Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
5.7.04 :::
, ouçam Paulo Freire, viola caipira episcopática da melhor qualidade (não, não é o pedagogo e educador Paulo Freire) e hoje eu tive um sonho interessante, embora eu saiba que vir aqui para contar sonhos torne esse blog um simples blog, e não mais uma onomatopéia, ¡blog!, enfim, foi um sonho de angústia, estava embaixo do meu prédio, num bar que não existe com as pessoas da psico, então corri para o consultório de uns caras que já se formaram que eu nem sei se têm consúltório, à distância de uma quadra do meu prédio já que precisava ir ao banheiro pra, como dizer, ah, dar uma cagadinha. (parece que o consultório era do Zuza e do Chico, sic) Aí entra a parte bizarra e de angústia, praticamente uma agonia impensável revisitada (agonias impensáveis segundo Winnicott, cair pra sempre num espaço sem fim, i.e., espaço e tempo infinitos), eu não conseguia me limpar, por mais que eu passasse papel, continuava sujo e melequento (tô contando como foi mesmo, podem achar nojento), então foi que passaram os donos do consultório com pessoas que podiam ser pacientes, e eu, ali, numa posição estranha (talvez a posição em que eu estava dormindo de verdade), me limpando, e nem foi a parte mais bizarra, porque depois pensei, peraí, por que não subi pra casa já que tava tão perto, aí eu voltei pra casa, ou nem voltei pra casa, porque eu estava pelado, ou melhor, eu era uma mulher, de cabelos negros e compridos, gostosinha até, estava pelada, nadando numa cachoeira e explicando, de alguma maneira, ou pensando, interessante que o pensamento não estava em mim mulher no sonho, mas como se fosse em mim dormindo, embora eu achasse que fosse a mulher do sonho, (isso já é pensamento de gente acordada, eu sei), pensando que estava me limpando na água, alguém nadava comigo, um homem, tipo um namorado, me limpava abrindo as pernas pra queda d'água da cachoeira, acho que também aproveitava minha condição feminina pra me excitar, já que sentava de frente pra água e abria bem as pernas. Nessa hora pensei na diferença entre mim, "de verdade" dormindo, como eu faria na situação, comparando com "eu" mulher no sonho. Nessa hora já estava divertido, a angústia tinha passado, o sujeito da cachoeira não fazia nada lá, nem lembro se ele estava nessa hora do final, e foi isso.
Eu sei que é ridículo começar o post com uma vírgula, como a Clarice, mas por que não ser ridículo?
E hoje, que faz três anos que cheguei em Amsterdam e fumei um skank com tabaco que me aguardava no aeroporto, com meus bons amigos Caetano e Burgüer?