Blog pelo aumento da indeterminação da matéria e pela genitalização do caráter.
Também é um espaço que permite às gatinhas psicodélicas encontrarem seu destino.
11.2.06 :::
O legal é quando vc faz a sua criança interior sorrir, aí é legal
Eu queria agora retomar a gloriosa tradição dos relatos psicodélicos que fizeram a fama deste blog... Ainda outro dia, quando estava no sítio onde irei morar em breve, fiz uso de um coquetel de substâncias, o qual pretendo patentear, portanto não revelarei para vocês, só posso dizer que inclui um único cogumelo de Sâo Tomé, uma pitada de Syrian Rue (entrem no erowid) e meio E. Droga, acho que disse tudo! Ah, sim. Vai erva doce também.
Foi uma experiência (ou grupo de experiências) muito intensa e interessante, como há tempos não vivia. Perdido em uma trilha na mata, tentava me comunicar com os possíveis espíritos que habitem o lugar. Como pretendo morar lá, queria fazer boas relações com eles. De olhos fechados, sentia inúmeras presenças ao meu redor, amigáveis, mas um tanto assustador pela profundidade da coisa. Pensei em xamãs e em espíritos-animais auxiliares, me perguntei quais espíritos animais estariam lá. De repente, me movi, abri os olhos e vi uma pequena cobra, toda enrolada em um galho, bem perto de mim. Com lindos olhos axuis clarinho. Estava olhando pra mim, imóvel. . Sim, serpentes, espírito serpente.
Em outro momento, imaginei que essa experiência seria uma boa hora prar tentar contactar o que seria minha essência mais primitiva, isto,é, tentar descobrir o que eu sou, despido da personalidade e convenções e fantasias sociais que me encobrem. Percebi o que eu estava fazendo. A imagem que veio era a de um garoto selvagem, extremamente curioso, andando pelo mundo,, querendo conhecer tudo o que se descortinà minha frente.. Isso fez sentido pra mim.
Uma frase que me veio: "Cada segundo é uma flor desabrochando." Dá pra entender?
Em outro momento estava num pasto, colonizando-o com esporos de Psilocybes cubensis. Sentado em silêncio, como uma vaca, sentia o mundo doce, roçando minha pele energizada. Tudo era doce e suave. Percebi que estava num estado de supraconsciência, aquele estado em que se está mais consciente que em qualquer outro momento da vida. Percebi que podia sentir e entender tudo, naquele momento, se assim o quisesse. Mas senti claramente a Barreira que me separa desse outro lado. Percebi que poderia ultrapassá-la, que nunca mais seria o mesmo, mas sentia medo, muito medo. Vi que eu não estava pronto. Precisava continuar sendo limitado. Preciso viver no mundo cotidiano, no samsara, preciso ganhar dinheiro, cuidar de minha filha. AGORA, não posso fazer isso. No futuro...
Voltando pra casa, vi, em cima de uma pedra, logo à frente de um trecho de mata numa reentrância do morro, vi um objeto branco. Tive que ir lá ver o que era. Ao chegar, Vi um estranho ser sobre a pedra, um felino com chifres deitado tranquilo. Senti terror. Era um crânio de boi sobre a pedra. Alguém colocou lá, bem em frente àquela mata numinosa, que emanava mistério... Nâo tive coragem de entrar, mais uma vez... Outra vez, quem sabe....
Aconteceram outras coisas, aquela sensação maravilhose de tudo estar correto, amor transbordando de meu chakra cardíaco, exercícios para desencouraçar meus braços, energia fluindo pela minha coluna, pescoço, rosto, testa. Emoção, êxtase explosivo de liberdade na mata, segurar minha filha como se ela não tivesse peso e sentir aquele calorzinho maravilhoso dela no meu peito...É isso, por enquanto.
8.2.06 :::
Sempre que não se responde ao sorriso de uma criança, um aceno, mesmo com a mais singela das reações de confirmação, quando não se toca nem um pouco a alma, além da própria ausência de vida, está-se cometendo um crime contra a humanidade, só não pior do que não dar um sorriso a uma criança que pede, e isso se sabe simplesmente olhando em seus olhinhos.