Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
30.8.04 :::
Hoje, de madrugada, olhando para um vaso sendo regado, vi ali uma flor na UTI. Impossibilitada de viver, sobrevive às custas de sofisticada aparelhagem, jamais pensada por uma planta, um grande aparato, uma inimaginável cadeia de túneis, poços, bombas, filtros que termina em uma torneira, que artificialmente a nutre de seu soro vital.
Há uma tese simples, de que o homem tenta se diferenciar da natureza negando-a. Ao negá-la ela o nega e ameaça, destruindo-o. O homem tenta dominá-la e com isso domina a si mesmo, sua natureza negada. Uma planta, num vaso, não sabe que deixou de ser uma planta porque ela simplesmente é, sem saber, o sujeito que rega o vaso acha que vê ali uma planta, acha-a bonita e admira a natureza. Mal sabe que o que admira é a si mesmo, substituamos todas as flores por narcisos, enquanto a florzinha sobrevive por meio de aparelhos. É como se cuidássemos com carinho de nossa natureza negada. O vaso, que protege a plantinha de tudo o que possa influenciá-la sem o nosso controle, a impede de ser ela mesma. Assim o homem, que ao negar sua natureza em nome de uma sociedade que garanta sua sobrevivência não tem mais o que garantir porque já abriu mão do essencial a priori, se vê no direito (porque inventou os direitos) de incorporar tudo a si mesmo já negado. A planta que sobrevive no vaso é o homem negado, porque só consegue trazer a natureza para sua vida negando-a. Tudo o que vemos acaba se tornando nós mesmos. Nós, que criamos deus à nossa imagem e semelhança, que então nos criou à sua imagem e semelhança (a nossa própria), identificados com a divindade, criamos o mundo à nossa imagem e semelhança, o mundo negado e dominado, criamos a natureza negada e dominada, só conseguimos ver aquilo que se parece conosco. Mas como somos nós que nos parecemos com o mundo, criamos então todo um mundo artificial e falso para nos assegurarmos de que continuaremos (não) sendo nós mesmos. Criamos as plantas que (por x e y razões) achamos bonitas e tornamos bonitas, criamos raças artificiais de animais para complementarem certas características humanas e por aí vai, até onde quisermos, mas não queremos mais, temos que.
Não sugiro, com isso, que deixemos de ter plantinhas em casa (talvez sugerisse que deixemos essas casas), porque estaríamos negando a própria negação (dupla negação), mas mentira, nem por isso, porque talvez toda essa negatividade seja mesmo insuportável. Se o homem é negatividade, então que não haja homem, pelo bem daquilo que só conseguimos conhecer através de nossos sintomas, mais uma vez o negado. Se o homem não é, então que sejamos qualquer outra coisa.
Texto que escrevi de sopetão, mas enfim alguém pra voltar ao velho estilo do blog, drogas, maconhinha, lembranças saudosas, Viva o Sato!!!
Por que não? Aqui está um registro de uma das últimas obras primas de meu amor. Sim, é um cone escaneado... É meio arte conceitual, sabe? Representa a efemeridade e impermanência da vida, pois, em pouco tempo, essa bela obra de arte não existirá mais no plano material...
Será que alguém ainda lê isso aqui?
Vasculhando meus arquivos, encontrei uma relíquia de um passado remoto e memorável. Nada menos que o único registro conhecido da tumultuada passagem de Maconhinha (e Sansão) por Eldorado, digo, por Amsterdam! É disso que as lendas são feitas! Quatro de agosto de 2001, uma odisséia em Vondel Park...
29.8.04 :::
AHHH!!! Tenho internet de novo! Após intermináveis e tenebrosos meses sem acesso a esse blog, finalmente consegui voltar. Aconteceram tantas coisas nesse tempo, pensei tantas coisas legais, tenho TANTO pra dizer que, obviamente, não vou tentar dizer nada agora. Mas vocês não perdem por esperar. É legal estar aqui de novo.
22.8.04 :::
Ah, essa vida de fumar maconha e ir ao cinema. Ontem vi A Mulher de Todos, é de 69, filme nacional marginal, experimental, viajão com participação do Jô Soares, vai entender, sensacional e de graça, vai passar um monte desses. Depois Hitcock (como escreve???) A Dama Oculta, depois o filme do Michael Moore sobre o Bush e o 11 de setembro, que foi o pior dos três. Antes de tudo isso vimos dois caras trepando de luz acesa numa janela com a vizinhança toda assobiando.
Fiz meu terceiro bong, na verdade é praticamente um Narguilé, com mangueira, não preciso nem me mexer pra fumar naquilo, e ainda é um becker de vidro, sensacional, só falta o Ópio agora.
11.8.04 :::
Vejam só: procurei no yahoo os termos 'Adorno' (O pensador, não o substantivo masculino) e 'misticismo' e um dos achados foi o Docionário. Que cousa!
4.8.04 :::
Aliás, não existe "caminho", não existe "algo mais elevado", não existe "ego", "espírito", "matéria", não existe nem mesmo tudo isso aqui, não existe "caminho pelas drogas" nem mesmo fora delas, tudo ilusão. Até mesmo a ilusão, não existe "ilusão". Não há "nada" nem "não nada".
Talvez haja, simplesmente haja, mas não haverá mais nada.
Então, gente, calma, relaxem todos porque não há (não há!) nada com o que se preocupar, não há ansiedade.
Tensão é só o primeiro passo (e que passo!).