou emoção num grau tão forte quanto outra pessoa, mas se você já teve outro tipo de emoção num grau tão forte, isso também pode ajudar na identificação.
Algumas experiências, é claro, parecem básicas, arquetípicas, e talvez seja importante que todas as tenham, mas não ousaria determinar quais são. Sugiro apenas grandes categorias, como estados alterados de consciência, o amor, o ódio, a raiva, a depressão, o êxtase, o pânico, o sofrimento, o prazer,.... (na verdade, todos esses são estados alterados de consciência. Alterados em relação ao quê, afinal? Parece que não há um 'estado normal' da consciência... É apenas uma questão de média estatística... Logo, a expressão 'estado alterado' também se torna redundante.)
É essa identificação que nos possibilita a capacidade de amar verdadeiramente, e a capacidade de se viver uma existência serena e feliz - e de se deixar os outros viverem como quiserem!!


SATO ::: 6:08 PM

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18.11.03 :::

Experiências Práticas

Como disse no post anterior, nós, como mercadorias, nos limitamos à nossa possibilidade de ter algo para vender de nós mesmos, e achamos que somos isso. Algumas teorias sobre o comportamento chamam a "mente", o "mundo interior", de uma caixa preta, impossível de ser estudada. Ontem, por causa da chuva, acabou a luz e, andando pela rua, ouvi uma mulher que parecia morar no décimo segundo andar dizendo: "O problema não é nem o exercício, o problema é o medo..." Hummm, medo do escuro, no escuro não vemos, a visão é o nosso contato mais intenso com o mundo, mais específico. No escuro não vemos. Sim, de certa forma intensificamos as atividades dos outros sentidos para tentarmos nos situar, mas diminuindo o contato com o mundo, aumenta o contato consigo mesmo. Se nós somos mercadorias, coisas, e coisas não têm necessidades, não compreendemos o que está acontecendo quando entramos em contato conosco mesmos, isso gera tensão, ansiedade, desespero, medo. No fim, medo estúpido e irracional do escuro é medo de si mesmo.

Outro dia, ônibus, duas meninas conversando sobre trabalho, uma dizendo, que no começo trabalhava até mais tarde, trabalhava de sábado, trabalhava, trabalhava, trabalhava, para diminuir o atraso do trabalho, até que percebeu que por mais que trabalhasse, o atraso continuava lá, do mesmo jeito, então passou só a cumprir tabela. Poderia discorrer aqui sobre como não damos importância para o que fazemos, estamos condicionados a acreditar que temos que trabalhar para nosso sustento e ponto. Mas na hora o que me ocorreu foi uma mandala, um círculo com um ponto no centro, simplesmente. O círculo representava o caminho do trabalho da menina, o que ela tinha que fazer, o que a ela incumbiam. Quanto mais trabalhava, mais caminhava pelo círculo, acreditando-se avançando em direção aos objetivos e ao atraso. O objetivo em atraso, porém, era o ponto no centro, logo, por mais que ela avançasse mais rápido, estava sempre na mesma distância em relação ao centro, ao objetivo, do que então a velocidade do trabalho não fazia a menor diferença.

A 9 de Julho, aqui em São Paulo, no ponto onde eu estava atravessando, tem do lado onde comecei a atravessá-la, a faixa de pedestres no local mais comum, rente à esquina, até o canteiro central, depois há um recuo e a faixa fica um pouco distanciada da esquina, para que os carros que viram parem e deixem os pedestres atravessar. Antes tinha uma grade que impedia que se fosse reto e se atravessasse a segunda parte fora da faixa, agora tiraram, por causa da reforma do local, mas o farol continua parando os carros que viram. Duas pessoas que atravessaram comigo não foram até a faixa de imediato e ficaram olhando os carros, esperando um milagre, que eles sumissem, para poderem atravessar, já que não havia grade para desviá-los do caminho "errado".
O farol vermelho pode, metaforicamente, representar uma pequena interrupção na liberdade, logo, o farol verde é a reconquista da liberdade perdida, pura ilusão, porém. O que dá a entender, pensando assim, é que quando nos deparamos com a "possível sensação da liberdade", reagimos, por condicionamento, andando reto o máximo que pudermos enquanto ainda formos "livres", para aproveitar tudo ao máximo, vai saber, por achar que há um caminho, quiçá, e por aí vai.

É...


Incensenseiciador ::: 5:49 PM

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Outro dia, tive um sonho. Em uma parte dele, estava em um carro com alguém, que não me lembro quem era. Eu explicava pra ele que os sonhos da maioria das pessoas podia ser interpretável, mas os sonhos dos verdadeiros mestres, de pessoas iluminadas, não podiam ser interpretados. Eram apenas uma festa de cores, formas e símbolos, exuberantes em seu caos, um espetáculo grandioso, mas não queriam dizer nada sobre o "inconsciente" do sábio.

Ontem, tive outro. Em um momento, estava me preparando pra sair. Lembro-me que tinha que passar por uma preparação complicada pra sair, tinha que vestir um roupa pesada. Por último, vesti um pesado e sufocante capacete, que na verdade era uma máscara, com o meu rosto. Meu rosto antes era meu, mas era outro rosto, diferente do da máscara, que também era eu.

Estranho.


SATO ::: 5:28 PM

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17.11.03 :::

Marx disse que nós somos mercadoria. Não somos nós que vamos satisfazer nossas necessidades comprando comida ou sapato, mas a comida e o sapato, coisas, o capital, que satisfaz sua necessidade nos utilizando, como coisas, para isso. Um Big Mac, por exemplo, satisfaz sua necessidade de ser consumido, faz circular o capital, e não atende à nossa necessidade de alimentação. Mas coisas não têm necessidades. Mas nós é que somos as coisas.

Aí chega uma crise do sistema o que acontece? Vamos manter a estabilidade e garantir a circulação de mercadoria. Consequências? Desemprego. O trabalho, a força de trabalho, nós, nossa atividade humana (tudo isso é uma coisa só, viu), é apenas uma mercadoria. Claro que num período de crise temos que abrir mão de alguma coisa e, por incrível que pareça, se abrirmos mão de garantir a boa circulação da mercadoria "humanos", é sempre a maneira mais eficiente de passar pela crise com o mínimo de dano à circulação de mercadorias. É o meio mais eficiente. Pra ficar mais claro, uma outra possibilidade, por exemplo, onde não aumentasse tanto o desemprego, com certeza várias mercadorias teriam problemas de circulação, provavelmente as mais caras, como é uma questão quantitativa (mercadoria é sempre mercadoria, não importa a qualidade, se são copos de plástico ou força de trabalho) então é melhor sacrificar uma mercadoria só, a gente.

Acima, trechos de uma palestra hoje, segue agora a continuação disso na minha cabeça, algumas delas.

Aí sofremos, aí aparecem infinitas outras mercadorias que nos consomem para minizar o nosso sofrimento, a algumas chamamos de terapia, inclusive.

Do ponto de vista do capital isso não tem importância, mercadoria por mercadoria, nós e caixas de tomate somos a mesma coisa, nós não temos dinheiro, ele é que nos tem, assim como às caixas de tomate. Caixas de tomate não pensam...

E nós?


Incensenseiciador ::: 4:40 PM

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14.11.03 :::

Transcrição:

"12/11/03 Quarta-feira

Estou na casa da Lets, a casa nova da Lets, desde às duas e meia da tarde. Já são oito horas da noite. Quem estava conosco, o HAXIXE. Sim, ele mesmo, nosso amigo resinoso e haxixento. Ele está presente em minha alma, já estou para ir embora e escrevo: Observei os enCARAcolados, só observei, foi divertido, interessante e tranquilo. Agora estou na sala nova com três caras tocando Jazz na minha frente, like a JAM."

De resto:

Sim, agora temos um padre, finalmente isso é uma igreja, vocês deixam de ser leitores agora para se tornarem fiéis, irmãos, ovelhas do rebalho nogoodgolferista, quiçá, cavalos de Tróia, quiçá... Até casamentos poderão ser realizados.


Incensenseiciador ::: 6:08 PM

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12.11.03 :::

Teste, 1,2...1,2...
Vamos ver se vale a pena superar este desafio.
O desafio de ser o Cavalo de Tróia.


Padre ::: 9:27 PM

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11.11.03 :::

Lista:

- Que merda.
- Poucas pessoas sabem alguma coisa ao meu respeito, talvez eu esteja me tornando, aos poucos, uma delas.
- Alguém me dá um ácido.
- Drogas são legais, mas nem tudo o que é legal é droga.
- As coisas não funcionam como as pessoas querem, as pessoas é que funcionam como as coisas mandam.
- Que coisas?
- Que coisa!
- Isa, por que você quer ser inerte perante a vida?
- Servirá a psicologia para alguma coisa?
- Digo, em relação ao mundo da "não-psicologia"?
- Digo, fora do mundinho de filosofices psicológicas de "auto-conhecimento"?
- É incorreto virar pro sujeito e dizer que ele é um bosta, se ele estiver pagando?
- "Ei, seu bosta, olha a cagada que é a sua vida!"
- Associações livres?
- E se eu fizer isso na rua para outra pessoa?
- A minha vida não está na mesma bosta?
- Não, estudar psicologia não é garantia de nada, muito pelo contrário.
- Não, a minha vida não está na mesma bosta, ela está na minha bosta e do jeito que eu caguei.
- Qual o problema com a bosta?
- Cagamos (praticamente) todos os dias, faz parte da própria vida.
- Acho que preciso ir ao banheiro.


Incensenseiciador ::: 9:16 PM

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10.11.03 :::

Viagem pra Ribeirão.
Tá, eu poderia resumir tudo a uma grande viagem de haxixe, mas,
Chegamos e fumamos haxixe!
Procuramos o Max e fumamos haxixe!
Não achamos o Max e fumamos haxixe!
Encontramos o PH e fumamos haxixe!
Fomos pra balada e fumamos Haxixe!
Combinamos a balada nas cachoeiras e fumamos haxixe!
Acordamos e fumamos haxixe!
Não encontramos ninguém e fumamos haxixe!
Esperamos a tarde toda, por muito tempo, e fumamos haxixe! e fumamos haxixe! e fumamos haxixe!
Fomos para o sítio e fumamos haxixe!
Voltamos para a casa e fumamos haxixe!
Dormimos e fumamos haxixe!
Procuramos o Max, o Chapado, a Manu, todos de novo em vão e fumamos haxixe!
Ficamos falando oirártnoc oa o tempo todo com a alebasI e fumamos haxixe!
Fomos embora fumados de haxixe!
Conclusão, nem que Shiva tenha vivido a vida toda no sétimo dia, nós fumamos mais haxixe!
Ou, putz, não aguento mais fumar haxixe!
Ou ainda, pô, só fumamo haxixe!

Queria agradecer à alebasI que nos acompanhou guerreiramente falando ao contrário e fumando haxixe na vespera de uma prova de concurso em pleno domingão. Ao Rafa que aguentou boa parte do tempo com a gente. À casa que nos hospedou. Ao sítio abandonado que nós não abandonamos e especialmente ao senhor s'bibaH ocratulP, que nos acompanhou do começo ao fim.
Tudo graças ao haxixe, que fez com que Plutarco Habib's, o magnata do papel higiênico, da tradicional família dos Henrique, aguentasse acompanhar a gente, os lesados de São Paulo até o fim.

Fumar haxixe é legal, mas nem tudo o que é legal é fumar haxixe!


Incensenseiciador ::: 7:14 PM

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6.11.03 :::

Imaginário

Imagine-se aquela "pré-criancinha-pós-bebê", saindo da pré-escola no período da tarde, observando, por detrás da grade, o velho pipoqueiro e seus estranhos grãos coloridos, brancos ou vermelhos, girando aquela panela estranha de onde saem odores incrivelmente amanteigados. Crianças de todas as pequenas idades compram com suas mães a mesma pipoca todo dia. Sua mãe, sempre a última a chegar, atrasada, só te busca quando o pipoqueiro já foi embora...

Imagine-se com muita sede, num lugar onde a única coisa disponível, inclusive sem água da pia, é uma lata aberta de Kuat Com Laranja Light quente.

Imagine-se no banheiro cagando quando as paredes se levantam e você está no palco do Teatro Municipal lotado.

Imagine-se de pijama, acordando em sua cama, no meio do círculo central do Maracanã, acordando com o apito do juiz encerrando a final da Copa de 50.

...até que um dia o pipoqueiro olha para você, de novo a pobre criancinha, com um sorriso diferente e um brilho nos olhos, e não vai embora até sua mãe chegar!


Incensenseiciador ::: 8:33 PM

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4.11.03 :::

Ahhh... Estou aqui na Pro-Aluno e não tenho nada pra fazer. Quer dizer, tenho R$ 17,60 pra ler de xerox pra uma prova, mais dois textos pra duas outras provas, mais um monte de trabalhos pra fazer, mas agora não posso fazer nada disso. E por que não? Porque eu não quero, então foda-se. Bom, quero dizer que está tudo programado para a viagem do fim de semana para os confins do mundo, algo tipo Delfinópolis, ou seria Definópolis, a cidade do Max? Quiçá, mas é ele quem vai fazer o som da balada. Então o senhor Plutarco Habib's lê esse blog? Ora ora, que incrível, e ele nunca fala nada. Bom, nos encontraremos para acertar essas diferenças, fiquei sabendo que ele ficou me chamando de traidor pelas costas, vamos ver então, sugiro um duelo pra ver quem consome mais cápsulas vermelho-xamânico-enteogênico-estimulantes na balada, ou quem cheira mais rapé marrom psicoativo. Aliás, sempre bom falar, rapé, bom. É, não tenho mesmo o que falar, não tenho mesmo o que fazer, não vou começar a estudar agora e digitar é tão bom, exercita os dedos, parece que se está falando sem falar. Bah, chega disso, beijos e abraços pra vocês, meus amores.

Incensenseiciador ::: 2:35 PM

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2.11.03 :::

Vamos lá. Contar um pouco sobre a viagem pra Ribeirão, por que não? Temos até pelo menos um leitor de nosso blog lá, o velho e bom sr. Plutarco Habib, ou PHc.

Dessa vez, fomos eu, o Loco e o Busilis. Hum, não vou saber contar nada de forma cronológica, então vou apenas descrever algumas imagens e situações, como se fossem as lembranças confusas de um doce e misterioso sonho.

Apartamento do Max, um flat internacional com elevador panorâmico na praia, mas não tem praia. Caixas de som enormes tocando, um plug in psicodélico na tela do computador, o tempo inteiro, e sempre algumas pessoas fumando, esparramadas em sofás. Vários amigos. O Chapado entra cantando algum hino religioso.

Brumas de absinto. Sim, absinto de verdade, como no século XIX. Uma festa boêmia em Paris, fumamos haxixe e bebemos absinto. Mas tem música eletrônica tocando. As penas do pavão passam rapidamente pelos meus olhos. Imagens de outros mundos.

Um pinguim verde, quando você aperta faz barulho. Era a pessoa mais animada da balada, sempre dançando e fazendo barulho. Triste fim, teve o pinguim. Max, o Surto, o jogou pela janela na manhã seguinte. Nunca saberemos porquê.

Rapé com DMT. A gigantesca fazenda do Max, magnata da soja e do arroz. O céu estrelado, a grama sob mim, as estrelas oscilando em variadas cores, padrões de tapete persa dançando no céu noturno. Ao longe, uma flauta de bambu ressoa. Apenas sinto minha respiração.

No bar na frente da casa do Max, conhecemos o velho Cidão, barman e raizeiro. Bebemos sua Imburana, bebida escondida e levemente alucinógena.

Na pequena lanchonete, em frente ao prédio do Max, sentamos, apenas esperando o dia passar. O céu está azul-infinito. Busilis fala: "só existe a Tarde". O tempo passa, viscoso.

Dormindo a tarde inteira, em um pequeno colchonete, músicas psicoativas, haxixe, maconha. Algumas pessoas entram na casa do Max, conversam comigo, vão embora.

Numa vilinha, de madrugada, estão gravando o Chapado, chapado, falando, falando. Torrentes de associação livre e conhecimentos ocultos e gnósticos. Risadas.

As meninas estão fazendo um bolo de maconha. Piadas, conversação non-sense, bobagens, o tempo todo.

Ela está apenas preparando uma vitamina de morango. Mesmo assim, eu choro uma lágrima de êxtase ao ver a cena.

Casa dos pais do Max, refeições deliciosas, conversas sobre golf com a mãe dele, mas ele está ocupando, torturando a pobre cachorra, pra ela não ser tão mimada.

É, foi mais ou menos assim....


SATO ::: 3:41 PM

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Ontem aconteceu a passeata pela descriminalização e/ou legalização da maconha. Tudo começou na Paulista, onde umas 200 pessoas, no máximo, se juntaram e conseguiram fechar uma pista da avenida em caminhada até o Ibirapuera. Confesso que ri bastante, sóbrio, das musiquinhas, dos comportamentos que se encaixam nas descrições que Freud fez em 1920 do funcionamento de grupos inspirado em autores que observaram grupos no século XIX. Ainda somos vitorianos... O que acontece de inteligente, de interessante, muitas vezes acaba não fazendo muita diferença. Façamos um esforço para que o que foi produzido de bom permaneça. É importante mudar as pessoas, afinal, não drogá-las. Já me achei um entusiasta em relação às drogas, doce ilusão, me descobri melhor, um entusiasta em relação às pessoas. Elas poderiam só colaborar um pouco mais, quiçá...
No Ibirapuera, lógico, assim que entramos no parque, acenderam-se milhares de baseados e, lógico, um guardinha iria pegar um, mesmo que só pra fazer a diferença, o serviço, escolher o bode expiatório. Bom, foi feito, alguém acabou levando porrada. Descobrimos, eu e o Sato, os efeitos psicoativos do rapé caseiro com 10 plantas diferentes. Cinco rapeladas seguidas e estávamos deitados na grama, enquanto o coro começava a comer ali do lado, em frente ao lago e aos cisnes poluídos.
Finalmente, depois de muito tempo, nos reunimos para fumar de verdade e comer uma pizza, fim do dia. Rapé, bom, passeata, engraçadíssimo e bom, casa da Lets, muito bom...

Ah, Mel, moramos em Sampa, uai!


Incensenseiciador ::: 12:30 PM

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