Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
Existem dois modos básicos (e os mais fáceis) de se separar a clara da gema de um ovo.
O primeiro modo é quebrá-lo (quebra-se sempre no meio, na parte lateral do ovo, no "equador" da coisa, e com cuidado, muito cuidado, inclusive pra não quebrar a gema) e jogá-lo na mão (bem limpinha, hein!!!) com os dedos entreabertos, a clara escorre e a gema fica. Recomenda-se que tudo isso aconteça em cima de uma vasilha, pra que a clara caia nela, o que evita sujeira e pode até servir pra guardar a clara pra uma outra receita, ou a gema, se você estiver precisando da clara. Como eu só "sei" essa que precisa da gema, não tenho o que fazer com a tal da clara.
O segundo modo é, quebrando o ovo no meio, conseguir separá-lo em duas metades, segurando cada parte com uma mão. Deixa-se cair a clara (pode ser na mesma vasilha citada acima) e vai-se passando a gema de um lado para o outro, até que toda a clara escorra. Para quebrar o ovo e separá-lo, é sempre bom tomar cuidado para que a casca não espatife na sua mão, o que é um tanto quando desagradável e, além de tudo, nos leva para o primeiro dos...
Modos bizarros de separar a clara da gema
Bom, você, tentando abrir o ovo e divi-lo no meio (quando finalmente descobre que no meio do ovo não tem um "v") espatifou-o na mão, ela ficou toda melada e seu conteúdo, com sorte sem nenhum pedaço de casca, caiu na vasilha que você colocou embaixo. Mas você só precisa da maldita gema, não me pergunte o porquê, porque não faz sentido. Aí deve-se pegar uma colher e tentar "pescar" a maldita bolhinha amarela no meio daquela baba gosmenta transparente. Isso considerando que a gema já não quebrou e começou a se espalhar e se misturar na baba da clara. É praticamente impossível e improdutido.
Outro jeito é fazer um furinho no ovo e deixar escorrendo. Só que a clara não é propriamente líquida, ela parece mais um catarrão bem gosmento mas ao mesmo tempo bem coeso, ou seja, balança, estica, mas não cai e não escorre direito. E vai tentar fazer um furinho no ovo pra ver só.
Bom, quebrados os ovos e separadas as gemas, fui tentar fazer o famoso brigadeirão da minha infância e da minha babá. Hoje, vasculhando gavetas antigas, encontrei algumas receitas da minha tenra memória e lá estava o brigadeirão, que eu não sei se é realmente a receita que eu comia, já que existem tantas receitas de brigadeirão quantas babás cozinheiras do mundo. Misturei tudo direitinho, untei a forma mas logo veio o problema, o banho-maria. Pra quem não sabe (digo isso porque sendo um blog tradicionamente de drogadictos sonhadores, não se garante que alguém saiba o que é banho-maria, embora receitas "especiais e espaciais" estejam na moda por agora, ou seja, tem gente aí mexendo com cozinha) banho-maria é o processo de cozinhar, assar, ou seja lá o que for colocando o recipiente com os ingredientes em outro recipiente com água, que aí vai ao fogão ou ao forno, dependendo da receita. E sim, descobri isso só depois de tentar a receita, porque a anotação que eu achei dizia, ingredientes X, y e z, nas quantidades a, b, c e depois dizia, unte a forma e deixe em banho maria. Não falava como misturar, como fazer, nem o tamanho da colher (que pode ser de vários tamanhos) das medidas usadas. Considerei que o padrão era sopa.
O que aconteceu foi que deixei a maltida receita em banho-maria no fogão, o que é bem difícil, principalmente em se tratando de uma forma de pudim com furo no meio, que faz o negócio boiar, além de dar tudo errado. Resumindo, o negócio ficou por lá por umas quatro horas, a água secou umas três vezes, tentei tampar, destampar e tudo o mais e o que aconteceu? O brigadeirão saiu de lá com pelo menos quatro consistências diferentes classificáveis. Nas bordinhas, uma crosta seca e dura de chocolate. Na parte de cima, que deveria ser a parte de baixo, caso eu tivesse conseguido desenformar, um creme grosso e doce de chocolate muito melado. Na parte de baixo (e que deveria ser a de cima), um pudim farelento igual ao de padaria xexelenta e no meio, em alguns pontos mais escondidinhos lá estava, o gostinho e consistência que me lembraram a doce infância brigadeirada, esta foi a esperança, no fundo, na alma, na essência de toda aquela porcaria estava um resquício quase paleontológico do que estava-se procurando. No fim, eu e minha mãe comemos tudo em 10 minutos, e isso faz só uma meia hora.
26.3.05 :::
Declaro oficialmente que a coisa mais difícil do mundo é separar a gema da clara de um ovo, qualquer outra coisa acima disso fica então, automaticamente classificada como impossível. Haja dito (que o Dito, maldito, fosse contradito).
15.3.05 :::
Segundo Reich (e eu acredito nisso também), as emoções são expressões dos movimentos plasmáticos no nosso corpo, isto é, as emoções são movimentos (moções) da energia pelo nosso corpo. Bem ,a partir daí podemos concluír que as emoções não acontecem no cérebro, como a gente aprende por aí. Tanto que emoções (movimentos plasmáticos/energéticos) são encontradas em seres vivos que não possuem sistema nervoso. Na verdade, o cérebro não produz as emoções, ele é simplesmente um órgão responsável pela auto-percepção de nossas emoções - o cérebro, de certa forma, espelha os processos que acontecem no organismo como um todo passando esses processo para um outro tipo de linguagem (não-verbal) que pode ser utilizada para a auto-percepção das emoções(esse, sim, um processo exclusivo dos seres com sistema nervoso central). Portanto, se algum cientista por aí diz que se se estimular tal área do cérebro sentiremos tal emoção, ele está certo e errado, pois realmente sentiremos a emoção, mas ela não ocorrerá realmente (não haverá movimento energético). Bem, é só uma hípótese minha, mas faz sentido, por enquanto. Quanto ao pensamento lógico e tal, isso realmente tem a ver com o cérebro, pois o pensamento é uma função da auto percepção humana - mas esse pensamento depende, é determinado por, processo energéticos mais profundos que ocorrem no corpo inteiro. O pensamento, a lógica, também segue as leis do movimento energético, e se há disfunções no funcionamento energético do organismo, haverá disfunções na auto-percepção e, portanto, no pensamento e funcionamento cognitivo. Acho que não ficou claro, mas é isso.
12.3.05 :::
Continuará esse blog a existir, agora que seu patrono e fundador carinhosamente apelidado de Incen, enfim, o Gui, virou um trabalhador socialmente ajustado ao engodo preponderante? Eu e Busílis, ainda na doce vida de universitários prometemos que sim!
4.3.05 ::: Sonho 1: Estava no carro dos meus pais, viajando por alguma estrada à noite. Me sentia muito bem, meio encolhido e protegido no banco traseiro. De repente, somos parados pela polícia. Me lembro de que tem um tijolo de maconha sob o banco e entro em desespero. Nada posso fazer, a essa altura. Tento escondê-lo, mas sei que não terá como. Os policiais ficam enrolando por um longo tempo, mas não entram no carro. Após muita tensão, o carro começa a andar de novo. O alívio é curto, pois logo o carro entra em um túnel em chamas e explode. Acordo. (comentário: assim que acordei, interpretei ese sonho como um nascimento, talvez o meu. Primeiro viajo protegido no carro de meus pais = vida intra-uterina, MPB 1. Depois a polícia nos pára e coloca pressão. Sensação de sem saída = Começo das contrações, sem abertura do canal de parto, MPB 2. Depois, entro em um túnel de fogo = Muitas mulheres descrevem a passagem do bebê pela vagina como um "anel de fogo", MPB 3. Depois, não sei. Sei que no meu nascimento, minha mãe recebeu anestesia. Não senti a MPB 4, a saída? Além do mais, fui recebido em um hospital, com luzes e intervenções desumanas, além da separação da minha mãe. Não senti o êxtase do nascimento?
Sonho 2: Depois do sonho anterior, dormi de novo e tive um cochilo maravilhoso, com um sonho lúcido extremamente real. Visitei meu antigo colégio, casas misteriosas, cenários incrivelmente detalhados. Em um momento comecei a flutuar pela casa, me impulsionando pelas paredes. Cheguei até o banheiro e tomei um incrível banho flutuando. Maravilhoso.
Relato de experiência: Outro dia, tomei um ácido com um grande amigo meu. Ficamos andando pela USP, depois ouvindo som no carro por longas horas, sentindo as correntes orgonóticas correrem pelo meu corpo. Parece que Ney Matogrosso disse uma vez que "felicidade é tomar um ácido e ouvir música", no que eu concordo plenamente. Depois, tivemos a surpreendente aventura de pegar a marginal na hora do rush chovendo loucos de ácido a bordo de nossa nave psicodélica chamada de carro ouvindo Dave Brubeck. Sensacional, tinha certeza que fomos as pessoas que mais se divertiram naquela marginal inteira. Se algum carro fazia alguma barbeiragem, minha única reação espontânea era dizer algo como "menino, tome juízo!". E depois rir muito. Algumas experiências: Lá na USP, ir ao banheiro. Ver a velha psico, de uma forma totalmente nova. Todas aquelas árvores, vibrando a energia cósmica. Um silêncio tão profundo que era impossível não ouvir. Tive certeza que o mundo é feito desse silêncio. Nós, humanos, fazemos algumas bolhas de agitação e barulho onde nós estamos e achamos que o mundo é isso, mas essas bolhas estão cercadas por oceanos desse Silêncio. Basta olhar pra fora, o Silêncio está sempre lá, muito maior do que nós. Silêncio Eterno. Outra experiência: De olhos fechados, consegui, pela primeira vez, perceber objetivamente a camada de projeções que projetamos continuamente sobre a tela em branco do mundo. Não sei se dá pra entender, mas percebi o mundo em essência, a tela em branco, o Vazio budista e, ao mesmo tempo, a tela de projeções de significado com que moldamos o mundo e criamos nosso mundo-próprio. Como se fosse um papel vegetal colocado por cima da realidade com alguns desenhos que fazem sobressair algumas partes da realidade subjacente e escondem outras. Ás vezes distorcem completamente a tela por baixo. Última experiência: De olhos fechados, vi um ógão flutuando que representava meu coração - no sentido de centro emocional. Do lado dele, vi surgirem panos flutuando, e cada um deles era alguém muito importante em minha vida. Basicamente, minha mulher e meu filho. Eles foram se enrolando em meu coração, até vestirem ele completamente, aquecendo-o, como se aquece um bebê recém-nascido. As roupinhas de meu coração, me senti completamente protegido e enternecido. Conclusões: Ney Matogrosso estava certo. Também está certo Alexander Shulgin, que afirmou que uma experiência com uma droga psicodélica raramente dá insights e revelações totalmente novos. Na maioria das vezes, apenas relembramos das verdades que já sabíamos profundamente, mas que esquecemos no dia-a-dia. Parece clichê, mas é verdade pura. Saí com a sensação de que a vida é ótima, e estou feliz de fazer parte dela. É isso.
3.3.05 :::
Passei na Psico por esses dias e quase senti a tradicional sensação de não pertencimento àquele local estranho. Digo quase porque não era a sensação de que aquilo não fazia mais sentido, ou que, mesmo se eu não tivesse o que fazer, não faria muito sentido ir pra lá, com aquelas pessoas estranhas, não. Na verdade, era o lugar, os corredores internos e externos do instituto de psicologia que me estranhavam, que diziam que não era ali, ou que tanto fazia.
Mas ao mesmo tempo tanto fazer é bom, é a única possibilidade sincera, porque realmente tanto faz. Godard afirma em seu último filme, que sendo um filme recente de um mestre, à altura do resto de sua obra, só poderia ser um "não" filme, já que não se fazem mais filmes já faz muito tempo, mas enfim, ele afirma que Liberdade é quando tanto faz viver ou morrer. No diálogo entre a mulher, que faz a afirmação, e um sujeito, ele pergunta, mas se todos decidirem por não viver? Não lembro o que ela responde, mas veja bem, tanto faz.
(Parece estranho começar com a psico e terminar com a morte, ainda mais porque existira vida antes da psico, mas eu não controlo minha cabeça, apesar de controlar meus dedos)
Temos duas opções, nos libertarmos em morte ou nos libertarmos agora.
(o tempo é ilusão, bla bla bla, então também tanto faz quando nos libertamos, já estamos livres...)
ps. (só pra me lembrar) Falando em tempo, fiquei, pra mim mesmo, de falar de novo do tempo um dia, e tinha a ver com Reich, orgone, dna...